A grande mídia está tentando cooptar as manifestações. Quando ouço Jabor se desculpar e elogiar, já acende em mim uma dupla luz vermelha ("cuidado", diz minha voz interior, " esse cara é o porta voz do que de pior existe para a democracia, a rede esgoto de televisão"); então observo a capa tendenciosa e subreptícia da Veja, como se ela desde sempre apoiasse as manifestações, somo aos elogios da Folha e do Estadão fechando o coro da mídia venal em favor dos Manifestos, justamente eles que semana passada exigiam gás lacrimogêneo, spray pimenta, borracha e chumbo, para essa mesma galera e que, ao longo da história recente, apoiaram a ditadura militar e apóiam tudo que é contra as aspirações das camadas mais desvalidas de nossa população. Minha voz interior não cala, "cuidado, a direita está armando um golpe através da única oposição as esquerdas no Brasil, a mídia; o movimento social está sem liderança efetiva e, como uma boiada, pode ser tangida pela tela da Rede Globo". Ê preciso, penso, uma maciça participação através de todos os meio e formas disponíveis, pela esquerda, para denunciar essa tentativa de manipulação dos jovens que está em movimento. Sem autofagismo, a esquerda precisa despertar para o fato de que estamos entregando para a direita, de mãos beijadas e olhos cerrados para a realidade, tudo que conquistamos desde que os golpistas de 64 aparentemente saíram de cena. Enganam-se aqueles que pensam que saíram de cena mesmo. Estão a espreita de um momento favorável. E o que estamos presenciando inertes e desunidos pode ser o momento que a reaçada tanto espera. Aqueles que criaram essa marola, muitos deles de partidos de esquerda, não avaliaram que poderia tomar essa proporção e sair de controle. E a direita tenta entrar nesse vácuo e usar os protestos em seu benefício. Por exemplo, a Globo é contra a PEC 37, para poder usar o MP em seu denuncismo, pois se apoia em setores do mesmo. Usa o discurso de que apoiar a PEC 37 é enfraquecer o Ministério Público, esse mesmo MP que só investiga o que a Globo pauta (ou alguém esqueceu que o mensalão tucano não ata nem desata e das violências ao Direito praticadas na AP 470?). Na verdade a PEC 37 não é a favor da corrupção, ela é contra as práticas de favorecimento ao denuncismo da Globo, da Veja e da grande mídia venal. Essa manipulação está visível. É urgente que, agora, a esquerda vá para as ruas com suas plataformas tradicionais e progressistas contra a direita, para tentar dar norte a essa onda gigante que a direita tenta cavalgar.
Sou filho de um momento terno entre a Terra e o Sol, amante da Vida e da Poesia e afilhado do Tempo. O Amor é meu companheiro de viagem, junto com a Indignação. Tenho ao meu lado, como guia a Liberdade. O mundo é um caminho regido pelo Destino e sustentado pela Eternidade, por onde ando e encontro pessoas e mestres e em cada dia que passa uma nova lição. Sou aquele a quem a Vida ama e que ama a Liberdade. Paulo da Vida Athos Esse é o pseudônimo de PRAD
terça-feira, 18 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Lugar de petista é do lado do povo
Leio críticas a alguns movimentos sociais. A máfia do Rio-Ônibus, a Fetransportes, assim como a máfia das construtoras e outros grupos semelhantes, são sócios e partícipes do governo estadual e municipal no Rio de Janeiro. Sócios-asseclas. Veja o envolvimento da Delta com os governos fluminense e carioca, veja como estão loteando o Rio de Janeiro. Nem o Maraca, mais, é nosso. Ora, se a máfia do transporte público está "fechada" com o governo do estado e com a prefeitura, o que mais pode fazer quem quer lutar, o povo? Se omitir como ocorreu durante os anos da ditadura, em que muitos se sacrificaram por milhões que se acovardaram? Ficar inerte como ficou nos últimos anos ou botar o bloco na rua? Tá, existe inexperiência nas manifestações, mas não vejo outro meio de adquirir essa experiência sem ir para as ruas, as ruas são os palanques do povo. O Movimento Passe Livre tem feito isso, e não apenas ele. Outros movimentos