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domingo, 15 de novembro de 2015

A França não merece perdão

A França não merece perdão.


Em março de 2011 a França uniu-se aos Estados Unidos e ao Reino Unido para intervir na Síria que vivia um conflito doméstico. A este grupo também juntaram-se Israel e Arabia Saudita, que sempre apoiou o intervencionismo norte-americano na região.

De lá para cá esses históricos países imperialistas e colonizadores, me refiro aos EUA e aos europeus, apoiam grupos de mercenarios e terroristas contra o regime de Bashar Al-Assad.

Como resultado as armas fornecidas pelos países ocidentais caíram nas mãos de grupos que depois se voltaram não apenas contra os interesses de Assad, como também dos países da chamada coalizão, e nasceu o ISIS.

Em razão disso milhares de inocentes já morreram na Síria e esse monstro chamado Estado Islâmico, criado por essa prática intervencionista, tomou corpo.

Assim como ocorreu em outras intervenções, como no Irã, Afeganistão, Iraque, além de outros, alguns desses países foram destroçados, tiveram milhares de crianças, jovens e inocentes mortos.

Aviões ou drones da Coalizão despejaram e despejam toneladas de bombas que atingem áreas residenciais, escolas e hospitais, destruindo vidas e cidades inteiras, com a justificativa de sempre: são efeitos colaterais.

O mundo silencia, a mídia silencia.

O que aconteceu na França era previsível e esperado.

Mais de uma centena de inocentes morreram, como morreram, morrem e morrerão ainda, outros milhares de inocentes na Síria e outros países sob intervenção da Coalizão.

Portanto, prantear os inocentes franceses sem fazer o mesmo pelos inocentes mortos pelo terrorismo estatal francês, é ignorar antecedentes históricos.

O terrorismo de Estado da França tem aviões e armamentos sofisticados para assasssinarem criancas e inocentes em território Sírio e outros.

Lamento pelas milhares de vidas inocentes ceifadas pelas armas francesas.

Lamento pela mais de uma centena de vidas inocentes ceifadas no ataque a Paris, essa semana.

A França usa em seu terrorismo as armas que tem; seus inimigos usaram as armas que tinham.

A França é culpada. Historicamente culpada.



Não merece perdão.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A inteligência da Direita



A inteligência da Direita


Volta e meia recebo de algum amigo meu, de direita, um texto que rescende ressentimento e inconformismo contra a reeleição de Dilma ou contra o PT.  São palavras geralmente agressivas em textos de péssima qualidade, alardeando a corrupção petista, acusando a militância de petralha, quase sempre com pelo menos uma palavra obscena, fazendo analogia a golpe de estado ou aos golpistas de 64, ou pedindo de volta “o regime militar.”

Essas coisas me fazem lembrar alguns textos que leio que, com relação às conclusões, tenho minhas reservas, de que pessoas de esquerda são mais inteligentes do que pessoas de direita.

Sinceramente não vejo base científica nisso, ademais há que se descontar, por óbvio, o agregamento do autor aos ideais progressistas da esquerda.

No entanto, quando paro para dissecar a verborreia não tenho como impedir um certo acomodamento intelectual para a assentir com as conclusões apaixonadas, mas para mim sem validação científica,  mas até certo ponto aceitáveis, de que pelo menos não são dotados de lógica ou usam de má-fé.

Como alguém pode afirmar é contra o PT porque pensam no povo trabalhador, que são contra a corrupção, que o PT é corrupto e Dilma e Lula comandam uma quadrilha, e pérolas tão próprias desse naipe de gente, quando, por exemplo, são traídos por quem votaram e que votaram favoravelmente à terceirização do mercado de trabalho?  E que, mesmo sabendo disso, vão para as ruas aplaudir seus representantes que, em seu ponto de vista cego, deveriam estar governando a República.  Inteligência?

Pensam no povo? O PT é corrupto?  Dilma e Lula comandam uma quadrilha? Pó pará!

Deitar a verborreia numa folha de papel, ou na internet, deixando prova e rastro da verborragia, é coisa de gente burra mesmo, burra e que não tem vergonha de demonstrar isso.

Escrevem sem pensar.  Isso me lembra o maravilhoso texto “A arte de escrever para idiotas”, produzido pela filósofa Marcia Tiburi e por Rubens Casara, intelectual e magistrado no Rio de Janeiro, que define bem as relações entre os criadores desse tipo de texto e seus leitores. Não leu ainda?  Está na rede.  Recomendo, disseca bem o tema.

A burrice é tanta que não perceberam que estão fazendo o jogo da elite, são marionetes da elite.

A elite está vendendo seus postos de trabalho, e eles vão lá, para as ruas, em cada vez menor número (por sorte alguns tiram os antolhos), vociferar contra um governo eleito legitimamente para pedir seu impedimento. 

