quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho.
Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso.
Um cara amigo, leal, com coração enorme como ele, um coração que se preocupa com a injustiça, com o cara que está na rua sem teto, com o mendigo que cata resto de comida nas lixeiras da cidade, com o futuro das crianças, com a solidão dos velhos, com as vítimas da violência, da fome, dos que tiveram suprimida a esperança.
Conhecer meu filho é conhecer a essência do humanismo, a pureza das crianças, o onirismo dos idealistas, a nobreza de um guerreiro nagô.
Meu filho é um homem especial, um ser humano incrível, uma pedra valiosa e rara.
Os problemas mais complexos ele consegue equacionar numa ação que muitos levam anos, décadas para compreender: vivendo.
Ele me ensinou que viver nem sempre é mergulhar na vida da forma como compreendemos, ansiosos, como aprendi com meus avós, nos tornando náufragos na ansiedade que se transforma em mar.
Para ele, viver é um ato simples que requer pouco, muito pouco, como sentar na areia e olhar o mesmo mar no qual os outros naufragam, com outro olhar, para perceber a bóia, o banco de areia, ou aprender a boiar.
Viver para ele é sinônimo de liberdade. De respeitar a liberdade. De lutar pela liberdade daquilo que você crê.
E de ser feliz na simplicidade de ser livre.
Acho que acima de tudo meu filho tem a sabedoria que abandonamos na adolescência, sonhar.
Por isso o admiro tanto, e dele me orgulho tanto.
Independente de quais sejam nossos objetivos, se não estivermos impregnados por nossos sonhos, nada valem.
E meu filho me ensinou isso com a técnica mais sutil dos sábios: o amor.
E o fez com o amor mais bonito que um ser humano pode amar.
O mundo e a vida, sem ele, seriam mais pobres.
Você conhece meu filho? Ótimo para você.
Não conhece? Que pena! Sabe aquele cara que se torna o personagem inesquecível? É ele. Torça para encontrá-lo!
Ele não vai te tratar diferente do que trata qualquer criança.
Vai tratar igual, com o mesmo carinho e atenção, porque a base de suas relações é simplesmente o amor.
Conhecer meu filho deixa qualquer um mais rico, mais doce, mais humano e, principalmente, mais feliz.
Como eu sou por fazer parte de sua vida.
Obrigado, meu filho.
Por tudo!
Te amo.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Condenação de Lula não o torna culpado

                                                                                                                                                             

Uma condenação judicial pode fazer do inocente, mártir.  

Jamais, culpado.

domingo, 2 de abril de 2017

Quando um juiz não é Magistrado


Magistrado é aquele que, intimamente convencido, independente de forças externas ao processo que exijam a condenação, absolve ainda que colidindo com a vontade dessa maioria; e, igualmente condena, ainda que todos clamem pela absolvição de um réu, fundamentando sua decisão, em ambos os casos, de forma trasnparente como a imagem que se vê através de um espelho de cristal. Não fazendo dessa forma, é apenas alguém que ocupa uma das funções sociais mais importantes para a democracia, de forma ditatorial, pequena e arbitrária. Magistrado é aquele que se tiver que colocar condenados em liberdade, quando a prisão não apresenta condições mínimas para a execução da pena com dignidade humana, não teme fazê-lo diante da opinião pública ou midiática. Já aconteceu isso algumas vezes no Brasil. Sem advogados não existe democracia, é correto. Mas sem magistrados, ela nem nasce, e, se nascer, morre ao primeiro suspiro. No Brasil, regra geral, quando a mídia aponta para um juiz, ele é magistrado é a está contrariando. Quando não é, é Moro.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Castigo


Castigo


Ocupas minha memória
em retalhos
que vou recolhendo
enquanto costuro uma história
eterna e inacabada,
que tem alicerce no nada,
para desembocar em sonhos
que levam
a lugar nenhum.

Te dei todo amor que eu tinha.
Tu, não tinhas nada.


Teu castigo não é ser vazia!

É o nunca ter sentido
amor algum...


Rio, 1 de Janeiro de 2017.