surgem e essa é uma tendência mundial. Apenas a juventude deve estar atenta para não ser usada pela direita, para isso deve cada vez mais se envolver com política, beber política, viver política, olhar para o passado para não repetir erros que foram cometidos (principalmente, o da omissão): e ir a luta. Bater em retirada quando não for possível avançar, para depois poder poder voltar com maior ímpeto. Jamais cruzar os braços ou se omitir. De minha parte creio que devem ser incentivados e que devemos estar com eles nas ruas, sempre que pudermos. Justamente por causa dessa relação dessas máfias com as prefeituras, é que o povo deve tomar as rédeas. Se o pacto social é injusto socialmente, rompa-se com ele. Creio que, com essa ou aquela diferença, quem é petista ou de esquerda, quanto a essência pensa da mesma forma. Prefiro o PT longe de Cabral e Paes, e bem perto do povo. Assim, continuarei petista enquanto minha repugnância por algumas alianças expúrias, que já foram feitas, permitir. Não estou sozinho, não sou um petista louco e solitário: a Juventude Petista está comigo em seu manifesto: "Neste sentido, a Juventude do PT vem a público reivindicar a reversão dos aumentos das passagens e manifestar sua solidariedade e apoio aos movimentos que lutam contra esses aumentos. Mais que isso: conclamamos a militância petista a participar ativamente das manifestações e comitês, a começar pelo ato do dia 11 de junho, às 17h, na Praça do Ciclista, Av. Paulista!" Se tem partidos da esquerda querendo derrubar o PT com esses movimentos, evidente que sim. Apenas nas cidades do PT ocorreram manifestações. Mas reassumo que não é o caso de demonificar as manifestações, mas sim de colocar a militância petista nas ruas, ao lado do povo, como era no passado. Continuarei louco, ainda sou petista, não estou sozinho, e jamais me posicionarei contra o que é justo para o povo. O excessivo uso da força contra os manifestantes no Brasil, apenas demonstra que as forças de segurança estão despreparadas. Ninguém pode duvidar da legitimidade das manifestações. Somente os hipócritas. O que o PT deveria fazer era apoiar as manifestações. Foram elas que conduziram-no ao governo. Ao contrário de criticar, deveria colocar sua militância nas ruas, junto com PSOL, PSTU, PCO, UNE, fazendo tremular nossas bandeiras. Sair dessa inércia que nos assemelha ao que antes criticávamos. Entre o partido, o Poder e o povo, fico com o povo.. Ao contrário de criticar, deveria colocar sua militância nas ruas, junto com PSOL, PSTU, PCO, UNE, fazendo tremular nossas bandeiras. Sair dessa inércia que nos assemelha ao que antes criticávamos. Entre o partido, o Poder e o povo, fico com o povo.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Corpo de pobre não dá Ibope
- Corpo de pobre não dá Ibope.
- Não dá para não perceber a diferença de tratamento que é dado pela mídia, entre a vítima rica e a vítima pobre. Em manifesto interesse comercial, a grande mídia coloca luzes diferentes sobre cadáveres iguais. Sim, iguais, pois se tem uma coisa que nivela todos nós, é a morte.
- Se a vítima faz parte da classe média alta, dá para ver o cifrão no início de cada frase escrita, ou nos olhos dos apresentadores de nossos telejornais. Não há interesse público norteando as redações, há interesse no público. Saindo do costumeiro quadro de tratamento dado pela grande mídia quando a violência urbana faz uma vítima na classe média, constata-se que o mesmo tratamento é dado nas tragédias.
- Se falo no caso Bateau Mouche IV, embarcação de turismo que naufragou na Baia de Guanabara em 31 de dezembro de 1988, todos que contavam com mais de 20 anos, naquela data, terá alguma lembrança sobre o caso. Nem é para menos, durante décadas, enquanto não transitou a sentença judicial sobre o fato, a mídia repercutiu. Haviam 142 passageiros a bordo; 55 perderam a vida. Dentre as vítimas fatais, estava a atriz global Yara Amaral. Lembraram? Pois bem, a mídia, hoje, repercute mais uma tragédia com embarcação na Bacia Amazônica.
