domingo, 1 de janeiro de 2017

Castigo


Castigo


Ocupas minha memória
em retalhos
que vou recolhendo
enquanto costuro uma história
eterna e inacabada,
que tem alicerce no nada,
para desembocar em sonhos
que levam
a lugar nenhum.

Te dei todo amor que eu tinha.
Tu, não tinhas nada.


Teu castigo não é ser vazia!

É o nunca ter sentido
amor algum...


Rio, 1 de Janeiro de 2017.


(Primeira visita do ano)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016, Ano Macunaíma

Ano Macunaíma


Ouvi gente maldizer as horas do tempo desse ano que se despede deixando marcas nas praças e nas gentes, como fosse ele amaldiçoado, um pária, despojado até do direito de ter passado, de ser lembrado.  

-"Ano macunaíma, sonso e cretino assim, nem deveria ter existido", ouvi numa esquina, de duas mulheres vestindo camisetas verde-amarelas.

Realmente 2016 foi um ano ladeira abaixo para a maioria: os pobres, os banidos, os excluídos, as minorias que fazem parte dessa maioria de despossuídos de direitos que formam a grande base da pirâmide: a massa.

A bandeira da luta de séculos em busca de alguma justiça e igualdade social não resistiu desfraldada muito tempo; pouco mais de uma década e, durante ela, não passou uma semana inteira sem que sofresse atentados.

Uma, duas vezes, três vezes!  Mas, quatro vezes era insuportável.  Que negócio é esse de sairem da senzala? do jugo?  Que papo é esse de  invadirem meu shopping? 

Minha praia vá lá, água e areia tem mesmo pra todo mundo, e rock é mesmo pervertido.  Mas meu aeroporto?  Aí tá de sacanagem!  

Ver aquela gentalha infestando aeronaves como baratas, ouvir aquele dialeto tipo "o probrema é o seguinte", "casca uma laranjinha pra nóis aí, meu", "num vai tê armoço não?,  "Ih!  o largato tava uma delícia!", na poltrona ao lado, é foda.  

Não deu para uma minoria seleta aguentar mais quatro anos de governo progressista.

Então, o que fazer?

Simples, a receita tradicional. 

Corrupção, governo corrupto, mar-de-lama, governo incompetente, comunistas, e a mídia, o martelo da mídia agora mais sofisticado.  Prensas quase aposentadas e a nova vedete, a TV!

Com ela entrando na vida de 90 milhões de famílias todos os dias, quatro vezes por dia, é mole!  

Basta repetir a arenga.  Deu certo com Getulio, deu certo com Jango, quase deu certo com Lula, porque não daria certo com uma mulher?  E deu certo.  Não por ela ser mulher, mais pelo imenso investimento na covardia...  Dilma é guerreira,  não se deixa abater.

Foi como em Hamelin, a flauta eletrônica foi eficaz!

A classe média, que historicamente odeia a classe dominante tanto quanto explora e odeia as classes abaixo dela, foi o alvo.  

A TV dava a senha, tatatatá: e o domingo na orla tinha mais um programa antes das geladinhas na areia: gritar fora Dilma!  

Chovia pato!

Pior que a classe média estava hipertrofiada pelos nela recém ingressados - que agora perceberam o engodo -  e nossa velha política não se fez de rogada: de uma tacada, menos de 500 deles invalidaram mais de 54 milhões de votos.

Tiraram Dilma, eleita democraticamente, e, em em seu lugar, colocaram uma quadrilha, como agora todos já sabem, liderada por Temer, o traidor.

Aí vem o golpe que antecede o golpe final: os políticos passaram a legislar contra o povo; contra os que elegeram Dilma e contra os que apoiaram o golpe.  

E assim o projeto vencido nas urnas passou a ser votado e aprovado pelos mesmos políticos que se negavam a votar e aprovar os projetos que favoreceriam o trabalhador e o povo brasileiro, quando Dilma os apresentava.

Só que a dose foi muito forte e eles perderam o controle além do juízo, e tal como um trem desgovernado o ovo-da-serpente chamado Lavajato acabou detonando a economia de forma estrutural.

O que era para ficar em  círculo coordenado e predeterminado se tornou um Orós e grandes empresas brasileiras foram desmoronando, e a economia, que é como a engrenagem de um relógio suíço, desandou junto, e o tal rombo que a corrupção fez na Petrobras se tornou gorjeta perto  do rombo que a lavajato provocou em nossas mais lucrativas empresas e na economia nacional.

Como consequência,  número de  desempregados atingiu 12,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro último, número 33,1% maior do que o mesmo trimestre do ano passado; e  vai piorar em 2017.

