quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ponte Ditador Costa e Silva

O Congresso Nacional, aprovou quinta-feira, 21/11, o Projeto de Resolução 4/2013, que anula a sessão de 1964 na qual foi declarada vaga a Presidência da República, então ocupada por João Goulart (1919-1976). A sessão anulada, foi presidida pelo presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, tendo ocorrido "na madrugada de 1° para 2 de abril, quando Jango se encontrava no Rio Grande do Sul, e abriu caminho para a instalação do regime militar, que durou até 1985". 

Segundo os autores do projeto, os senadores Simon e Randolfe Rodrigues "a declaração de vacância da Presidência foi inconstitucional, porque a perda do cargo só se daria em caso de viagem internacional sem autorização do Congresso, e o presidente João Goulart se encontrava em local conhecido e dentro do país".

Quando findar esse processo legislativo, parte da história estará sendo retificada em nome da verdade.  Importante frisar que todos os presidentes militares que sucederam ao cargo após a sessão anulada, deverão perder esse título, por vício na origem.  

E, nos livros de História que nossa crianças lerão nas escolas daqui para frente, cada um  daqueles "presidentes" deverá passar a ostentar o verdadeiro título que lhe cabe na história: ditador!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Genoíno: Se eu morrer aqui, o povo livre saberá apontar os meus algozes"

Miruna Genoino: “Peço que a sociedade se informe sobre meu pai”


No começo da tarde de domingo, fui procurado por amigos da família de José Genoino. Pediram-me ajuda para divulgar um drama humanitário que vai se formando por ação da prisão intempestiva dos réus do julgamento do mensalão.
A família do ex-presidente do PT teme por sua vida e, conforme matéria do jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog, um laudo médico apoia tal temor.
De posse dos telefones de Rioko e Miruna – respectivamente, esposa e filha de Genoino – escolho a filha, julgando que estaria, talvez, menos abalada do que a mãe. Ledo engano. Estava muito abalada, mas, assim mesmo, falou sobre a saúde do pai e mandou um recado à sociedade.
Miruna conversou comigo aos prantos, arrastando-me para o seu estado de espírito, o que me fez terminar a entrevista igualmente abalado. Mas falou muito bem. A professora paulista de 32 anos é uma moça de mente ágil e, apesar da emoção, conseguiu exprimir com clareza do que seu pai, sua família e seus amigos mais precisam neste momento.
Segue, abaixo, a transcrição da entrevista com Miruna Genoino.
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Blog da Cidadania – A imprensa está repercutindo o estado de saúde do seu pai, de que seria delicado e ele não estaria sendo mantido em boas condições, o que poderia gerar risco para a saúde dele. O que você pode dizer sobre isso?
Miruna Genoino – No dia 24 de julho, meu pai contraiu a doença mais grave da cardiologia, uma dissecção da aorta, e teve que sofrer uma cirurgia de 8 horas, da qual tinha 10% de chance de sobreviver, mas ele sobreviveu porque é um guerreiro. Em seguida, porém, ele sofreu um micro AVC.
Meu pai está tomando cinco medicamentos diferentes em dois horários do dia. Até então, ele não tinha entrado em nenhum avião. O voo o fez passar mal, talvez a pressão da cabine.  A médica que o acompanha nos informou que alguém que passou por tudo isso não poderia estar sendo submetido a tal pressão. Meu pai deveria ser hospitalizado.
Ele viajou ontem de manhã a Brasília e às duas horas da manhã deste domingo ainda não estava acomodado.
Estamos com uma grande preocupação com a saúde dele; é a nossa maior preocupação, agora. A nossa luta é para provar a inocência do meu pai, mas, neste momento, a grande preocupação é com a saúde dele.
Blog da Cidadania – Como está o emocional da sua família?
Miruna Genoino – A gente está num momento muito, muito difícil. O meu pai, antes de sair de casa para ser preso, nos disse que já tinha ficado confinado muito tempo em cela forte [durante a ditadura] e que estava preparado para isso.
Ele tem dois netos, os meus filhos, e eles estão muito assustados…
Blog da Cidadania – As crianças estão com vocês aí em Brasília?
Miruna Genoino – Eles ficaram em São Paulo.
Mas ele ter sido transferido para Brasília ainda nos causa um transtorno emocional ainda maior, porque a gente tem que ficar longe das crianças…
[Miruna chora]
É muito complicado o nosso estado emocional…
Blog da Cidadania – Miruna, você está abalada com tudo isso e, assim, não gostaria de prolongar esta entrevista. Mas como sabemos que você, com suas declarações, está ajudando a que as pessoas entendam que há seres humanos por trás de toda essa história, concluo perguntando o que a família de José Genoino tem a dizer à sociedade.
Miruna Genoino – Pedimos que a sociedade se informe. Qualquer pessoa que se informar de verdade, que não assumir o discurso da Rede Globo, do jornal Folha de São Paulo, da revista Veja, de todos os grandes meios, ela vai saber que a única coisa que meu pai fez nesta vida foi colocar acima de tudo o ideal dele por justiça social…
[Miruna volta a chorar]
Ele saiu do sertão do Ceará para tentar melhorar a vida das pessoas. E a vida inteira ele se sacrificou em todos os sentidos porque essa sempre foi a única luta dele. Então, se as pessoas se informarem todo mundo vai saber o homem que ele é…
[Chora de novo]
Eu só peço isso….
[O pranto aumenta]
Que não assumam…  O discurso… Dessa mídia… Que procurem saber a verdade, ouvir o outro lado, o que meu pai tem a dizer…
(…)
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Percebi, nesse ponto da conversa, que só me cabia deixar a família com sua dor e, em vez de continuar chorando do lado de cá enquanto essa menina da idade da minha filha maior chorava do lado de lá, vir escrever o clamor emocionado dessa família, que pode perder aquele que tanto ama.
Concluo, pois, exortando as autoridades judiciárias a que respeitem o direito, apenas o direito de Genoino. Não pedimos, os parentes, amigos e até os admiradores dele que tenha regalias que ultrapassem os limites da lei, mas que não seja retaliado. Ele tem direito de receber cuidados médicos como qualquer cidadão privado de liberdade.
Genoino deveria estar num hospital. Levem-no para lá. Quem lhe nega esse direito a um tratamento digno responderá pelo que vier a lhe acontecer. Essa é a promessa de muitos que não se deixaram enganar pelos inimigos dele e que estarão muito atentos a cada minuto da vida desse homem, a partir de agora.