(Primeira visita do ano)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016, Ano Macunaíma

Ano Macunaíma


Ouvi gente maldizer as horas do tempo desse ano que se despede deixando marcas nas praças e nas gentes, como fosse ele amaldiçoado, um pária, despojado até do direito de ter passado, de ser lembrado.  

-"Ano macunaíma, sonso e cretino assim, nem deveria ter existido", ouvi numa esquina, de duas mulheres vestindo camisetas verde-amarelas.

Realmente 2016 foi um ano ladeira abaixo para a maioria: os pobres, os banidos, os excluídos, as minorias que fazem parte dessa maioria de despossuídos de direitos que formam a grande base da pirâmide: a massa.

A bandeira da luta de séculos em busca de alguma justiça e igualdade social não resistiu desfraldada muito tempo; pouco mais de uma década e, durante ela, não passou uma semana inteira sem que sofresse atentados.

Uma, duas vezes, três vezes!  Mas, quatro vezes era insuportável.  Que negócio é esse de sairem da senzala? do jugo?  Que papo é esse de  invadirem meu shopping? 

Minha praia vá lá, água e areia tem mesmo pra todo mundo, e rock é mesmo pervertido.  Mas meu aeroporto?  Aí tá de sacanagem!  

Ver aquela gentalha infestando aeronaves como baratas, ouvir aquele dialeto tipo "o probrema é o seguinte", "casca uma laranjinha pra nóis aí, meu", "num vai tê armoço não?,  "Ih!  o largato tava uma delícia!", na poltrona ao lado, é foda.  

Não deu para uma minoria seleta aguentar mais quatro anos de governo progressista.

Então, o que fazer?

Simples, a receita tradicional. 

Corrupção, governo corrupto, mar-de-lama, governo incompetente, comunistas, e a mídia, o martelo da mídia agora mais sofisticado.  Prensas quase aposentadas e a nova vedete, a TV!

Com ela entrando na vida de 90 milhões de famílias todos os dias, quatro vezes por dia, é mole!  

Basta repetir a arenga.  Deu certo com Getulio, deu certo com Jango, quase deu certo com Lula, porque não daria certo com uma mulher?  E deu certo.  Não por ela ser mulher, mais pelo imenso investimento na covardia...  Dilma é guerreira,  não se deixa abater.

Foi como em Hamelin, a flauta eletrônica foi eficaz!

A classe média, que historicamente odeia a classe dominante tanto quanto explora e odeia as classes abaixo dela, foi o alvo.  

A TV dava a senha, tatatatá: e o domingo na orla tinha mais um programa antes das geladinhas na areia: gritar fora Dilma!  

Chovia pato!

Pior que a classe média estava hipertrofiada pelos nela recém ingressados - que agora perceberam o engodo -  e nossa velha política não se fez de rogada: de uma tacada, menos de 500 deles invalidaram mais de 54 milhões de votos.

Tiraram Dilma, eleita democraticamente, e, em em seu lugar, colocaram uma quadrilha, como agora todos já sabem, liderada por Temer, o traidor.

Aí vem o golpe que antecede o golpe final: os políticos passaram a legislar contra o povo; contra os que elegeram Dilma e contra os que apoiaram o golpe.  

E assim o projeto vencido nas urnas passou a ser votado e aprovado pelos mesmos políticos que se negavam a votar e aprovar os projetos que favoreceriam o trabalhador e o povo brasileiro, quando Dilma os apresentava.

Só que a dose foi muito forte e eles perderam o controle além do juízo, e tal como um trem desgovernado o ovo-da-serpente chamado Lavajato acabou detonando a economia de forma estrutural.

O que era para ficar em  círculo coordenado e predeterminado se tornou um Orós e grandes empresas brasileiras foram desmoronando, e a economia, que é como a engrenagem de um relógio suíço, desandou junto, e o tal rombo que a corrupção fez na Petrobras se tornou gorjeta perto  do rombo que a lavajato provocou em nossas mais lucrativas empresas e na economia nacional.

Como consequência,  número de  desempregados atingiu 12,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro último, número 33,1% maior do que o mesmo trimestre do ano passado; e  vai piorar em 2017.

Aposentaram a aposentadoria.  Silêncio nas panelas...

Ou seja, o golpe saiu inúmeras vezes mais prejudicial que a corrupção que, como sabemos, não vai acabar.