Aposentaram a aposentadoria.  Silêncio nas panelas...

Ou seja, o golpe saiu inúmeras vezes mais prejudicial que a corrupção que, como sabemos, não vai acabar.

O golpe esta em movimento.  Depois que Temer fizer a parte que lhe cabe será descartado.  Igualzinho aos paneleiros de minha rua e aos patinhos que idolatraram a FIESP. 

Risível.

Mas apesar de tudo não vejo 2016 como um ano perdido. Coisas maravilhosas aconteceram nele, e outras, tão maravilhosas quanto, foram preservadas.  

Entre elas a vida, a esperança, a capacidade de sonhar, de crer, de lutar e prosseguir devem permanecer intactas.  

Perdemos uma luta, companheir@s, mas lutar faz parte da vida de quem tem como objetivo mudar as coisas.  A luta mantém vivo.  

Não sou peixe morto que só nada a favor da maré.

Desembarcarei de 2016 mais experiente, mais forte;  viver sempre fortalece.

E embarcarei em 2017 cheio de esperança, sonhos,  e vontade de realizá-los.

A conversa que relatei no inicio, foi de duas mulheres de bem que estavam horrorizadas com as mudanças na aposentadoria.

Lembro tê-las visto comemorando a saída de Dilma...

Feliz ano novo para tod@s!!

E, #ForaTemer!
  

domingo, 4 de dezembro de 2016

Viver é se aventurar

Juliana​, minha querida.  Espero te encontrar feliz hoje; espero te encontrar feliz sempre, todas as vezes, em todos os dias de tua vida.   Dizem por aí que isso não é possível, com certa razão.  A felicidade permanente seria um tédio e faria da vida um saco, uma coisa sem sentido, né? Tipo desmotivante.  Imagina só milhões de copas d'água, uma cachoeira de águas geladas na nossa frente, e a gente sem a menor sede, sem qualquer vontade de beber coisa alguma.  Aff!  Não dá.  Por outro lado, imagine uma vida em que todos os nossos desejos, inclusive aqueles mais íntimos, se realizassem imediatamente...  Assim, de repente, parece uma coisa maravilhosa.  Mas com o tempo, um vazio imenso, um tédio massacrante  viriam nos abalar.  A certeza da realização imediata de todos os nossos anseios mataria a expectativa e ela é fundamental para a felicidade.  Sabe aquela espera de que algo aconteça, aquela pessoa apareça, ou a chuva caia?  Pois é, não existiria.  As manhãs perderiam o encanto, as tardes de domingo deixariam de ser bucólicas, as noites de plenilúnio não mais teriam graça, e até o amor, e mesmo as dores do amor, perderiam o feitiço.  Seria uma vida despossuída da palavra conquista e, quando isso acontece, os despossuídos somos nós.  Nada teria aventura pois a aventura é a materialização do resultado de nossa luta e, como a luta se tornaria desnecessária, com o tempo encararíamos todas as coisas como se fossem esmolas e nós, bem, nós, querida Ju, não passaríamos de pedintes  aos olhos da Vida e, a Vida, miserável aos nossos olhos.  E sabes disto. Não à toa braços dados com a Aventura foi perseguir teus sonhos, forjar tuas expectativas, garimpar tuas manhãs e teus amanhãs, nessa campanha ultramar planejada por teus anseios, por tuas expectativas,  e o pouco,  ou o muito, conquistado com nossa luta é sempre compensador.  Tudo passa a ter um pouquinho do nós, a marca de nossa alma, e fica impregnado com nossas alegrias e tristezas, passando a ser parte integrante daquilo que nos tornamos em nossa caminhada, e ninguém fica menor por dentro do que estava quando deu o primeiro passo, lá atrás no tempo, no tempo em que tudo começou.  Se é assim então porque iniciei dizendo que esperava te encontrar feliz hoje?  Exatamente por isso!  Por ser a vida como uma montanha-russa para os que de fato se lançam nessa fantástica aventura que é viver, viver mesmo, como fazes, não esperar a banda passar,  cavalgar o cavalo em pelo, domar as tempestades, beber as lágrimas, mergulhar fundo, apneia pura, e aflorar de novo à superfície com o sorriso largo de quem jamais será vencida, por ter a seu lado, em toda luta, justamente a felicidade que se chama viver.  Bom dia. Te amo.  Um beijo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O golpe em evolução