Isso não vai acontecer.  Mais fácil é algum deles ganhar o Nobel da paz.

A gente olha para a massa de manobra da elite e ouve seu discurso, e percebe que eles se sentem elite, se acham mesmo elite, se acham milionários como os Marinho, empresários como Abílio Dinis ou os Setúbal (esses são realmente inteligentes), se consideram deles igualha, e não atinam de que são apenas classe média, no máximo classe média alta, e que estão ali a serviço do capital mais selvagem, tangidos pelos lacaios daqueles, tipo Jabor, Diogo Mainard, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade , William Bonner, Miriam Leitão, todos pagos regiamente, para fazer a cabeça de idiotas e, cá para nós, quem tem como mentor gente assim não pode ser classificado de inteligente, é pessoa de poucas luzes no mínimo, hão de concordar.

Essa gente que está nas ruas não pensa por conta própria.  Embora de classe média e média alta a maioria, estudou – alguns até sem muita dedicação, creio - tem razoável cultura, mas não tem lógica, não liga uma coisa na outra.

Estão legitimando uma maioria no congresso que está lá votando contra seus próprios interesses, bastaria isso para demover alguém com mediana capacidade de raciocínio.

Então a gente junta isso ao que de fato tem incomodado essa turma nos últimos 12 anos.  É insuportável para eles a realidade de que seus espaços privativos, onde faziam biquinhos na hora de ser fotografado, foi invadida por trabalhadores de verdade.

Logo, passaram a dizer que seus aeroportos foram tomados por “pobres”.  Pobre para eles é o assalariado e, via de consequência, como todo trabalhador é assalariado todo trabalhador é pobre e os incomoda. 

O que eles não conseguem ver: é que também são assalariados, e que, através das medidas que estão sendo aprovadas contra os trabalhadores, mais dia menos dia serão atingidos.  Pouca gente sabe, por exemplo, que grande número de bancários, e isso enquanto a terceirização nem foi aprovada ainda, já é terceirizado.

E o terceirizado, além de trabalhar mais ganha menos e tem menor número de direitos e garantias trabalhistas, vez que a terceirização, como essência primária, tem por objetivo minimizar o alcance das normas garantidoras da relação de trabalho contidas na CLT e dos direitos do trabalhador.

Quando aprovada a terceirização: hospitais, bancos, grandes empresas, escolas, universidades, redes de lojas e de supermercados, empresas de transportes, pequenos e grandes comércios, poderão ter relações com as terceirizadoras que venderão um produto antigo e lucrativo: o homem e sua mão de obra, para não terem grandes riscos na hora da demissão.

Ou seja: essa é a forma atual de exploração da mão de obra; e nela se inclui do auxiliar de limpeza ao médico.

Como considerar essa turma que foi para as ruas, inteligente?

Odeiam pobres, odeiam trabalhadores, mas esquecem de que são trabalhadores e que a tunda vai comer no couro deles também.

Odeiam saber que as empregadas domésticas agora tem direitos trabalhistas e que podem comprar o mesmo perfume que a patroa usa.

Já nem falo naqueles que pedem “o regime militar de volta”, porque isso é tão imbecilizado que atribuo aos doentes ou aos de má-fé.  Impossível que nos dias de hoje exista alguém que não saiba do que aconteceu naqueles dias.

É gente que não pensa; nem sei se é gente burra.  Mas cretina é, cretina e idiotizada. 

É gente preguiçosa que prefere que outros pensem por elas e vão repetindo que bolsa-família é “dar pão podre e estragado”, é iludir os realmente pobres, e coisas estapafúrdias como essas.  Não sabem que, como dizia Betinho, quem tem fome tem pressa.

Esse tipo de gente não tem esse problema de fome. Na pior das hipóteses, é só abaixar porque eles que tem o pescoço curto como sua inteligência, capim tem de sobra.

Mas não são burros!


Paulo da Vida Athos.


Rio de Janeiro, 13 de abril de 2015. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

É Natal




É Natal







 

Mesmo que não quisesse, é Natal.  Tudo me mostra isso.  Ligo a TV e logo as propagandas me dizem que é Natal.  Nas ruas, nas árvores iluminadas, na fachada dos shoppings e das casas, o piscar de milhares de lâmpadas me dizem que é Natal.

De resto, não vejo grandes diferenças.  As pessoas andam estressadas, o trânsito cada vez mais engarrafado, o som urbano invade tudo com seu concerto de buzinas, sirenes, conversas e megafones, a única coisa que parece mudar é que tudo se acelera um pouco mais nessa época, que tem mais gente nas ruas e menos mendigos nas calçadas.

Claro que não me iludo quanto à redução de mendigos. 

É praxe dos governos expulsarem seus mendigos, sua população de rua, esse tipo de gente que atira na nossa cara o despudor de nossa indiferença diuturna durante o restante do ano. 

