quarta-feira, 30 de abril de 2008

ASSINE O MANIFESTO RIO DE PAZ


Assine aqui o Manifesto Rio de Paz pela Redução de Homicídios



“Para que o mal triunfe, é necessário apenas que os homens de bem permaneçam inativos.” - Edmund Burke



A violência é o problema social mais grave do nosso país. Nos últimos dez anos 500.000 brasileiros foram vítimas de homicídio. Entre 1991 e novembro de 2007 foram assassinados 115.999 cidadãos somente no Estado do Rio de Janeiro, segundo dados oficiais. Cerca de 80% destas vítimas tiveram a vida interrompida na região metropolitana do Rio; a maioria esmagadora dos mortos era de moradores de comunidades pobres das Zonas Norte e Oeste da capital e Baixada Fluminense. Agravando muito este quadro, não se sabe quantos dos mais de 4.000 desaparecidos deste ano também terão sido assassinados. São números inaceitáveis. Representam o colapso do pacto social no seu item mais fundamental, o direito à vida. Nós, cidadãos brasileiros, reconhecemos o erro de havermos permanecido calados. Temos visto milhares de pessoas serem mortas pelo crime e não temos oferecido a devida e necessária resistência.

Sendo assim, entendemos que não basta culpar o Poder Público, os bandidos, ou aguardar que essa mortalidade obscena seja reduzida com o correr do tempo e as atividades dos mesmos. O país agora, mais do que nunca, carece da mobilização de todos nós, homens e mulheres que reconhecem o valor incalculável da vida humana. Precisamos nos unir às autoridades, cidadãos de todas as origens e histórias, a fim de contribuir para a maior conquista social de toda a sua história: a vitória da vida sobre a morte.

O Rio de Paz, após ouvir as principais autoridades em segurança pública do nosso estado, e vários especialistas, por meio deste manifesto apresenta as principais medidas necessárias à segurança pública, para que em 2008 comecemos a experimentar uma redução expressiva no número de homicídios. Não aceitamos - em hipótese alguma – o argumento derrotista de que não há o que fazer para que o enorme número de homicídios de 2007 não se repita em 2008.

Medidas principais:

1. Estabelecer como prioridade central das políticas de segurança a redução dos crimes letais, estabelecendo metas e compromissos que restaurem a autoridade da lei.

2. Determinar metas de redução de mortes durante operações policiais, de forma a preservar a vida de policiais, moradores e transeuntes.

3. Reforçar o policiamento ostensivo em áreas de maior incidência de homicídios, especialmente em comunidades carentes.

4. Redefinir e controlar a metodologia de intervenção policial em comunidades carentes; adotar policiamento de tipo comunitário, prevenindo conflitos locais, reprimindo o uso indiscriminado de armas de fogo, reduzindo balas perdidas.

5. Priorizar a juventude, integrando definitivamente as políticas de segurança pública às demais: educação, planejamento familiar, lazer, saúde e geração de trabalho e renda; promover ações de interação positiva entre as polícias e as comunidades, particularmente com crianças e jovens.

6. Priorizar a investigação dos crimes de morte e do uso de armas e munições ilegais, a fim de que a aplicação das sanções da lei seja imediata e possa ser útil para dissuadir a prática do crime.

7. Monitorar a utilização de armas e de munição por unidades de polícia, e por policial. Aperfeiçoar o controle de estoques nas unidades.

8. Qualificar permanente e adequadamente toda a força policial; utilizar também profissionais de fora das corporações, em universidades, para capacitar os instrutores policiais, de forma que sejam trocados métodos, idéias e informações amplas e atualizadas.

9. Elevar o piso salarial dos policiais civis e militares, tornando-o um valor compatível com a importância social desses profissionais e com os riscos que enfrentam.

10. Ampliar programas de apoio à segurança e a seguridade social dos policiais e de suas famílias.

11. Reforçar as Corregedorias e Ouvidorias policiais, garantindo-lhes recursos e independência em relação às chefias de polícia, ao corporativismo e a pressões políticas.

