Postagens

Mostrando postagens de Agosto, 2007

DITADURA MILICIANA

Imagem
Como nascem os anjos: Milícia seqüestra até crianças
RIO - A história de vida dos irmãos José (nome fictício), de 5 anos, e Davi (nome fictício), de 6, seria outra caso não estivessem abrigados na Casa Maternal Mello Mattos, no Jardim Botânico, desde agosto de 2005. A mãe perdeu o direito de criá-los, por deixá-los abandonados na rua. Se não fosse isso, as crianças teriam o mesmo destino dos outros três irmãos, que desapareceram no dia 15 de julho do ano passado. Eles foram seqüestrados por homens de uma milícia que expulsou os traficantes do Morro São José Operário, na Praça Seca. De acordo com dados que constam no Dossiê Criança e Adolescente, do Instituto de Segurança Pública (ISP), 635 crianças até 12 anos foram ameaçadas no Rio em 2006. No mesmo período, 20 crianças foram mortas pelo tráfico ou milícia na capital.

Família retirante A rotina de abandono e de miséria, na verdade, começou na década de 50, quando a família da mãe de José e Davi chegou ao Rio. Dona Severina (nome fictí…

A NOVA DITADURA V

Imagem
QUANDO O PASSADO SE ENCONTRA COM O PRESENTE
Na ação policial, no drama das famílias das vítimas, na música, no cinema e no teatro, tempos da ditadura lembram os atuais. As fotos em preto e branco da ditadura militar deixam a impressão de que a história foi colorida artificialmente. Passado e presente se encontram na estética da dor e da resistência. Para muitos observadores mais atentos, há no Caveirão da polícia o mesmo espírito do Brucutu, temido blindado das Forças Armadas que jorrava água contra os militantes. E semelhanças de objetivos entre as faixas da época, como “Abaixo a ditadura”, que viraram um símbolo nas ruas pós-golpe de 64, e os grafites que hoje levam para os muros protestos e pedidos de paz de moradores de favelas. Prática que foi cooptada pelo tráfico, que espalha siglas de facções criminosas pela cidade. Também são possíveis comparações entre as músicas dos anos de chumbo de ontem, muitas censuradas, e os funks e raps de movimentos hip hop de hoje. Para o sociólogo e …

LYDA MONTEIRO DA SILVA

Imagem
LYDA MONTEIRO DA SILVA
Nasceu em 5 de dezembro de 1920, em Niterói, Rio de Janeiro, filha de Luiz Monteiro da Silva e Ludovina Monteiro da Silva.Era casada e tinha um filho. Funcionária da Ordem dos Advogados do Brasil, onde ingressou em 1936, quando tinha apenas 16 anos. Por sua capacidade, chegou a ocupar o cargo de Diretora do Conselho Federal da OAB, no Rio de Janeiro.Morta aos 59 anos de idade no Rio de Janeiro, em 27 de agosto de 1980, durante o governo Figueiredo na chamada “Operação Cristal”, organizada por grupos extremistas de direita, pela explosão de uma carta bomba, às 14:00 horas, na sede da OAB/RJ. A carta era endereçada ao presidente da entidade, Eduardo Seabra Fagundes, do qual D. Lyda era secretária.O registro de ocorrência de n° 0853 da 3ª D.P. dá sua morte como “ato de sabotagem ou terrorismo” e informa que, na explosão, saiu ferido outro funcionário, José Ramiro dos Santos.D. Lyda veio a falecer no caminho para o Hospital Souza Aguiar. Seu óbito de n° 313 foi assin…

DEMOCRACIA NÃO SOBE O MORRO

Imagem
DEMOCRACIA NÃO SOBE O MORRO
Tráfico, milícia e polícia impõem regime de terror a 1,5 milhão de moradores de favelas do Rio, aonde ainda não chegaram os direitos garantidos pela Constituição.

O ano era 1985, dia 5 de janeiro. Desde o início da manhã, milhares de pessoas estão concentradas na Superquadra Sul 206, em Brasília, onde morava Tancredo Neves. Naquele dia, ele seria eleito pelo Colégio Eleitoral, com 480 votos, o primeiro presidente civil desde o golpe de 64. Manifestações de otimismo explodiam em todo país. Tancredo morreria três meses depois, mas o processo de redemocratização estava iniciado. Era o fim de um período de 21 anos de ditadura militar que suprimiu os direitos dos brasileiros. Vinte e dois anos depois, quase o mesmo tempo que duraram os anos de chumbo, pelo menos 1,5 milhão de moradores de favelas do Rio ainda vivem uma ditadura e têm seus direitos fundamentais violados por grupos armados do tráfico ou da milícia, ou são submetidos a todo tipo de desrespeito por pa…

A NOVA DITADURA IV

Imagem
SEM CORPO, UM CRIME SEM CASTIGOMãe até hoje luta para que polícia suba morro e ache cadáver da filha enterrado em cemitério clandestino
Assim como os ursinhos de pelúcia da jovem ainda enfeitam seu antigo quarto, a investigação sobre o desaparecimento de Taís Louise, de 18 anos, também não saiu do lugar.