O golpe em evolução 


Segundo informações colhidas na mídia, Antônio Palloci, ex-ministro da fazenda e da casa civil de governos petistas, foi preso porque “um ex-diretor da Petrobrás disse que Alberto Youssef teria pedido R$2 milhões em propinas para campanha política e que o pedido teria sido feito por encomenda de Palloci.”  Se for isso mesmo, o que estamos vivendo é algo monstruoso que deixará sequelas indeléveis na história do poder judiciário nacional. Usando apenas o comando legal, “a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal”, a arbitrariedade salta aos olhos.   No caso, nenhum dos pré-requisitos legais está presente.  Não há que se falar em garantir a ordem pública vez que o Brasil está em paz, não há convulsão social, e Palloci não representa um risco a essa mesma ordem; muito menos se pode cogitar que a liberdade de Palloci possa de qualquer forma abalar a ordem econômica, já que nem mesmo faz parte do atual governo; conveniência da instrução criminal existe quando um acusado ou réu possa estar de alguma forma influindo nas testemunhas ou prejudicando colheita de provas, e isso não pode ser presumido, tem que ser fato provado; e, por fim assegurar a aplicação da lei penal é quando se tem provas de que o sujeito, em caso de condenação, possa fugir.  Isso também não pode ficar na seara da presunção.  A jurisprudência e a doutrina são pacíficas nesse aspecto.  Portanto, o que se vê é o uso intimidativo desse instrumento, como ocorreu em quase a totalidade das prisões decretadas na lava jato, e que se agrava quando um juiz aceita, no limiar de eleição nacional que elegerá vereadores e prefeitos de todos os municípios brasileiros, uma pedido claramente político que partiu da polícia federal.  O objetivo é claro: influi no pleito.  É político.  Isso é mais grave que o vazamento da conversa entre Dilma e Lula. Setores do ministério público, da polícia federal e do poder judiciário, de forma criminosa, atentam contra a soberania popular e contra as normas de direito eleitoral com clara finalidade de fraudar as eleições municipais.  O mercado criou, repetindo o que ocorreu em todas as vezes que se sentiu ameaçado, o fantoche chamado corrupção do estado.  Corrupção que sempre existiu, aqui e em todos os países.  Esse vetusto modus operandi tem como objeto enfraquecer os alicerces da democracia criminalizando a política e o estado.  A lava jato é a atual indústria de fantoches.  E o mercado, usando a mesma receita que derrubou Getúlio, Goulart e Dilma, quer tornar Lula inelegível.  Os ingredientes estão na mesa.  São os mesmos:  insatisfação de que detém o poder econômico e político e sua ânsia de impedir chegar ao poder governante que olhe para os mais pobres;  judiciário contaminado; setores da república comprometidos com a conspiração; e, finalmente, o martelar contínuo da mídia que pertence  a essa mesma classe, apontando a “degradação da política” e o “mar de lama que é o Estado”, em clara manobra para abrir caminho para o poder do mercado e o retorno do neoliberalismo. O que vemos é uma farsa midiática, jurídica e política.  Um atentado à soberania popular.  Uma violação à democracia.  O que vemos é o golpe em evolução.

Paulo da Vida Athos 

sábado, 10 de setembro de 2016

O golpe é colocar o PSDB no poder

O golpe é colocar o PSDB no poder.

Temer e o PMDB no poder é apenas um mal necessário e momentâneo para a classe dominante.  

Não havia outro caminho para colocar fim ao período único na história política brasileira em que um governo progressista esteve no poder, embora, em nome da governabilidade, um poder dividido com forças que cedo ou tarde trairiam o projeto social que levou o PT ao planalto e, juntamente com ele, o povo brasileiro e a democracia.

Foram 14 anos de conquistas antes da traição.

Durante essa quase década e meia as conquistas sociais e de soberania são inquestionáveis.  

Apenas a absoluta falta de cultura ou absolutismo reacionário impede o reconhecimento desses novos patamares, que foram oficialmente reconhecidos pela ONU, pela economia internacional, e pelo povo brasileiro na ascensão de uma nova classe C, e a ausência do Brasil da lista dos países em  que a fome ainda mata pessoas.

Sair da lista de devedores do FMI foi muito bom para nosso orgulho e nacionalismo, mas acabar com a pobreza extrema e com a fome foi muito melhor para nosso estômago e nossa cidadania.  

Erradicamos a fome. Fome zero, um marco.  Fim de uma vergonha que pode ser vista em vídeos que rolam na internet, feitos no fim do governo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso.

Para tanto a população teve que ter acesso à alimentação e à renda através de políticas como o Bolsa Família.  

Em economia podemos comparar renda a um bolo.  Se você tira um pedaço e o bolo fica menor alguém vai comer menos.  