A cidade precisa estar limpa para receber o espírito do Natal e os turistas e esses espíritos de porco não vão sujar nossa paisagem.

Então é Natal.  Não tem como não ser. 

Tanto brilho nas ruas, tantas luzes a iluminar nossas noites, milhões delas se somam àquelas que conhecemos dos outros dias, é lindo de se ver!  Então aquela árvore na Lagoa, hein?  Belezura!  Todo mundo em volta, todas as noites, uma festa! 

Shoppings cheios, restaurantes lotados, ruas repletas de caros e calçadas também, mostrando como estamos bem de vida, que a noite é nossa, que somos bárbaros! 

Verdade.  Tudo isso, é verdade.  Principalmente isso: somos bárbaros...

Sabemos da covardia praticada contra os moradores de rua, não apenas contra os mendigos, para desestimular sua presença. 

São retirados na marra, a força, na porrada, são jogados em ônibus cedidos pelos quadrilheiros que nos roubam diariamente em suas roletas, e largados bem longe, até em outras unidades federativas, ou, na versão econômica, pressionam para que essa gente que com sua existência sujam os bairros da zona sul e da orla procurem bairros em que turistas jamais passarão.  Não podem poluir nossa paisagem.

Isso tudo é e sempre foi, Natal.

Claro, a TV mostra a missa do galo, a conversa fiada de nossos governantes, o caô de nossos religiosos, o programa do Roberto Carlos, o papai noel do shopping,  a ceia dos famosos, o amigo oculto dos artistas, essas coisas que nos provam todo ano que finalmente chegou o Natal.

Mostrar o amigo oculto é mole, quero ver é mostrar o inimigo oculto. 

Mostrar que 90% do policiamento está a serviço dos hotéis e do turismo, nas zonas nobres da cidade, que nosso subúrbio e regiões mais pobres ficam ao abandono, os roubos, chacinas e vítimas inocentes da guerra aos pobres que nos enganam chamando de guerra ao tráfico.

Quero ver é mostrar o movimento em nossos hospitais, o abandono da periferia, a covardia que fazem com nossas crianças nas prisões que criamos para elas em razão de nossa incapacidade crônica de exigir dos governantes que as crianças pobres exerçam o direito a educação, à saúde e à moradia, escritas na Constituição da República.

Quero ver é essa gente cristã de araque que grita a favor da redução da menoridade penal mostrar a cara no horário da missa do galo para falar dos ensinamentos de Jesus.    

Sabe aquela frase “deixai vir a mim as criancinhas?”, essa gente cristã mudou o nome do SAM para FUNABEM e FEBEM, depois para FUNDAÇÃO CASA, imbuídos pela prática de sua religiosidade. 

Ou seja: a tal frase acima eles colocaram em prática mandando nossas crianças para o inferno.

Mas isso eles não mostram.  Não porque seja Natal.  Não mostram nem assumem que apoiam, não é por vergonha também. 

É por insensibilidade mesmo, por desumanidade, porque não aprenderam o mais simples dos ensinamentos, que é amar.

Rio, 23/12/2014.

Paulo da Vida Athos


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O PT quer acabar com a festa...

A ideologia petista quer acabar com a festa...

Realmente a classe média tradicional parece não ter suportado a nova classe média que surgiu com a diminuição da desigualdade provocada pela ação do governo direcionada justamente para esse fim, o de tornar cada vez mais um Brasil menos desigual.  Nessa eleição isso ainda não ficou bem claro, mas é um fato.  Com o tempo e a absorção desse fato novo pelo conservadorismo residente no ser humano, tornando-o parte do todo, isso não mais será sentido.  Mas como o PT e os partidos progressistas continuarão nesse empenho até que um dia o Brasil se torne, majoritariamente, classe média, novos embates como o que vemos nessa eleição surgirão.  Quando os ainda pobres de hoje, amanhã, viverem a mesma tranformação, e não tiverem em si a visão altruísta do valor que existe no bem-estar coletivo, agirão da mesma forma virando as costas ao PT e procurarão um novo Aécio para estancar essa caminhada por justiça e igualdade social.  Caso contrário, quem fará os seviços menos nobres que a sociedade precisa para existir?  Quem passará a roupa e limpará nossas casas, quem recolherá o lixo, quem varrera o chão das ruas?  

Paulo da Vida Athos

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Enquanto a Vida passa...








"De que me adianta fingir viver enquanto a vida passa?  Finge viver quem tem olhos, ouvidos e boca, mas, diante da injustiça social, da desigualdade, das condições inumanas em que alguns vivem, se calam e nada fazem, esperando que outros lutem por eles mesmos, já que um dia aquilo que seus olhos testemunham diante de sua boca silente: o alcançará.   

Posso morrer a qualquer momento.  Mas quem finge viver, já morreu enquanto a Vida passa..."

(Paulo da Vida Athos)


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