O golpe esta em movimento.  Depois que Temer fizer a parte que lhe cabe será descartado.  Igualzinho aos paneleiros de minha rua e aos patinhos que idolatraram a FIESP. 

Risível.

Mas apesar de tudo não vejo 2016 como um ano perdido. Coisas maravilhosas aconteceram nele, e outras, tão maravilhosas quanto, foram preservadas.  

Entre elas a vida, a esperança, a capacidade de sonhar, de crer, de lutar e prosseguir devem permanecer intactas.  

Perdemos uma luta, companheir@s, mas lutar faz parte da vida de quem tem como objetivo mudar as coisas.  A luta mantém vivo.  

Não sou peixe morto que só nada a favor da maré.

Desembarcarei de 2016 mais experiente, mais forte;  viver sempre fortalece.

E embarcarei em 2017 cheio de esperança, sonhos,  e vontade de realizá-los.

A conversa que relatei no inicio, foi de duas mulheres de bem que estavam horrorizadas com as mudanças na aposentadoria.

Lembro tê-las visto comemorando a saída de Dilma...

Feliz ano novo para tod@s!!

E, #ForaTemer!
  

domingo, 4 de dezembro de 2016

Viver é se aventurar

Juliana​, minha querida.  Espero te encontrar feliz hoje; espero te encontrar feliz sempre, todas as vezes, em todos os dias de tua vida.   Dizem por aí que isso não é possível, com certa razão.  A felicidade permanente seria um tédio e faria da vida um saco, uma coisa sem sentido, né? Tipo desmotivante.  Imagina só milhões de copas d'água, uma cachoeira de águas geladas na nossa frente, e a gente sem a menor sede, sem qualquer vontade de beber coisa alguma.  Aff!  Não dá.  Por outro lado, imagine uma vida em que todos os nossos desejos, inclusive aqueles mais íntimos, se realizassem imediatamente...  Assim, de repente, parece uma coisa maravilhosa.  Mas com o tempo, um vazio imenso, um tédio massacrante  viriam nos abalar.  A certeza da realização imediata de todos os nossos anseios mataria a expectativa e ela é fundamental para a felicidade.  Sabe aquela espera de que algo aconteça, aquela pessoa apareça, ou a chuva caia?  Pois é, não existiria.  As manhãs perderiam o encanto, as tardes de domingo deixariam de ser bucólicas, as noites de plenilúnio não mais teriam graça, e até o amor, e mesmo as dores do amor, perderiam o feitiço.  Seria uma vida despossuída da palavra conquista e, quando isso acontece, os despossuídos somos nós.  Nada teria aventura pois a aventura é a materialização do resultado de nossa luta e, como a luta se tornaria desnecessária, com o tempo encararíamos todas as coisas como se fossem esmolas e nós, bem, nós, querida Ju, não passaríamos de pedintes  aos olhos da Vida e, a Vida, miserável aos nossos olhos.  E sabes disto. Não à toa braços dados com a Aventura foi perseguir teus sonhos, forjar tuas expectativas, garimpar tuas manhãs e teus amanhãs, nessa campanha ultramar planejada por teus anseios, por tuas expectativas,  e o pouco,  ou o muito, conquistado com nossa luta é sempre compensador.  Tudo passa a ter um pouquinho do nós, a marca de nossa alma, e fica impregnado com nossas alegrias e tristezas, passando a ser parte integrante daquilo que nos tornamos em nossa caminhada, e ninguém fica menor por dentro do que estava quando deu o primeiro passo, lá atrás no tempo, no tempo em que tudo começou.  Se é assim então porque iniciei dizendo que esperava te encontrar feliz hoje?  Exatamente por isso!  Por ser a vida como uma montanha-russa para os que de fato se lançam nessa fantástica aventura que é viver, viver mesmo, como fazes, não esperar a banda passar,  cavalgar o cavalo em pelo, domar as tempestades, beber as lágrimas, mergulhar fundo, apneia pura, e aflorar de novo à superfície com o sorriso largo de quem jamais será vencida, por ter a seu lado, em toda luta, justamente a felicidade que se chama viver.  Bom dia. Te amo.  Um beijo.

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...