Desde que a filha desapareceu no ano passado, a donadecasa Silvia, de 38 anos, vai, a cada 15 dias, à 37aDP (Ilha do Governador). Mas, até hoje, a polícia não subiu o Morro do Barbante, na Ilha, onde traficantes seqüestraram a jovem no dia 2 de julho de 2006.

O corpo de Taís teria sido enterrado num cemitério clandestino numa área conhecida como Amendoeira, na parte alta do morro. No entanto, não foi encontrado. Silvia acusa a mulher do então chefe do tráfico pelo crime. Contra a vontade da mãe, a filha namorava o bandido, que conhecera num baile funk. O romance já durava quatro meses quando a jovem foi seqüestrada.

Desde que o namoro começara, Taís, que estava na 8asérie de um supletivo,…

A NOVA DITADURA III

Imagem
Quadro de Fernando Botero da obra Massacres.

DESAPARECIDOS HOJE ULTRAPASSAM 7 MIL
NA DITADURA MILITAR, 136
Número de vítimas do tráfico de drogas e das milícias, cujos corpos nunca foram encontrados pela polícia, é 54 vezes maior do que o de pessoas sumidas durante os governos de exceção.Sábado, véspera do Dia dos Pais, o funcionário público Cláudio Daltro Barbosa, de 50 anos, passa quatro horas curvado numa cadeira enquanto um tatuador grava em suas costas uma carta de 13 linhas. O texto, misto de declaração de amor e despedida, é endereçado ao filho, Diego, de 23 anos, desaparecido em março após desentendimento com um PM ligado à milícia que atua na Vila Sapê, em Jacarepaguá.

Diego figura entre os 10.464 desaparecidos catalogados de 1993 até junho pelo Serviço de Descoberta de Paradeiros da Delegacia de Homicídios, incluindo dados das unidades da Zona Oeste e da Baixada Fluminense.

Desse total, 70% (7.324) dos casos estariam relacionados à ação do tráfico e, mais recentemente, das milíci…

A NOVA DITADURA II

Imagem
Tim Lopes, as favelas e os direitos humanos
Por Paulo Magalhães*

A morte do jornalista Tim Lopes, em exercício profissional, teve grande repercussão na mídia, causando enorme comoção na sociedade brasileira, particularmente na cidade do Rio de Janeiro. Em verdade, virou um ícone e um mártir do jornalismo carioca. Evidentemente pela notoriedade do profissional, a natureza da sua profissão e mesmo pelo corporativismo prevalecente na sociedade brasileira, a repercussão da sua trágica morte simbolizou um atentado à liberdade de imprensa e uma afronta aos direitos humanos. No entanto, Tim Lopes é um caso de um processo estrutural, regular e contínuo de assassinatos cometidos nas favelas cariocas. Antes da morte de Tim Lopes e após sua morte, a condenação sistemática daqueles que não cumprem as regras ditadas pelo chamado "crime organizado" continua intocada. A maioria das condenações à morte nas favelas cariocas, com utilização dos métodos de extermínio utilizados no caso Tim Lopes…

A NOVA DITADURA I

Imagem
Tráfico, milícia e polícia impõem regime de terror a moradores de favelas do Rio
O jornal "O Globo" começa a publicar neste domingo uma série de reportagens, intitulada "Os brasileiros que ainda vivem na ditadura", que aborda como cerca de 1,5 milhão de moradores de favelas e morros do Rio de Janeiro ainda vivem sob uma ditadura. Eles têm seus direitos fundamentais violados por grupos armados do tráfico ou da milícia, ou são submetidos a todo tipo de desrespeito por parte de uma polícia despreparada e, muitas vezes, bandida. Foram realizadas mais de 200 entrevistas. São relatos de quem sofreu na pele ou testemunhou o sofrimento de pessoas que tiveram seus direitos violados nesses territórios "dominados". Como muitas dessas pessoas sofrem ameaças, elas ganharão codinomes - recurso usado pelos militantes perseguidos pela ditadura militar - e, em alguns casos, os locais onde aconteceram os crimes serão omitidos. Durante a série, vamos conhecer casos como o d…