12. Atualizar os dados da violência apresentados pelo Instituto de Segurança Pública, para incluir os dados das chamadas delegacias tradicionais, que devem ser urgentemente informatizadas.

13. Tratar a dependência química de drogas como problema de saúde pública; realizar um amplo e permanente trabalho de conscientização e desestímulo ao uso de drogas.

14. Reivindicar que todas as esferas do governo cumpram o seu papel no combate à violência, disponibilizando recursos para a segurança pública e fiscalizando eficazmente as fronteiras para impedir a entrada de drogas, armas e mercadorias contrabandeadas.

15. Construir estabelecimentos prisionais diferenciados segundo a periculosidade dos presos e proporcionar condições dignas de custódia a todos eles.



Assine clicando aqui.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A GUERRA NOS GUETOS DO RIO DE JANEIRO


Moradores da Penha se refugiam em clima de guerra

Violência limita a liberdade mesmo de quem vive longe da favela.

Procissão de São Jorge reuniu grupos pedindo paz pelo bairro.

As preces para São Jorge, o santo guerreiro, no fim da tarde da quarta-feira (23), foram o alento de paz para os moradores da Penha, no subúrbio do Rio. Pela manhã, em vez de fogos comemorativos, ouviam-se tiros. Mais tarde um caminhão reboque, cercado pelo blindado do Batalhão de Operações Especiais (Bope), apreendeu 10 motos, supostamente usadas por traficantes, na Vila Cruzeiro, onde na última semana os confrontos entre criminosos e policiais deixaram 15 mortos – um deles, nesta tarde – e sete feridos.

Personagem compulsório desse conflito, o comerciante Carlos Alberto Martins, 53 anos, acordou às 6h30, mas só saiu de casa por volta do meio-dia. "Fico esperando a movimentação dos vizinhos, para saber se está tudo bem", disse, abrindo o portão, mas, sem antes olhar para os extremos da rua.

Morando a cerca de 300 metros da favela, nem mesmo numa casa considerada uma das mais seguras do bairro Carlos Alberto se sente totalmente protegido. "Os disparos de fuzil chegam até aqui", garante.

Ele segue pela Avenida Engenheiro Francisco Passos e pára para cumprimentar os amigos num quiosque onde prepara-se um churrasco. O assunto é futebol e... violência.

Entre uma conversa e outra , descontraídos, de repente um silêncio no grupo: o blindado, conhecido como "caveirão" do Bope, cruza a esquina. Segue em direção à favela. Ouvem-se estouros de fogos, no alto do morro.

Não há mais animação para continuar o bate-papo regado com carne e cerveja. Às 13h05, o blindado acompanha o caminhão na favela. Mais tiros. Os veículos militares descem com 10 motos apreendidas que são levadas para o pátio do 16º BPM (Olaria).


Às 16h40, duas ambulâncias do Grupamento de Socorro de Emergência (GSE) do Corpo de Bombeiros saem do quartel da Penha e seguem para o morro. Retornam, minutos depois, sem que ninguém confirme o resgate de feridos.

São 18h, e os fogos iluminam a Igreja da Penha. Na Rua Darcy Bitencourt Costa, ao lado do batalhão de Olaria, aproximadamente 150 devotos de São Jorge iniciam a procissão. No meio da multidão, rezando, concentrados, o comerciante Carlos Alberto, a mulher, e a filha de 12 anos.



Homem morre durante tiroteio

Um homem morreu no Hospital Getúlio Vargas (HGV) na tarde desta quarta-feira (23) e, segundo a sala de polícia da unidade, ele foi atingido na Vila Cruzeiro. De acordo com os policiais, ele seria criminoso e não foi identificado.


A polícia realiza operações nas favelas da região desde o último dia 15. Neste período, 15 pessoas morreram e sete ficaram feridas em tiroteios entre policiais e traficantes.

