quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A IV Frota em ação: um porta-aviões chamado Haiti


A IV Frota em ação: um porta-aviões chamado Haiti


Com a crise haitiana, a militarização das relações entre os EUA e a América Latina avança mais um passo, como parte da militarização de toda política externa de Washington. A intervenção é tão escancarada que o jornal chinês "Diário do Povo" pergunta se os EUA pretendem incorporar o Haiti como mais um Estado. Em apenas uma semana o Pentágono mobilizou para a ilha um porta-aviões, 33 aviões de socorro e numerosos navios de guerra, além de 11 mil soldados. A Minustah, missão da ONU para a estabilização do Haiti, tem apenas 7 mil soldados. O problema central para a hegemonia dos EUA na região é o Brasil. O artigo é de Raul Zibechi.


A reação dos Estados Unidos de militarizar a parte haitiana da ilha logo após o devastador terremoto de 12 de janeiro deve ser considerada dentro do contexto gerado a partir da crise financeira e da chegada de Barack Obama à presidência. As tendências de fundo já estavam presentes, mas a crise acelerou-as de um modo que lhes deu maior visibilidade. Trata-se da primeira intervenção de envergadura da IV Frota, restabelecida há pouco tempo.

Com a crise haitiana, a militarização das relações entre os EUA e a América Latina avança mais um passo, como parte da militarização de toda política externa de Washington. Deste modo, a superpotência em declínio tenta retardar o processo que a converterá em uma de outras seis ou sete potências no mundo. A intervenção é tão escancarada que o jornal oficial chinês Diário do Povo (de 21 de janeiro) pergunta se os EUA pretendem incorporar o Haiti como um Estado mais da União.

O jornal chinês cita uma análise da revista Time, onde se assegura que “o Haiti se converteu no 51° estado dos EUA ou, pelo menos, seu quintal”. Com efeito, em apenas uma semana o Pentágono mobilizou para a ilha um porta-aviões, 33 aviões de socorro e numerosos navios de guerra, além de 11 mil soldados. A Minustah, missão da ONU para a estabilização do Haiti, tem apenas 7 mil soldados. Segundo a Folha de São Paulo (20 de janeiro), os EUA substituíram o Brasil de seu lugar de direção da intervenção militar na ilha, já que, em poucas semanas, terá “doze vezes mais militares que o Brasil no Haiti”, chegando a 16 mil homens.

O mesmo Diário do Povo, em um artigo sobre o “efeito estadunidense” no Caribe, assegura que a intervenção militar deste país no Haiti terá influência em sua estratégia no Caribe e na América Latina, onde mantém uma importante confrontação com Cuba e Venezuela. Essa região é, para o jornal chinês, “a porta de entrada de seu quintal”, que os EUA buscam “controlar muito de perto” para “continuar ampliando seu raio de influência sobre o sul”.

Tudo isso não é muito novo. O importante é que se inscreve em uma escalada que iniciou com o golpe militar em Honduras e com os acordos com a Colômbia para a utilização de sete bases neste país. Se, a isso, somamos o uso das quatro bases que o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, cedeu a Washington em outubro, e as já existentes em Aruba e Curaçao (ilhas próximas a Venezuela pertencentes a Holanda), temos um total de 13 bases rodeando o processo bolivariano. Agora, além disso, consegue posicionar um enorme porta-aviões no meio do Caribe.

Segundo Ignácio Ramonet, no Le Monde Diplomatique de janeiro, “tudo anuncia uma agressão iminente”. Esse não parece ser o cenário mais provável, ainda que se possa concluir duas coisas: os EUA optaram pelo militarismo para mitigar seu declínio e necessitam do petróleo da Colômbia, Equador e, sobretudo, da Venezuela para afiançar sua situação hegemônica ou, pelo menos, diminuir a velocidade deste declínio. No entanto, as coisas não são tão simples.

Para o jornal francês, “a chave está em Caracas”. Sim e não. Sim porque, com efeito, 15% das importações de petróleo dos EUA provém da Colômbia, Venezuela e Equador, mesmo índice da quantidade importada do Oriente Médio. Além disso, a Venezuela caminha para converter-se na maior reserva de petróleo do planeta, assim que se confirmarem as reservas do Orinoco descobertas recentemente. Segundo o Serviço Geológico dos EUA, seriam o dobro das da Arábia Saudita. Tudo isso seria suficiente para que Washington desejasse, como deseja, tirar Hugo Chávez do poder.

