domingo, 3 de janeiro de 2010

Ser bobo







Minha amiga*, como me ofender?

Qualquer um fica todo bobo quando recebe um elogio, mas ninguém fica mais bobo que o bobo. Principalmente se o elogio parte da nobreza. Seu nome remete duplamente à realeza: a sueca e a latina.

O bobo nem carece de um elogio grande, bonitão como esse que recebi de Clarisse através de você. Basta um elogiozinho de nada, despretensioso, desses que, de tão pequeninos, parecem até uma esmola ou o descarte de uma camiseta velha, toda poida, depois da última trilha.

O bobo não briga com as horas, ama os pingos de todas as chuvas, mesmo as que formam grandes enchentes, e não se aborrece nas grande manhãs de sol. Ao contrário, ciranda com suas lágrimas que cirandam com os pingos das chuvas e se encanta com o som das manhãs que o inundam de luz e calor, de brisa e canto de aves.

O bobo consegue ouvir, mesmo o mais cosmopolita, o pio de algum passarinho, o canto de um coleiro ao longe, e, fica mais bobo que nunca, ao perceber que sua cozinha foi invadida por um bando de pardais.

O bobo se contenta com coisas poucas: tardes de abril, som de folhas secas empurradas pelas calçadas, um carinho, um olhar, seu próprio aparente abandono, e a música dolente que as pedras cantam com o mar.

Se encontrar um bobo: sorria! Olhe em volta e se belisque torcendo para não acordar e, principalmente, não o acordar. Não espalhe, mas o bobo em geral tem por amor a Poesia, e isso pode ser constatado em seu olhar aparentemente perdido. Tem a Liberdade como amante e o sonho como guia. Com essa mistura de alma, pensa como poeta e age como tal: feito bobo.

Poetas tem isso de bobo: crer nos sonhos, que farão o mundo melhor, que suas palavras falarão mais alto que os canhões, que a indiferença, e que conseguirão curar a surdez crônica da humanidade.

Clarisse não percebeu ao escrever "As vantagens de ser um bobo" – ou se percebeu deixou proposital e contraditoriamente irrevelado - que Dostoievski era um bobo, assim como Miguel Cervantes que nos legou o maior de todos os bobos.

O bobo tem essas ambições que Clarisse não quis revelar. Tudo “de caso pensado” e com a conivência do lado poeta que existia nela. Seu lado bobo...

Quando dá certo, o bobo sorri aquele sorriso bobo.

Quando não dá: é apunhalado como Julio Cesar, compra um ar condicionado imprestável, alguns até já morreram ou foram presos.

Mas sem jamais perder sua capacidade de amar, de sonhar, e seu sorriso bobo...

Beijos!


*Resposta a Silvia Regina de Abreu

sábado, 2 de janeiro de 2010

"Quando vi rasgarem a Constituição...": Juiz Livingsthon José Machado



Afastado desde 2005, quando determinou a soltura de 59 presos que cumpriam pena em delegacias superlotadas na comarca de Contagem/MG, o juiz Livingsthon José Machado resolveu abandonar a magistratura. O juiz diz que foi punido sem direito de defesa. Em abril último, recusou a remoção compulsória para uma vara cível. O TJ/MG reúne-se hoje para decidir sua aposentadoria compulsória. Para quem não se lembra, no final de 2005, vendo a caótica (falta de) atenção que o Estado de MG dedicava a seus detentos, o magistrado achou por bem soltar vários deles que estavam sob sua responsabilidade - cuidando, todavia, para que os perigosos ficassem encarcerados.


Entrevista


Juiz de Contagem/MG, que em 2005 decidiu liberar dezenas de presos devido a péssima situação carcerária, decide abandonar a magistratura


O jornal Folha de S.Paulo de hoje traz entrevista com o juiz mineiro Livingsthon José Machado, da vara de execuções criminais de Contagem/MG, que no final de 2005, vendo a caótica situação carcerária que o Estado de MG dedicava a seus detentos, decidiu soltar vários deles que estavam sob sua responsabilidade.


Na ocasião, o desembargador Paulo Cezar Dias, da 3ª Câmara Criminal do TJ/MG, concedeu liminar determinando a recaptura de presos soltos. Além disso, a Corte mineira autorizou a instalação de um processo administrativo e determinou o afastamento imediato de Livingsthon.