- O dono do "Iate Leão do Norte", que naufragou próximo a Ilha de Marajó nessa madrugada, informou à polícia que havia 54 pessoas na embarcação, mas o número oficial informa 11 mortos e 46 desaparecidos. Ao longo de todos esses anos, centenas de naufrágios ocorreram na região amazônica. A mídia, quando noticia, o faz uma vez, e não mais repercute o fato. Tenho em minha memória a tragédia da embarcação "Novo Amapá", ocorrida no rio Cajari, no Pará, no início de janeiro de 1981, onde cerca de 300 das 600 pessoas perderam a vida. Alguém lembra?
- Pois é, entre 1981 até hoje, todos os anos uma tragédia ocorre nas águas daqueles rios, as vezes mais de uma vez por ano. As autoridades, civis e militares, incluindo a Marinha, que tem o poder regulador e fiscalizador, nunca fizeram nada. A mídia não as menciona, ou, quando o faz, não é mais que um dia.
- São corpos de pobres, não dão Ibope.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Em solo onde jazem cadáveres de torturados e desaparecidos, só se colhe dor e vergonha.
Em solo onde jazem cadáveres de torturados e desaparecidos, só se colhe dor e vergonha.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Crise e síndrome de Estocolmo (*)
(Publicado originalmente em Carta Capital)
O conservadorismo gostaria de impor a Dilma no Brasil a mesma receita adotada por Mário Monti na Itália.
Equivalente a que os republicanos querem enfiar goela abaixo de Obama nos EUA.
A mesma purga que o comissariado do euro aplica contra as populações da Espanha, Portugal, Grécia, Bélgica etc.
Com as consequências sabidas.
As urnas revelaram nesta 2ª feira que os italianos preferem Berlusconi ao tecnocrata querido dos mercados.
Na zona do euro, à exceção da Alemanha, a economia tornou-se uma usina de pobreza, êxodo, despejos, fome e demissões.
Nos EUA as grandes corporações tem quase US$ 1 trilhão em caixa, mas o desemprego não encoraja investimemtos.
Antes da implosão neoliberal, o fluxo financeiro das corporações somava um déficit equivalente a 3,7% do PIB.
Agora, acumula um superávit de aproximadamente 5% dele.
O dinheiro ocioso queima como batata quente.
Não há muito o que fazer com ele.
A taxa de juros é negativa; as bolsas de commodities andam de lado.
A mais lenta recuperação do nível de emprego da história das recessões norte-americanas faz o resto.
Não há razões para ampliar capacidade produtiva quando a demanda rasteja sob o peso de 8% de taxa de desemprego.
Uma anemia que promete resistir por muito tempo.
Mesmo quem trabalha empobreceu.
O patrimônio das famílias perdeu mais de um terço do valor na recessão.
Quase 90% das riquezas geradas no período seguinte foram drenadas para 1% da população.
Para o caixa das grandes corporações,em especial, onde ardem como batata quente.
A queimadura pode se agravar.
A ortodoxia republicana dobra a aposta no veneno: cobra de Obama o corte de US$ 100 bi em gastos fiscais.
A partir de março.
Outro facão deve decepar mais US$ 1,2 trilhão até o final da década, 'para ajustar as contas do Estado'.
Na jaula pequena da estagnação o que mais prospera é o canibalismo.
A onda de fusões e aquisições em marcha reflete o estreito repertório de opções para o dinheiro graúdo.
Grandes corporações se vampirizam na luta de conquista pela liderança dos mercados quando a crise acabar.
Os avanços tecnológicos compõem a outra jugular em disputa.
Invenções e saltos tecnológicos permitem roubar demanda velha no mercado estagnado. E capturar demanda fresca nas nações em desenvolvimento.
No euro ou nos EUA, o cachorro morde o próprio rabo.
Obama quer regenerar o tônus da economia injetando-lhe alguma expansão de demanda.
Elevando o salário mínimo, por exemplo, dos atuais US$ 7,25 por hora para US$ 9/h.
Há razões sólidas para isso:
a) nos últimos 40 anos de supremacia neoliberal, o piso salarial norte-americano foi corrigido abaixo da inflação;
b) a atual capacidade de compra do salário mínimo nos EUA é inferior a que existia nos anos 60.
Entende-se por que a crise escava o fundo do abismo. Ele já havia se instalado no metabolismo da sociedade há décadas.
Falcões republicanos dão de ombros e insistem: a chave é o corte do gasto público.
Como se os mercados pudessem se erguer pelos próprios cabelos.
À margem da demanda agregada; sem consumo ou investimento.Público ou privado.