Ao meu modo de ver, o problema central para a hegemonia estadunidense no seu “quintal” é o Brasil. O petróleo é uma riqueza importante. Mas é preciso extraí-lo e transportá-lo, o que demanda investimentos, ou seja, estabilidade política. O Brasil já é uma potência global, é o segundo dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ficando atrás em importância apenas da China. Dos dez maiores bancos do mundo, três são brasileiros (e cinco chineses). Nenhum destes dez bancos é dos EUA ou da Inglaterra. O Brasil tem a sexta reserva de urânio do mundo (com apenas 25% de seu território investigado) e estará entre as cinco maiores reservas de petróleo quando for concluída a prospecção da bacia de Santos. As multinacionais brasileiras figuram entre as maiores do mundo. A Vale do Rio Doce é a segunda mineradora e a primeira em mineração de ferro; a Petrobras é a quarta empresa petrolífera do mundo e a quinta empresa global por seu valor de mercado; a Embraer é a terceira empresa aeronáutica, atrás apenas da Boeing e da Airbus; o JBS Friboi é o primeiro frigorífico de carne de gado bovino do mundo; a Braskem é a oitava petroquímica do planeta. E poderíamos seguir com a lista.

Ao contrário da China, o Brasil é autosuficiente em matéria de energia e será um grande exportador. Sua maior vulnerabilidade, a militar, está em vias de ser superada graças à associação estratégica com a França. Na década que se inicia, o Brasil fabricará aviões caça de última geração, helicópteros de combate e submarinos graças à transferência de tecnologia pela França. Até 2020, se não antes, será a quinta economia do planeta. E tudo isso ocorre debaixo do nariz dos EUA.

O Brasil já controla boa parte do Produto Interno Bruto da Bolívia, Paraguai e Uruguai, tem uma presença muito firme na Argentina, da qual é um sócio estratégico, assim como no Equador e no Peru, que facilitam a saída para o Pacífico. Aí está o osso mais duro para a IV Frota. O Pentágono desenhou para o Brasil a mesma estratégia que aplica a China: gerar conflitos em suas fronteiras para impedir a expansão de sua influência: Coréia do Norte, Afeganistão, Paquistão, além da desestabilização da província de Xinjiang, de maioria muçulmana.

Na América do Sul, um rosário de instalações militares do Comando Sul rodeia o Brasil pela região andina e o sul. A pinça se fecha com o conflito Colômbia-Venezuela e Colômbia-Equador. Agora contará com o porta-aviões haitiano, deslocando desta ilha a importante presença brasileira à frente da Minustah. É uma estratégia de ferro, friamente calculada e rapidamente executada.

O problema que as nações e os povos da região enfrentam é que as catástrofes naturais serão uma moeda de troca corrente nas próximas décadas. Isso é apenas o começo. A IV Frota será o braço militar mais experimentado e melhor preparado para intervenções “humanitárias” em situações de emergência. O Haiti não será a exceção, mas sim o primeiro capítulo de uma nova série pautada pelo posicionamento militar dos EUA em toda a região. Dito de outro modo: nós, latino-americanos, corremos sério perigo e já é hora de nos darmos conta disso.

Tradução: Katarina Peixoto


Fonte Carta Maior

Poder Paralelo: bandido carioca "proibe" pipas na Ilha do Governador

"Fernandinho Guarabu impede até campeonatos no Cocotá e no Dendê depois que parente se feriu com cerol"

Badido "proibe" pipas na Ilha


Por Francisco Edson Alves



Rio sem lei, 4 de fevereiro de 2010 - As crianças das favelas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP) na Ilha do Governador estão proibidas de empinar pipas. A ordem foi dada há pelo menos três semanas pelo traficante Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, 31 anos, chefe da facção criminosa, sobretudo nos morros do Dendê e Cocotá.
A decisão da proibição, segundo testemunhas ouvidas por O DIA, foi tomada depois de um suposto primo do bandido se cortar no pescoço com uma linha de cerol (mistura de cola com vidro moído aplicada no fio). Irritado, Guarabu mandou seus subordinados espalharem na região que quem desrespeitar a determinação será torturado e executado.

Ontem, equipe de O DIA percorreu as imediações de nove comunidades — Dendê, Cocotá, Cacuia, Tauá, Ribeira, Zumbi, Freguesia, Bancários e Parque Royal — e em nenhuma delas havia pipas no céu. “É mais uma afronta de Guarabu aos moradores e à polícia. Proibir nossos filhos de soltar pipas é o fim da picada! Eles passaram o fim das férias sem poder brincar com o que mais gostam”, desabafou o pai de um garoto de 10 anos, que mora no Cocotá.