A contabilidade desde maio do ano passado é ainda mais assustadora. São 232 mortos e 790 feridos desde o início de uma operação na Vila Cruzeiro e no vizinho conjunto de favelas do Alemão, por conta da morte de dois policiais. Os dados são da Secretaria estadual de Saúde, baseados nos atendimentos do HGV a vítimas de arma de fogo.


Fonte: G1

SÃO JORGE X MILÍCIA

O Santo Guerreiro contra o dragão da milícia.






Padre que denunciou ação de milicianos cobra ação da polícia e compara malfeitores ao inimigo derrotado por São Jorge.





Rio - A homilia da missa de comemoração ao Dia de São Jorge, na Igreja de Quintino, teve tom de protesto. Durante a explicação do Evangelho, o pároco Marcelino Modelski, 41 anos — que ontem denunciou com exclusividade a O DIA que a milícia cobra taxa das barraquinhas no entorno da paróquia —, comparou os milicianos ao dragão morto pelo Santo Guerreiro e cobrou uma atitude do poder público.



“O dragão tirava o sangue dos outros. É do mal. Quem rouba, mata e atua de forma opressiva é igual a ele. Os milicianos são dragões, fazem mal às pessoas. Temos que nos proteger”, afirmou Modelski, dirigindo-se às autoridades em uma área reservada do altar, entre elas a delegada Marta Rocha, da 12ª DP (Copacabana), o delegado José Otílio, da 28ª DP (Campinho), o comandante do 8º Grupamento de Bombeiros (Campinho), Márcio de Souza Magalhães, e o deputado estadual Paulo Ramos (PDT).


Fiéis lotam igrejas no Rio. Veja fotos




Pela manhã, o padre havia recebido dezenas de ligações de fiéis que comentaram a denúncia feita por ele. “Muitas pessoas me ligaram para falar sobre o assunto. Somente as autoridades e Nossa Senhora não me ligaram”, brincou Modelski. Enquanto as missas aconteciam, do lado de fora da igreja policiais militares e civis faziam a segurança dos fiéis.
O comandante do 9º BPM (Rocha Miranda), coronel Robson Batalha, circulava pelo local, mas não quis dar entrevista.
“Nossa esperança está nos governantes. Mas infelizmente eles não estão conseguindo nem matar um mosquito (referindo-se ao Aedes aegypti, o transmissor da dengue). Vamos rezar para que cuidem bem do nosso jardim”, disse o pároco, de frente para as autoridades.


SEGURANÇA PARTICULAR
A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa (Alerj) vai oferecer hoje segurança particular a Modelski. Como O DIA publicou ontem, o pároco confirmou denúncias feitas por barraqueiros instalados na Rua Clarimundo de Melo, no entorno da igreja, de que a tradicional festa do Santo Guerreiro, encerrada ontem, foi toda controlada pela milícia este ano. Com exceção das cinco barracas que funcionaram dentro da área da matriz, a maioria dos 100 donos de pontos de venda de artigos de São Jorge, comidas e bebidas típicas foi obrigada a pagar, diariamente, quantias que variaram de R$ 20 a R$ 50.
“A coragem do padre nos comove, mas estamos preocupados com sua segurança. Entendemos que ele precisa urgentemente de proteção policial, pois está correndo risco de vida. A violência nas comunidades onde esses grupos criminosos (milicianos) atuam no Rio é assustadora”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL), um dos integrantes da comissão. Modelski disse ontem que, a princípio, não deverá aceitar proteção especial. “Não recebi ameaça de morte. Vou me encontrar com os deputados da comissão para agradecer a preocupação com minha integridade física, mas não tenho medo de continuar denunciando esse bando opressor”, afirmou o padre.
Antes da última missa de ontem, às 18h, o padre informou a O DIA a intenção de se encontrar com o chefe dos milicianos. “Mandei o menino lá no bar, mas ele não estava. Vamos conversar”, disse ele, sem dar detalhes. “Não vou adiantar o teor”, completou, taxativo. Segundo o padre, o coronel Robson Batalha prometeu tomar providências. “A Polícia Civil está ciente”, acrescentou o religioso.