O ambiente internacional carrega assustadora transparência.
Serviria como antídoto ao clamor ortodoxo que prescreve o mesmo óleo de rícino para os desafios do Brasil.
Mas a vacina não age.
Os canais de transmissão do debate seccionam as interações entre o noticiário internacional e os acontecimentos locais.
A economia brasileira emite sinais contraditórios.
Vive-se um momento decisivo.
O investimento ainda se arrasta.
Mas o vigor persistente da demanda e as medidas de incentivo do governo esboçam uma retomada que o jogral conservador quer abortar.
A qualquer preço. De preferência, com um choque de juros. Para 'cortar a inflação pela raiz'.
A 'raiz' é a demanda popular.
Como se o país que arrastou mais de 50 milhões de cidadãos para fora da pobreza e criou um dos mercados de massa mais pujantes do planeta, pudesse se desfazer desse trunfo e dizer:
"Senhoras e senhores, a viagem acabou; aguardem no meio-fio até passar o próximo bonde da história”.
A viabilidade política dessa baldeação regressiva é zero.
Mas falta o debate consequente que liberte o próprio governo dos termos da equação imposta pela ortodoxia: mais inflação ou menos crescimento.
Falta o governo livrar-se da 'síndrome de Estocolmo' em relação à mídia dominante. E entender que a informação (plural) é um ingrediente tão importante de um ciclo de desenvolvimento quanto a queda dos juros.
A ver.
-----
(*)A expressão 'Síndrome de Estocolmo' designa um tipo de perturbação psicológica desenvolvida por vítimas de sequestro, que passam a nutrir sentimento de lealdade em relaçao a seus algozes.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
O que Aécio faria do Brasil que temos hoje?
O que Aécio faria do Brasil que temos hoje?
Encarregado de fazer o contraponto à la carte para a mídia, Aécio Neves sequer roçou a grande pergunta embutida no feixe de avanços sociais e econômicos reunidos pela Fundação Perseu Abramo, para o evento da última 4ª feira, '10 Anos do PT'.
A pergunta é:
'Se voltasse ao poder, o que o conservadorismo faria do Brasil que temos hoje?'
A omissão não deve ser debitada à superficialidade pessoal do provável candidato tucano em 2014.Colunistas da cota reservada a José Serra sibilam essa interpretação.
Maldade.
O fato de Aécio ter omitido preferências não significa que não as tenha.
Ele as tem.
São as mesmas dos seus rivais de partido; as mesmas dos vulgarizadores de seu credo na mídia.
As mesmas marteladas pelos professores-banqueiros encarregados de pavimentar a candidatura conservadora até 2014.
Fácil é defendê-las em artigos acadêmicos.
Palatável, discorrer sobre elas em colunas dirigidas aos iniciados da mesma igreja.
Complicado assumi-las em uma tribuna pública.
Quase inviável assoalhar um palanque presidencial com o seu conteúdo.
A tarefa consiste em desqualificar e desautorizar grandezas sociais de uma mutação histórica dificilmente reversível pelas urnas.
Para ir direto ao ponto mais agudo de uma dinâmica inconclusa mas incontrolável:
As favelas brasileiras reúnem 12 milhões de habitantes e formam hoje um mercado de R$ 56 bilhões.
O equivalente a uma Bolívia.
Não é propaganda do PT. É o resultado da pesquisa feito pelo Data Favela em 2011.
Ela mostra que 65% das populações faveladas pertencem agora ao que se convencionou denominar de nova classe média, ou classe C.
Em 2002 o percentual era de 37%.
Favela continua sendo favela.
Mas o recheio humano mudou. E aí reside o paradoxo de uma dinâmica infernal para aécios e assemelhados.
O mesmo ocorre nas periferias metropolitanas que continuam sendo periferias conflagradas.
Ou nos bairros distantes que continuam carentes de serviços essencias.
E também nos conjuntos habitacionais, vilas e arruamentos rurais do resto do país.
Que continuam sendo tratados como resto do país.
A população aí residente saiu do rodapé da renda para o segmento do consumo popular. Representa agora 52% do Brasil.
O dado banalizou-se.
Mas não a completa extensão do paradoxo político que encerra.
Não o desconforto eleitoral que constrange o discurso do conservadorismo.