Anos se passaram e no mês passado foi determinada a remoção compulsória do juiz para uma vara cível, que recusou-se a assumir a nova função e resolveu abandonar a magistratura.


Hoje, o TJ/MG reúne-se para decidir sua aposentadoria compulsória.


Abaixo, veja a íntegra da entrevista concedida pelo Livingsthon José Machado ao matutino paulista.


Juiz que ordenou soltura de presos em MG resolve largar a carreira

TJ decide hoje aposentadoria compulsória de Livingsthon Machado, acusado de desrespeitar decisão superior em 2005; ele diz que não teve direito de defesa

Afastado desde 2005, quando determinou a soltura de 59 presos que cumpriam pena ilegalmente em delegacias superlotadas na comarca de Contagem (MG), o juiz Livingsthon José Machado, 46, resolveu abandonar a magistratura.

O caso chamou a atenção para a situação caótica do sistema carcerário e desafiou o discurso do governador Aécio Neves (PSDB) de que a segurança pública era uma prioridade.

O juiz diz que foi punido sem direito de defesa. Em abril último, recusou a remoção compulsória para uma vara cível. O Tribunal de Justiça de Minas reúne-se hoje para decidir sua aposentadoria compulsória.

Leia, a seguir, trechos da entrevista de Machado, que deve publicar no segundo semestre o livro "A Justiça por Dentro: Abrindo a Caixa-Preta".

FOLHA - Qual era a situação carcerária quando o sr. assumiu a Vara de Execuções Criminais em Contagem?

LIVINGSTHON JOSÉ MACHADO - À época [2005], havia seis unidades prisionais [em delegacias] e uma prisão de segurança máxima. As seis delegacias tinham presídios em situação irregular.

Num distrito, em razão do excesso de presos, o delegado pôs uma grade no corredor, que virou uma cela com 28 presos.

FOLHA - Por que o sr. determinou a primeira soltura de presos?

MACHADO - Naquele distrito, 16 presos cumpriam pena ilegalmente. Ordenei a transferência deles depois que o Ministério Público pediu a interdição do presídio. Como foi vencido o prazo e não houve a transferência, expedi 16 alvarás de soltura.

O Estado, através da Procuradoria, ajuizou um mandado de segurança, dizendo que a decisão contrariava o interesse público. O desembargador Paulo César Dias deu a liminar e suspendeu a ordem de soltura.

Duas semanas depois, a situação em outro distrito era caótica. Em quatro celas, cada uma com capacidade para 4 presos, havia 148, dos quais 39 esperavam transferência para a penitenciária havia quatro anos. Também expedi mandado de soltura para os 39. Novo mandado de segurança foi impetrado e nova liminar foi dada.

FOLHA - Ficou caracterizado que houve desobediência sua?

MACHADO - A alegação foi que eu desobedeci reiteradamente a decisão do desembargador. Não houve isso. No dia 22 de novembro de 2005, um juiz corregedor me avisou que eu seria afastado no dia seguinte.

Fui afastado sem possibilidade de defesa. Só fui intimado para responder a esse processo em março do ano seguinte. Em setembro de 2007, a corte decidiu o meu afastamento. Apesar de a lei dizer que juiz só pode ser afastado por decisão de dois terços, esse quórum não foi alcançado. Só um desembargador examinou as provas. Votou pela minha absolvição.

FOLHA - Como o Ministério Público atuou no caso?

MACHADO - Nomeou uma comissão de dez promotores para apurar possíveis crimes que eu teria praticado. Quando foi assassinado um promotor em Belo Horizonte, a Procuradoria designou três promotores.

FOLHA - Qual foi a reação dos juízes de primeiro grau?

MACHADO - A associação dos magistrados fez uma nota depois do meu afastamento, dizendo que era inadmissível aquela ingerência. Houve solidariedade de juízes de outros países. Independentemente de chamar a atenção ou não, eu faria o que fiz. No país há um descaso com a população carcerária. O que fiz foi cumprir o dispositivo constitucional de que a prisão ilegal deve ser relaxada.

FOLHA - Como o sr. recorreu das decisões?