Dom Eusébio exige ação da polícia
O assessor de imprensa da Arquidiocese do Rio, Adionel Carlos, informou que o cardeal-arcebispo do Rio, Dom Eusébio Oscar Scheid, procurado pela equipe de reportagem de O DIA, não comentaria o assunto. Mas, “chocado com o escândalo”, o cardeal exige “providências cabíveis e urgentes à polícia”. Também procurado pela reportagem, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, informou, através da assessoria de imprensa, que não daria declarações, afirmando apenas que mais de 150 inquéritos sobre a atuação de milícias no Rio estão em andamento, com “investigações rigorosas”.



O deputado Jorge Babu (PT), autor da lei que estendeu o feriado de São Jorge para todo o estado, disse que vê com preocupação a atuação de milicianos em Quintino. “Esses grupos só atuam onde não há a presença do poder público”, criticou o parlamentar.


Assessores do vereador Sebastião Ferraz (PMDB) explicaram que a ambulância LCU-3569, em frente à matriz, teve o nome do parlamentar coberto por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).


Multidão espera pela alvorada
Uma multidão lotou ontem a Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, na Praça da República, no Centro, para assistir à tradicional alvorada, às 5h. No início da madrugada a enorme fila para entrar no templo já se aproximava da entrada principal do Campo de Santana, na Av. Presidente Vargas. Devoto e autor de várias canções que exaltam o santo guerreiro, o cantor Jorge Benjor chegou cedo, às 3h30, para fazer um pedido especial: ele orou pela erradicação da dengue e pelo fim da violência no Rio. “Espero que São Jorge levante a sua espada mágica para dar um fim à violência e a essa doença terrível que está assolando o nosso Rio de Janeiro”, pediu o artista, que ajudou a distribuir lembranças.

COBRANÇA ESPANTA BARRAQUEIROS
Barraqueiros que trabalharam vendendo artigos religiosos na festa de São Jorge, em Quintino, contaram a O DIA que o pagamento da taxa exigida pelos milicianos seria feito após a procissão, às 16h. “Eles disseram que passariam aqui no início da noite para pegar o dinheiro. Não tem outro jeito. Infelizmente temos de pagar. Pela manhã, dei R$ 20, valor cobrado pelo tamanho da minha barraca. Mais tarde terei que pagar novamente a taxa”, contou um vendedor, que não quis se identificar.
O número de barracas na Rua Clarimundo de Melo foi menor do que nos últimos anos. Segundo um vendedor, o medo espantou os barraqueiros: “É possível ver um monte de espaço vazio entre uma barraca e outra. Isso nunca aconteceu. Era uma disputa muito grande para se instalar aqui. Este ano muita gente ficou com medo e deixou de trabalhar”.




Com a carteira de trabalho e a foto 3x4 de uma mulher nas mãos, Eraldo Reis, 46, há mais de 30 anos devoto do santo, pedia um emprego e sua ex-mulher de volta. “Vacilei muito com ela. Tinha ciúme demais. Me arrependi e hoje quero viver com ela novamente. Infelizmente cheguei a agredi-la. Era viciado em drogas. Ela é o grande amor da minha vida”, contou Eraldo, sem segurar as lágrimas ao falar da enfermeira Regina Cândido de Carvalho, de quem se separou há cinco anos.
A diarista Graça Maria Pereira da Silva, 48, agradeceu pelo sucesso de cirurgia há quatro anos para retirada de mioma no útero. “Peço força para continuar vivendo”, disse Graça, em frente ao altar.
No Largo do Bodegão, em Santa Cruz, mais de 4 mil cavaleiros participaram da procissão. A festa, que acontece desde 1963, reuniu cerca de 20 mil pessoas.




Élcio Braga, Francisco Édson Alves e Jorge Carrasco. O DIA.


sábado, 19 de abril de 2008

DIA DO ÍNDIO


Hoje é o Dia do Índio.