‘DUELO’ CANCELADO

A revolta dos moradores é ainda maior porque o Cocotá costuma sediar grandes concursos de pipas. É na Praça Manoel Bandeira que são realizados os famosos Duelos de Gigantes, torneios envolvendo representantes do Rio e São Paulo. As imagens dos animados “confrontos” de pipeiros dos últimos cinco anos estão na Internet. “O próximo campeonato está suspenso. O aviso veio do alto do Dendê (principal reduto de Guarabu). E ai de quem desrespeitar”, comentou um vendedor de pipas da Ilha.

A 37ª DP (Ilha do Governador) vai investigar as denúncias e o 17º BPM (Ilha) informou que rondas de policiamento ostensivo estão sendo feitas para garantir a segurança de quem quiser soltar pipas.

Bandido tem histórico de arbitrariedade

Não é a primeira vez que Fernandinho Guarabu toma atitudes radicais contra moradores da Ilha. Desde 2004, ele teria banido rituais de umbanda, candomblé e espiritismo nas favelas sob seu domínio. Guarabu e seu comparsa Gilberto Coelho Oliveira, o Gil, comandam ‘exército’ de mais de 100 homens, que contam com arsenal poderoso de armas pesadas e não letais, como a Taser, que aplica choques elétricos. O bando costuma eliminar inimigos de forma violenta, às vezes esquartejando-os.

O traficante chama a atenção pela facilidade que tem de escapar de cercos da polícia, que desde 2000 tenta prendê-lo.

Fonte: O Dia

Rede Globo e a mídia golpista querem um golpe na Venezuela









Querem um golpe na Venezuela



Por Larte Braga

A REDE GLOBO DE TELEVISÃO, através do JORNAL NACIONAL, a exemplo do que fez em abril de 2002, está envolvida até a medula na tentativa de desestabilizar o governo do presidente Hugo Chávez da Venezuela. A pregação golpista do JORNAL NACIONAL é vergonhosa, ainda mais para uma empresa que sustentou a ditadura militar no Brasil e se caracteriza em seus noticiários por mentir em função dos interesses que representa.

Em abril de 2002 a rede deslocou a comentarista Miriam Leitão para uma série de reportagens em Caracas sobre o governo Chávez. Foi apresentada uma semana antes da tentativa frustrada de golpe contra o presidente daquele país. Na última matéria da série, cinco matérias, Miriam disse o seguinte – “a Venezuela não agüenta mais Hugo Chávez” –. Deposto na quinta-feira seguinte numa farsa montada por redes privadas de televisão, como a GLOBO, Chávez voltou ao poder no domingo, em meio a manifestações de milhões de venezuelanos em Caracas e em todo o país. Em agosto, um referendo atestado pelo ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, confirmou a vontade do povo venezuelano – Chávez e não Miriam Leitão –.

Um mês após a tentativa de golpe o empresário Gustavo Cisneros, dono de várias empresas na Venezuela e nos Estados Unidos, amigo de George Bush e do ex-presidente venezuelano Carlos André Pérez (preso por corrupção por um bom período), andou pelo Brasil alardeando interesse em comprar uma empresa brasileira de televisão, uma rede, noticiário que chegou a envolver o SBT, do grupo Sílvio Santos. Veio com o pretexto de lançar sua biografia.

Cisneros é dono do grupo VENEVISIÓN e em 2002 fez parte do grupo de redes que tentou o primeiro golpe midiático da história, documentado ao vivo por dois cineastas irlandeses e com o nome “a revolução não será televisionada”.

A pregação golpista do JORNAL NACIONAL (Nacional de Washington) pode ser vista em

http://www.youtube.com/watch?v=6wYajREF4Ic

Numa das cenas de um documentário sobre o golpe um partidário de Chávez é mostrado reagindo a disparos vindos de vários pontos onde se encontravam os manifestantes contrários ao presidente e a televisão venezuelana, como vive fazendo a GLOBO aqui, dizia que o homem estava atirando em inocentes. Aberta a câmera, do outro lado não havia ninguém, os atiradores eram contra Chávez estavam em pontos estratégicos. A tevê venezuelana mentia.

No dia seguinte à deposição de Chávez, a sexta-feira, um grupo de apresentadores de telejornais venezuelanos, redes privadas, comemorou na casa de um deles, a farsa montada para simular o apoio do alto comando militar. Um dos jornalistas de uma das redes, em crise de consciência, pediu demissão e relatou ao vivo a dois cineastas irlandeses a montagem do golpe, a proibição de notícias a favor de Chávez, de greves e manifestações a favor do presidente, a participação do governo Bush (toda ela mostrada no documentário) e da mídia norte-americana em toda a América Latina, vale dizer, a GLOBO e seu jornal de mentiras, o JORNAL NACIONAL.