MACHADO - Assim que o tribunal decidiu me afastar, recorri em mandado de segurança aqui no tribunal. Foi denegado.

Contra essa decisão, impetrei um recurso ordinário que tramita no Superior Tribunal de Justiça. Publicada a decisão do tribunal daqui, entrei com recurso no Conselho Nacional de Justiça em 10 de outubro de 2007. Ficou um ano e meio sem o então corregedor despachar.

Foi distribuído ao relator Paulo Lobo, que, após alguns meses, disse que não conhecia da revisão [não seria o caso de julgar], porque eu já havia ajuizado recurso ordinário no STJ.

Eram coisas diferentes. No CNJ, alego que não houve desobediência. No STJ, contesto a decisão do tribunal. Contra essa denegação do CNJ, há um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal, cujo relator é o ministro Menezes Direito, que indeferiu a liminar. Agora, o tribunal em Minas abriu processo para minha aposentadoria compulsória.

FOLHA - Por que o sr. não aceitou a remoção para uma vara cível?

MACHADO - Há recursos a serem decididos. Se eu assumisse, estaria aceitando a punição.

FOLHA - O governo do Estado alega que acelerou a construção e a melhoria de presídios. É verdade?

MACHADO - Aqui, em Contagem, as unidades prisionais deixaram de existir em 2007.

Hoje, só existe a penitenciária.

De certa forma, foi um dos efeitos da ação. Não tem mais preso condenado em delegacia aguardando vaga na penitenciária.

Foi criado um centro de internação provisória. Mas, num distrito investigado pela CPI do Sistema Carcerário, viram que a situação continuava grave.

FOLHA - Quando o sr. decidiu que iria deixar a magistratura?

MACHADO - Quando vi a Constituição sendo rasgada.


Fonte: Itacaré News



Jornal Nacional da TV Gobo faz escola em Portugal




Em bate-boca antológico, apresentadora golpista e mal-intencionada do mais assistido telejornal lusitano leva um escalda-rabo histórico de entrevistado...



Tanto quanto alguns "âncoras" de nosso amado torrão auriverde, a jornalista Manuela Moura Guedes, da TVI de Portugal, não é flor que se cheire. Certamente, por não conviver com certo tipo de "jornalismo", você talvez estranhe muito o fato de a moça ser adepta de práticas heterodoxas no tratamento das notícias, como manipulação espúria, omissões, mentiras e juízos de valor, sempre a beneficiar determinado grupo político e a assassinar a reputação de outros. Não por acaso, o programa apresentado pela suposta irmã caçula do roqueiro Serguei chama-se... Jornal Nacional. E, coincidência: a TVI é a mais importante emissora de TV em Portugal, hoje em dia.

Ocorre que um certo Sr. Pinto - o advogado e jornalista António Marinho Pinto, para sermos "exactos" - soltou os cachorros para cima da donzela. Ao vivo e em cores, o causídico aplicou na apresentadora um sabão dos mais borbulhantes.

As cenas a seguir aconteceram há poucos meses. Mas é bom você já ficar sabendo que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) daquele pequeno país ibérico notificou a TVI por considerar que a emissora "desrespeitou as normas ético-legais do jornalismo misturando factos e opinião em várias edições do "Jornal Nacional", alvo de queixas analisadas pelo organismo". O órgão considerou ainda que a TVI deve "demarcar "claramente os factos da opinião", como determina o Estatuto do Jornalista.


Faça de conta que foi aqui. E lave sua alma com o Dr. Pinto.




Fonte: Cloaca News

Caroline Figueiredo: de Iansã, de chuvas e tempestades, e de tomada de consciência




Uma manifestação de amor.



E parrei, Caroline!

E parrei, Oyá!


Ouçam...

Reino Unido mata saudades do IRA praticando tortura em prisioneiros no Iraque






Reino Unido investiga supostos abusos de unidade secreta no Iraque, diz jornal




O Ministério da Defesa do Reino Unido investiga os supostos abusos cometidos por uma unidade militar secreta que teria utilizado métodos ilegais de interrogatório e torturado prisioneiros no Iraque, informa o diário britânico "The Independent" nesta sexta-feira.