Não temos muito a comemorar. Aliás, apenas eles têm alguma coisa a comemorar no Brasil: não terem sido, ainda, extintos. No mais é dor mesmo. Quinhentos anos de ignomínia, humilhação, chacina, isso foi tudo que demos a eles nesse tempo, cara-pálida. E continuamos dando.

O generalíssimo Augusto Heleno, não desmerecendo o nome imperial, afirmou no dia 16 próximo passado que nós “estamos cada vez mais aumentando a extensão das terras indígenas na faixa de fronteira e caminhando numa direção que me preocupa. Pode não ser uma ameaça iminente, mas ela merece ser discutida e aprofundada", e completou:

" -Poderão representar um risco para a soberania nacional".

A preocupação se dá em razão da “segurança nacional” e não em função da segurança de mais uma ou mais nação indígena em risco, que, à luz do direito e da razão, são as legítimas donas da terra que nós, caras-pálidas chacinadores, alcunhamos de Brasil. Brasil para eles é sinônimo de brasil mesmo, brasa acesa em que assamos seus sonhos assim como o fizemos com a maior parte de sua cultura e esperança.

Há um cálculo não confirmado que existem hoje, em terras usurpadas por nós, cerca de seiscentos mil índios. O IBGE afiança que cerca de pouco mais de setecentos mil se declararam índios no último censo. Há também um cálculo estimativo de que cerca de mil nações indígenas, contando entre dois e quatro milhões de indivíduos, viviam nesse paraíso quando os europeus trouxeram para cá Anhangüera, fazendo tudo isso virar um inferno para eles. Não, não é um erro histórico construído pela traição de minha memória. Não falo de Bartolomeu Bueno da Silva, que deles recebeu esse apelido nos idos de 1680. Falo do diabo mesmo, vez que Anhanguera ou Anhangá, era como se chamava o coisa-ruim para os índios. Anhangabaú em São Paulo, o rio, assim foi chamado graças ao nosso relacionamento com eles: anhangá+bá (malefício do diabo)+y (água, rio): "rio do(s malefícios do) diabo". As margens desse rio eram povoadas de gente ruim como o diabo. Essa gente? Nós, cara-pálida. Daí o nome...

Não penso que daremos um aporá para eles. Não. Nunca devolveremos o que tomamos. Mas que deixemos de turbar sua paz, que demarquemos um pouco do que roubamos de seus ancestrais, que não só a reserva Raposa Serra do Sol seja demarcada e realmente preservada para seus legítimos donos dela usufruírem, mas também todas as outras.

Coisa-ruim, assombração, isso é o que sempre fomos e somos na vida do índio. O que demos a eles em toca do que tomamos (suas terras, seus filhos, sua cultura), foi a morte, a intolerância em forma de genocídio.

Ah!, e o Dia do Índio.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

ESSE É O RESULTADO DA CÍNICA OMISSÃO SOCIAL






Um adolescente é morto e uma idosa é ferida por bala perdida





Um adolescente de 15 anos foi morto e uma mulher foi ferida por uma bala perdida, na tarde desta quinta-feira, na Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio. Djanira Sacramento, de 65 anos, foi atingida por um tiro na mão esquerda. A idosa foi internada no Hospital Estadual Getúlio Vargas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, Djanira está sendo examinada. O garoto foi baleado em um confronto entre bandidos e policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar. O jovem morreu antes de ser socorrido. No local do confronto, os policiais apreenderam duas motocicletas e um carro roubados, além de uma quantidade de droga ainda não especificada pela polícia. Foi o terceiro dia de ocupação da Vila Cruzeiro, e após uma manhã tranqüila, durante a tarde a polícia voltou a trocar tiros com traficantes.



Cerca de 50 policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) que não dormiram na favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, no Subúrbio do Rio, se deslocaram para a comunidade, no início da manhã desta quinta-feira. Eles saíram da sede do batalhão, em Laranjeiras, para fazer o revezamento com os outros 50 policiais que dormiram na favela. O objetivo é manter a ocupação na comunidade, pelo terceiro dia consecutivo. Na terça-feira, uma operação para cumprir mandados de prisão e destruir barreiras montadas pelo tráfico terminou com dez mortos, sete feridos, entre eles um menino de 12 anos, e 14 presos .