A volta de Chávez, no domingo, milhões de venezuelanos nas ruas, em Caracas e no interior do país, não foi noticiada. Não convinha a GLOBO, era preciso esperar novas instruções de Washington, não contavam com a reação do povo daquele país.

Lá como aqui sempre existe um Boris Casoy. Uma das reuniões dos golpistas, filmada e parte do documentário “a revolução não será televisionada”, exibe um empresário alertando para o risco que empregados domésticos representam para os patrões, pois são aliados de Chávez.

São tratados com desdém. Com desrespeito.

O golpe em Honduras, patrocinado por Washington, despertou apetites golpistas vorazes nas elites venezuelanas e trouxe o apoio das elites brasileiras, principalmente da mídia mentirosa, no caso a GLOBO.

William Bonner e Fátima Bernardes, com ares sisudos, graves, dando impressão que falam verdades absolutas, mentiram e pregaram um golpe contra Chávez na edição de 28 de janeiro deste ano.

São pagos para isso, não têm escrúpulos, a consciência já foi perdida faz tempo. São robôs, como Miriam Leitão e antigos agentes da repressão, caso de Alexandre Garcia, ou empregados de Gilmar Mendes (empregado de Daniel Dantas), caso de Eraldo Pereira.

Fazem o mesmo com o MST no Brasil, transformando o movimento em organização “terrorista”.

Uma vala com dois mil corpos foi encontrada na Colômbia. Civis executados por paramilitares ligados aos EUA. Paramilitares formam uma organização de extrema-direita, de apoio ao governo do narcotraficante Álvaro Uribe. Executam líderes de oposição, sindicalistas, camponeses, grilam terras e sustentam-se no tráfico centrado no Palácio do Governo.

A história do JORNAL NACIONAL mostra o profundo desdém da GLOBO pelos brasileiros. Sustentou a ditadura, omitiu a campanha das diretas, fabricou Collor de Mello, omitiu a luta pelo impedimento do ex-presidente até ter garantias que nada sofreria, nenhuma retaliação, manteria intactos os privilégios. Sugou cofres públicos quando esteve para falir chantageando o governo de FHC com a invenção da candidatura Roseana Sarney e depois a operação que rendeu à rede 250 milhões de dólares (do contribuinte brasileiro, do cidadão brasileiro), via BNDES.

Omitiu um desastre aéreo para exibir um dossiê falso nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2006 (todas as outras redes já haviam noticiado o acidente com o avião da GOL e centenas de mortos).

William Bonner refere-se ao telespectador padrão, dominado, como sendo uma espécie de Homer Simpson, fez isso diante de estudantes e professores, ou seja, um idiota que cumpre seus deveres e aceita o papel de idiota. Alusão a um personagem de uma série de tevê dos EUA.

Não contesta. Cai de quatro o tempo todo.

São repugnantes.

O que há na Venezuela é a enésima tentativa de golpe contra Chávez a partir dos EUA, de elites venezuelanas subordinadas àquele país (elites são apátridas).

A Venezuela hoje oferece a seu povo uma realidade diversa daquela em que empregado doméstico, como gari aqui na visão de Boris Casoy é ameaça, ou a última categoria na escala de trabalho. São preconceituosos. Educação, saúde, reforma agrária, o dinheiro do petróleo a serviço dos direitos básicos do cidadão venezuelano e repúdio às políticas colonizadoras e agressoras dos EUA e suas colônias (Colômbia e Peru), agora Honduras e outros espalhados pelo mundo.

A GLOBO no Brasil cumpre o papel de secundar as tentativas de golpe, de desestabilizar o governo do presidente Lula para viabilizar a eleição do funcionário da Fundação Ford que, atualmente, governa São Paulo e chegar ao processo de liquidação do País.

Passarmos de BRASIL para BRAZIL, entupidos de bases dos EUA.

Aí vai ser a glória. William Bonner e Fátima Bernardes vão poder apresentar o JORNAL NACIONAL em inglês e danem-se os brasileiros, somos adereços nos interesses inescrupulosos e bandidos dessa gente.

A revolução bolivariana de Chávez é respaldada pela opinião pública daquele país, em eleições, referendos e ampla participação popular. A perspectiva de guerra civil para facilitar os interesses norte-americanos, um confronto com o governo narcotraficante da Colômbia são provocações montadas em Washington.

Obama, o de pele negra e ideologia ariana, não admite, como não admitia Bush que escravos latinos deixem de sustentar o império falido e doente que preside.