Esse pedaço foi retirado daqueles que sempre tiveram a mesa farta, daqueles que historicamente sempre exploraram o Brasil.

É isso é imperdoável e a partir da reeleição de Dilma também tornou-se insuportável.

Mesmo usando a mídia, que a eles pertence, para tirar o PT do planalto, não conseguiram convencer a maioria e Dilma foi reeleita com 54 milhões de votos.

Mais 4 anos de um governo progressista poderia tornar irreversível sua deposição.  Afinal, mesmo com a crise econômica internacional, que Lula chamou de marolinha, os programas sociais e o Brasil caminhavam.  

Era preciso mais.

Então eles arquitetaram  o golpe através da crise política que, sabiam, atingiria a economia brasileira, que já atravessava o período de instabilidade internacional, ampliando aqui suas potencialidades negativas.

O processo do mensalão, que não impediu o PT de permanecer no poder, cedeu lugar a lavajato.

Setores do ministério público e do judiciário foram atrelados à mídia conservadora, que também passaram a centrar fogo apenas em pessoas ligados ao PT.

Políticos de outros partidos foram poupados.  

Temer, Juca, Agripino, Aécio, ministros do atual governo, são todos envolvidos e já denunciados por testemunhas.  Contra eles a inércia do MPF e/ou parcialismo do judiciário são vergonhosos.

Eduardo Cunha, com denúncias já formalizadas no STF, com provas inclusive enviadas por governo estrangeiro, orquestrou o impedimento de Dilma,  e continua aí.

Lula não pode ser ministro e Jucá pode, que justiça é essa?

A inércia do MPF, associada ao partidarismo que tomou conta do judiciário, incluindo ministros do STF,  continua.

Mesmo depois de consumado o golpe, a inércia continua.

Agora, certamente esses setores fascistas vão também centrar fogos no PMDB.  

A mídia já está ajudando a mostrar que quem está no governo são golpistas.

Porque?

A Globo então mudou?  A mídia conservadora reconheceu o erro?  Não.

Todos foram usados pela classe dominante, inclusive o PMDB e Temer o traidor.  

Usados para retirar o PT.

A lavajato vai continuar mais um ano, pois precisam fazer duas coisas: tornar Lula inelegível e retirar o PMDB do governo.

Lula por razões óbvias: pode ser reeleito pelo povo.  

O PMDB, porque já cumpriu seu papel na traição.

Eles querem o PSDB de volta ao planalto.  

É esse o objetivo é o móvel do golpe: ressuscitar o neoliberalismo.

Por isso a mídia já está atirando contra Temer e seu governo golpista.

Querem retirar Haddad para retomarem a prefeitura de São Paulo, é arriscado deixar o PT ali.

Enquanto isso os golpistas do congresso nacional alinhavam a lei que irá anistiar seus partidos e a si próprios dos crimes que cometeram.

Após a aprovação da autoanistia dos políticos e partidos envolvidos, a lavajato perderá o sentido.

Dela, apenas restará um efeito: a retirada do PT do poder.

E a ascensão do PSDB.

Exatamente como a classe dominante planejou.



Paulo da Vida Athos

Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2016.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Oração para Oxossi

Oração para Oxossi


Oxossi, meu Pai,
que é todo proteção e bondade,
que como todo pai zeloso e atento ilumina com seu olhar
o chão e os caminhos por onde andam seus filhos,
como sempre, e mais uma vez, me coloco em seus braços,
em seu colo protetor,
sob a influência e a paz de seu amor infinito,
nessa longa caminhada que se chama vida.

Desde o primeiro raio do sol
que deu boas vindas ao meu rosto nessa vida, até o dia de hoje,
não houve um só sem que eu sentisse a presença sua.

Atravessei selvas e mares,
caminhei desertos e bailei trovoadas,
e quando o fogo das profundezas parecia que secaria minha garganta,
bebi cachoeiras que você me ofereceu.

Nunca estive sozinho.

Em todas as barreiras que venci,
estava em se colo.
Em todas as provas que vivi,
tive você ao meu lado,
à minha frente,
às minhas costas,
sobre minha cabeça,
me guiando em cada passo,
em cada gesto,
ditando cada palavra que proferi.

Agradeço tudo que vivi,
agradeço por toda proteção,
por todo esse amor infinito que me tem.

Pai,
com a certeza de que só estou vivo em razão do amor que sente por mim,
agradeçocom meu amor,
com meu reconhecimento,
com minha fé.

Odé koke maió, Oxossi Oke Arô! Daka ka maci, adje b'erum!


David de Oxossi (Paulo R. de A. David)

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