Violência prejudica atendimento na tenda de hidratação



Cerca de 50 moradores e comerciantes da Vila Cruzeiro, fizeram na manhã desta quinta-feira uma manifestação na Avenida Nossa Senhora da Penha. O protesto era para pedir à Light que restabeleça o fornecimento de energia elétrica na comunidade. Segundo os manifestantes, eles estão sem luz há três dias. Oito transformadores foram queimados. Moradores e comerciantes esperam a presença de técnicos da Light no local. A empresa diz que parte do trabalho já foi feito, mas cerca de mil residências ainda estão sem luz. Segundo a Light, os técnicos precisam de segurança para realizar os trabalhos de reparo na comunidade.



Devido à operação da Polícia Militar no Complexo do Alemão o movimento na tenda de hidratação para pacientes com dengue no Parque Ary Barroso, ao lado do Hospital Getúlio Vargas, está reduzido. Na quarta, dezenas de pessoas que trabalhavam ou eram atendidas na tenda viveram momentos de pânico durante o confronto entre policiais e traficantes. Assustados, alguns médicos e enfermeiros que trabalham no local disseram que não retornariam ao trabalho.



Na quarta-feira, policiais do Bope e do 16º BPM (Olaria), trocaram tiros com traficantes da Cruzeiro para cumprir mandados de prisão contra traficantes da área, entre eles Alexander de Jesus Carlos, o Choque, e Fabiano Atanásio da Silva, o FB, acusados de controlar as bocas-de-fumo da área. O comandante do 1º Comando de Policiamento de Área (CPA), coronel Marcus Jardim, disse, em entrevista à Rádio CBN, que a operação também tinha o objetivo de atender a reclamações de moradores que denunciaram estarem sendo impedidos de buscar socorro para atendimentos aos casos suspeitos de dengue.



- "O primeiro objetivo da operação era atender a algumas pessoas que reclamaram da dificuldade de saírem de suas residências por barreiras e obstáculos físicos impostos pelo tráfico. Sabedora da existência dos marginais da lei que deixam intranqüila as populações de bem, nós realizamos a operação que teve resultado benéfico para a população" - disse o comandante.






Coronel explica polêmica: 'PM é o melhor inseticida contra a dengue'



Segundo Marcus Jardim, moradores denunciaram que obstáculos físicos e barreiras colocadas nas ruas por traficantes, impediam o livre acesso para transportar parentes com sintomas da doença.



Sobre a polêmica frase "A PM é o melhor inseticida contra a dengue. É o 'SBPM': não deixa nenhum mosquito em pé", dita pelo coronel após a operação de ontem, quando nove supostos bandidos foram mortos, seis pessoas ficaram feridas e 14 detidas, Marcus Jardim, explicou:



- Usei este jargão. Acho que temos de promover uma espécie de saneamento deste problema. A PM não entra na favela para matar ninguém, entramos para controlar a situação. Também tivemos policiais com algumas contusões, ontem. A PM está ali para defender. Se nove foram mortos é porque a batalha foi sangrenta e foi difícil. Temos de responder na mesma proporção que os criminosos. A ação é legal, é legitima e a corporação tem que atuar de acordo com os interesses da sociedade e a sociedade quer a polícia à frente dos acontecimentos. Acreditem na PM.



Segundo o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, houve um racha na quadrilha que domina o tráfico de drogas no Complexo do Alemão após o início das obras do PAC, do governo federal. Beltrame, no entanto, não especificou o que teria causado esse racha, e elogiou a operação. Na ação, foram apreendidos cinco pistolas 9mm, três fuzis do início do século 20, uma submetralhadora FMK-3 argentina, uma escopeta, cinco granadas e uma metralhadora .30, usada para atacar helicópteros da polícia, além de munição e drogas. Entre os presos, está um homem acusado de ser o braço direito do chefe do tráfico na região.