A ponto de Aécio recitar frases de efeito que não tem nenhum efeito.
A ponto de Lula, Dilma e o PT, de um modo geral, apostarem que esse impulso ainda pode encher as velas de mais uma vitória eleitoral. Guiada pela promessa do passo seguinte dessa história: a cidadania plena.
Mesmo difuso e ainda sem projeto --que cabe ao PT esclarecer-- o aceno tem receptividade expressiva.
Milhões de brasileiros que formariam um país do tamanho da Argentina deixaram de ser meros sobreviventes de um naufrágido de 500 anos.
Chegara à praia.
Querem mais.
Como dizer-lhes: 'Não, o regime de metas de inflação não comporta vocês'.
Ou, como preferem os professores-banqueiros do PSDB:
'O populismo petista aqueceu a demanda para além do hiato do produto (potencial produtivo acionável na economia; que eles interpretam como um grandeza inelástica)'.
A receita para reverter o desmando é a plataforma que os tucanos e assemelhados hesitam em explicitar em palanque.
Um lactopurga feito de choque de juros e cortes no salário real; a começar pelo salário mínimo.
Quase tão simples assim.
A dificuldade reside no fato de que o 'voluntarismo petista' consumou um colégio eleitoral que hoje elege sozinho um presidente da República, se quiser.
De modo que o problema não é Aécio.
Um Aécio careca enfrentaria a mesma dificuldade.
O balanço reunido pelo PT (http://www.fpabramo.org.br/sites/default/files/Folheto_PT_10anos_governo_Net.pdf) envolve escolhas e desdobramentos que vão além das platitudes da má vontade conservadora.
A tal ponto que argui a zona de conforto da própria agenda progressista.
Para que o fim da miséria seja só o começo, como promete a provável bandeira da reeleição da Presidenta Dilma, há perguntas à espera de uma resposta.
Sobre uma delas o governo se debruça exaustivamente nesse momento.
Trata-se de viabilizar um novo ciclo de investimentos que redesenhe os contornos de um país previsto originalmente para acomodar apenas o terço superior da renda.
A nova cartografia escapa às receitas técnicas que seduzem uma parte do governo.
Reequilíbrios macroeconômicos são indispensáveis.
Mas as soluções imaginadas cobram um protagonista social que as legitimem e ferramentas que as executem.
A hegemonia numérica da chamada classe C sobreviveu à crise mundial do capitalismo porque, entre outras coisas, Lula e Dilma colocaram os bancos estatais a seu serviço.
No ano passado, o Banco do Brasil expandiu em 25% a sua carteira de crédito, à base de agressiva redução dos juros.
A Caixa Econômica Federal ampliou a sua em arrojados 42%.
Para desgosto da mídia que vaticinou prejuízos calamitosos, o BB e a CEF registraram lucros recordes em 2012.
As taxas de inadimplência foram inferiores às da banca privada que, exceto o Bradesco, viu seus lucros minguarem em relação a 2011.
Bancos estatais dominam agora 47% do mercado de crédito no país.
Dispor de ferramentas autônomas permitiu ao governo criar um fenômeno de consumo indissociável da aspiração por cidadania plena.
Isso mudou a pauta política do país ao dificultar sobremaneira o discurso conservador.
Qual seria o equivalente na batalha do investimento?
Por enquanto não existe.
Daí as dificildades dilacerantes que empurram o governo de concessão em concessão. Com resultados ainda imponderáveis.
Como compartilhar esse desafio com quem tem mais interesse num desenlace progressista e bem sucedido: milhões de brasileiros à procura de um país onde caiba a sua cidadania?
A cartilha dos '10 anos do PT' deixou esse capítulo em aberto.
Cabe ao V Congresso do partido escrevê-lo em 2014.
Mas é quase tarde. É preciso correr e começar já.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Diminuição da menoridade penal é cinismo
É engraçado. Num país onde em pleno século XXI ainda se
tortura e se mata oficialmente, como gritar por redução da menoridade
penal? Antes de qualquer coisa é preciso
limpar dos quadros policiais bandidos que lá se encobrem para prática de seus
crimes, e, para isso, a sociedade tem que se despir de seu cinismo e cobrar
isso aos governos que elege. Se o governo não age, que se deponha o
governo. Mas que não se coloque mais
essa conta na mesa dos miseráveis.
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