De acordo com o jornal, o governo examina atualmente 47 denúncias de abusos por parte de iraquianos, das quais muitos se referem ao misterioso grupo de militares e agentes do MI5, o serviço de inteligência britânico, que teriam autorizado abuso físico e psicológico dos detidos.

O advogado de direitos humanos Phil Shiner, que representa os prisioneiros, pediu uma investigação independente sobre as táticas dessa unidade.

Segundo o jornal, muitos dos iraquianos representados por Shiner afirmam que, entre 2004 e 2007, foram maltratados após serem transferidos para uma unidade autônoma chamada JFIT (Conjunto de Inteligência Avançada, na sigla em inglês), situada na base logística do Exército britânico em Shaibah, próximo de Basra.

Quase todos os detidos sustentam que foram espancados e que receberam ameaças de que se não cooperassem suas mulheres e filhos seriam violados.

Uma porta-voz do Ministério da Defesa disse ao jornal que até agora desconhece que a unidade faça parte da divisão de inteligência das Forças Armadas do Reino Unido.

Também sustentou que as 47 denúncias de torturas apresentadas por iraquianos serão investigadas, mas ressaltou que por enquanto são somente "alegações", até que seja provada a veracidade.


Fonte: Folha Online

CNJ: denúncias contra juízes crescem mais de 100%


Aumentou em mais de 100% o número de reclamações contra juízes em todo o País, revela balanço anual do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em 2009, foram protocoladas 1.584 queixas e denúncias de âmbito disciplinar contra magistrados ante 726 ocorrências em 2008. A grande maioria dos relatos aponta para uma velha ferida do Judiciário, a lentidão que marca as ações judiciais.



Segundo o relatório, este ano o CNJ instaurou 125 sindicâncias para apurar supostos desvios, desmandos e falhas na atuação de juízes - em 2008, 12 sindicâncias foram abertas. Em 2009 foram instalados 16 processos administrativos disciplinares (PADs), que visam analisar a conduta ética do magistrado no exercício da função - em 2008, foram 5 PADs.



Nunca, desde a criação do CNJ, em 2004, foi tão elevado o índice de casos comunicados ao órgão, que tem a missão constitucional de fiscalizar o Judiciário. Muitas reclamações se revelam improcedentes. Outras são acolhidas. De acordo com o balanço, em 2009 o CNJ afastou oito magistrados. O conselho recebeu, ainda, entre janeiro e dezembro, volume global de 8.679 procedimentos, incluindo sugestões, ante 4.547 registros no ano passado, o que corresponde a aumento de 90%.



O balanço anual do CNJ foi divulgado pelo ministro Gilmar Mendes, que acumula a presidência do conselho e do Supremo Tribunal Federal. O relatório contém dados estatísticos sobre o total de reclamações, quantidade de sindicâncias abertas, resoluções e recomendações aprovadas e um resumo das ações de cada programa do conselho.



As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ilustração: http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2009/08/justi%C3%A7a-cega-paralitica....gif

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Lula é o brasileiro mais confiável e tem 72% de aprovação



Lula, o mais confiável.


Pesquisa Datafolha, publicada nesta sexta-feira no jornal "Folha de S. Paulo", mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o brasileiro mais confiável num ranking que incluía 27 personalidades.


Com nota média de 7,9, o presidente ficou à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque. Entre os entrevistados, 39% deram nota 10 ao presidente, contra 4% que lhe deram 0.


A pesquisa ouviu 11.258 pessoas entre os dias 14 e 18 de dezembro.


Lula é mais admirado no Nordeste, com nota média de 8,74, contra 7,14 no Sul e 7,57 no Sudeste. O petista recebeu nota 10 de 62% dos pernambucanos, 53% dos cearenses e 48% dos baianos. Em São Paulo, recebeu 10 em 31% dos casos. No Rio Grande do Sul, onde teve pior desempenho, obteve 15% das notas máximas.


No sitio DATAFOLHA também a pesquisa de dezembro de 2009 com o maior índice de aprovação na história do Brasil, com Lula e seu governo sendo aprovado por 72% dos entrevistados.


Claro que isso só faz bem a quem tinha fome e não tinha nem emprego nem crédito.


Os burgueses de sempre não aprovam Lula.


Aprovam a fome que o povão passava antes.


E a caravana passa...

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