Fonte: Blog da Cidadania

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

De crianças, navegantes e mar

"Bom dia, venci!" Esse é o brado que sinto vontade de dar nesse momento, mas o que é vitória e o que é derrota no campo do tempo e da vida, se nascemos tendo no corpo escrito um endereço certo, chão?

No que diz respeito a vida em si, quando é ela que está em jogo, o "máximo" que temos são vitórias em batalhas temporárias nas quais recuperamos um período ou prorrogamos o tempo que nos seria arrebatado. Parece pouco, mas não é; indague ao moribundo ou ao sentenciado a morte.

O que tento dizer Dostoiévski deixou muito claro em sua obra "Recordação da Casa dos Mortos", quando relata sua condenação a morte por divulgar idéias revolucionárias em seus debates e o exato momento da execução da sentença, com o pelotão de fuzilamento em forma, no instante em que o comandante lhe dá os cinco minutos que pedira para refletir. Logo depois a sentença seria comutada, era uma farsa que ele desconhecia, e seria enviado para a Sibéria.

Naquela hora em que soube que não seria fuzilado, de que não morreria - pelo menos não naquele momento - se sentiu inebriado, já que, minutos antes, odiara ter perdido tanto tempo tentando modificar as coisas ao invés de viver; também se sentiu inebriado, provavelmente, por não imaginar o inferno que viveria na prisão siberiana onde passaria seus próximos quatro anos.

No entanto, Dostoiévski tinha razão por se sentir inebriado. Ninguém vence o tempo e a morte e o máximo que conseguimos entre um momento e outro do embarcar e desembarcar na estação da Vida, são as vitórias em pequenas ou grandes batalhas, os tempos de felicidade, os amores e esperanças vividas, as chegadas e despedidas, a alegria e a coragem com que nos lançamos ao mar, e o que aprendemos e vamos transmitindo ao longo dessa viagem.

Alguns preferem encontrar um porto nesse mar, outros preferem ter às mãos sua própria âncora para não dependerem do cais. Não há erro na escolha, apenas opção. Mas tanto uns quanto outros conhecem a máxima do poeta: -"Navegar é preciso!"

Para navegar, não se pode temer as tempestades nem os monstros marinhos e o velho navegante sabia disso. Mas se o terror do navegante são as tempestades, sua maior alegria é sentir os raios do sol no corpo após cada uma delas.

É assim, sempre foi assim e continuará sendo assim na vida de cada um de nós. Afinal, o que é que nós faz chorar hoje senão aquilo que nos fazia sorrir ontem, e o que nós faz sorrir hoje senão aquilo que nos tornará tristes amanhã? O nascimento e a morte, o casamento e a separação, provam isso. Mas não é nem em um nem em outro momento que podemos viver nossas maiores alegrias nem nossas tristezas mais profundas. Só existe um tempo possível, que é o agora, o hoje, o já. Daí a importância de vivermos bem cada instante presente.

Muita gente, eu mesmo muitas vezes, esquece de dizer "te amo" para as pessoas amadas, deixando isso "para depois"; é curioso, pois não temos qualquer certeza quanto a esse "depois"... É sempre melhor dizer logo, na hora, e de preferência sempre; até porque o sempre é tão incerto e volátil quanto o nunca.

Como navegante me sinto um velho marujo que o sal e o sol desenharam a face e a alma. O navegante sente medo, não é um intimorato como pensam alguns: apenas tem a coragem um pouquinho maior que o medo.

Mas esse velho marujo tem a alma canina, tem alma criança, que esquece fácil as coisas ruins vividas e se surpreende sempre com cada amanhecer.

Hoje é uma nova manhã em minha vida. Acabo de vencer mais uma batalha.

Nunca vencerei a guerra. Mas lutarei todas as batalhas e viverei todos os momentos da Vida.

Bom dia a todos!

Rio de Janeiro, 14 de novembro de 2013.

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...