Fonte O GLOBO e G1









terça-feira, 15 de abril de 2008

CARTA AOS MEUS AMIGOS DE TRINCHEIRA II


Aos meus amigos de trincheira.



Tenho me ausentado bastante. Não gosto. Ninguém gosta de sair de sua trincheira durante um combate, e o nosso está longe de terminar.

Falo desse bom combate, pela Vida e ao lado da Vida. É uma grande guerra com muitas frentes de batalha. Não falo daquelas batalhas políticas, eleitorais, onde muitas vezes estamos ou estaremos em lados opostos. Aliás, dessa pouco participo. Nessas, lanço-me apenas nos tempos mais decisivos, depois de analisar cada candidato e ver o que cada um já fez para o povo e pelo povo. Então, somente aí, decido-me por quem lutar. Meu partido é o Povo. Apenas!

Fica muito evidente que minhas trincheiras não são muito comuns e, pelo que percebi ao longo do tempo, principalmente na grande rede, é que não são muito simpáticas também. Falo assim com a tranqüilidade de quem modera comunidades contra a violência, com quase oito mil membros, ou contra a tortura e contra a pena de morte, ambas na casa dos quase três mil membros, e não somo nem cem membros em comunidades que militam em favor dos direitos e da vida dos mais excluídos, como a que é Contra política de extermínio, em

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=47649513

ou contra grupos para militares no Rio de Janeiro ou em outros estados, como a comunidade Milícias as FARC do amanhã, em

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=45028353

que não tem nem quarenta participantes. Nesse último caso reputo ao medo, que é natural à condição humana, e somente é vencido quando somos o alvo, ou alguém a quem amamos é o alvo, como aconteceu a partir do momento em que a tortura e os assassinatos, durante o período do golpe de 64, começaram a atingir os filhos da classe média, à qual pertencemos aqui a maioria. Outro sinal da antipatia quanto às bandeiras que desfraldo é que poucos repassam minhas mensagens, embora digam respeito a mortes e torturas, e a supressão de direitos dos excluídos em nossos guetos e favelas. Fico como que em espanto, vez que para mim ser humano independe de classe social e luto por todos, incondicionalmente.

Mas, não foi sobre isso que vim falar. Vim para me desculpar dessas ausências. Todas se dão por razões inadiáveis, religiosas ou não, sendo que as primeiras muitas vezes me deixam dias, em algumas vezes semanas, imerso em outro mundo. Mas certamente, todas as minhas ausências são prementes e necessárias.

Assim, na certeza de que minhas desculpas serão compreendidas (não apenas aceitas, aceitação é diferente de compreensão), despeço-me rogando a Olorum que cubra em paz e proteção a vida de cada um de vocês e daqueles que têm seu amor.

Com meu carinho maior e minha saudade,

Paulo da Vida Athos.

Rio de Janeiro, aos quinze dias do mês de abril de 2008.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

POR SUA PRECE ALADA...


Por sua prece alada...


A cada um, a cada prece alada feita por seu coração amado por Deus e pela Vida, na intenção desse caminhante também por eles amado, quero aqui deixar o registro de meu grato coração.

Houve como que uma transferência do momento da graça - o que já é em si para mim, uma graça - para o dia 5 de maio que já acena no céu do temo. Trinta dias mais...

Para você, que dedicou sua prece, obrigado por cada instante que me dedicou.

Como tudo que tenho de mais importante e rico é meu amor e aqueles a quem amo através desse amor, saiba: em minhas preces de cada manhã e de cada pôr-do-sol, sua essência está inserida nelas.

Mesmo que eu não lembre que conheço você, minha alma imortal a reconhece em sua memória divina e lhe sorri agora, como o fará por toda a eternidade.

Um beijo em seu coração amigo...

Paulo da Vida Athos.

Meu filho

Tenho em minha vida o homem mais doce que existe, meu filho. Quem tem a felicidade de conhecê-lo, sabe disso. Um cara amigo, leal, com ...