A luta dos trabalhadores venezuelanos é a luta dos povos latinos.

A decisão de não renovar a concessão do canal privado RCTV foi por conta de todo o processo golpista. A reação da GLOBO aqui é para manter o monopólio das comunicações e da prostituição na televisão, via BBB. A forma prostituída com que defendem com unhas e dentes os interesses norte-americanos.

Para se ter uma idéia, com os índices mais baixos que os usuais, a equipe do BBB está estudando a possibilidade de permitir uma transa explícita entre dois dos participantes do programa para alavancar a audiência.

É o tipo de respeito pela democracia cristã, ocidental e capitalista que a rede manifesta.


Fonte Casa da América Latina

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O medo da mídia golpista


O medo da mídia golpista: uma gritaria para manter o monopólio



Os leitores possivelmente estão acompanhando a gritaria dos grandes veículos de comunicação relacionada com uma suposta ameaça de censura ou algo do gênero. Na verdade, atrás disso esconde-se uma estratégia destinada a enganar a opinião pública e dessa forma evitar avanços na área da mídia, cuja regulamentação está totalmente defasada e precisa ser atualizada.



Por Mário Augusto Jakobskind, no
Direto da Redação

Ou seja, no fundo os barões da mídia presentes principalmente em O Estado de S. Paulo, O Globo e Folha de S.Paulo, TV Globo, Record, etc. querem apenas defender privilégios e em nome disso misturam o conceito de liberdade de imprensa com o de liberdade de empresa.

Quando da realização no mês passado da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), quase diariamente os jornais e televisões se dedicaram ao muro de lamentações midiático de entidades que exatamente se recusaram a debater questões de interesse de toda a população.

Aí a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), capitaneada pelas Organizações Globo, juntamente com a Associação Nacional dos Jornais, não pararam de acusar a Confecom infundadamente, ou seja, com mentiras deslavadas sempre tendo como norte a suposta ameaça à liberdade de imprensa e de expressão.

E isso quando ocorria exatamente ao contrário, isto é, os participantes da Confecom — representantes de movimentos sociais, do governo e setores empresariais não vinculados ao esquema Abert/ ANJ — aprovavam 655 propostas a serem encaminhadas ao Congresso para debate e aprovação ou não. A Abert e a ANJ simplesmente recusaram-se a participar da Conferência, exatamente porque se negavam a debater, o que é uma contradição total para quem se diz democrata.

Os jornalões, os mesmos que apoiaram o golpe de 64, como O Globo, Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, dedicaram editoriais com premissas mentirosas e totalmente distorcidas, para criticar a Confecom e, como se não bastasse, logo em seguida o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos. Bóris Casoy, que nos anos 60 militava no Comando de Caça aos Comunistas (CCC), e até Joelmir Beting entraram no jogo da manipulação com mentiras e no mais puro estilo de babar ódio.

Mais uma vez foi colocado em pauta o falso argumento das ameaças à liberdade de imprensa e de expressão. Eis, portanto, uma adjetivação que se repete em vários países das Américas e sob o patrocínio de ideólogos recomendados a consolidar mentiras até que virem absolutas verdades. Na Argentina, os papagaios de pirata não param de inventar histórias, que são repetidas pelos quatro cantos da América Latina.

Um item chamou muito a atenção de quem tenta analisar os fatos: a repetição da alegação de que a imprensa estaria ameaçada pelo projeto de direitos humanos. Uma mentira que não resiste à menor análise. Os barões da mídia vestiram a carapuça.

O projeto do 3º PNDH, na parte referente à mídia, apenas defende a regulamentação de um artigo da Constituição com a indicação no sentido de apontar punições para violações dos direitos humanos. Uma determinação, diga-se de passagem, que consta da Convenção de Direitos Humanos, o Pacto de São José, do qual o Brasil é signatário.

Portanto, nada propriamente de novo no front, apenas medidas preventivas no sentido de evitar que se utilizem as concessões públicas com o objetivo de desrespeitarem os direitos humanos, como ocorre em certos programas de TV que jorram sangue e têm média de grande audiência.

A mídia conservadora ligou todas as baterias para contestar o fato de se questionar a existência do monopólio na área de comunicação. Aí apareceu um parlamentar que se imaginava ter se regenerado pelo que fez no passado, tomando as dores dos big-shots do setor midiático, ao afirmar que “no Brasil não há monopólio”.

O parlamentar mencionado é Miro Teixeira, do PDT, que saiu em campo para negar a existência de monopólio dizendo que no país há concorrência no setor, etc. e tal. Consciente ou inconscientemente, o deputado que no passado ascendeu à política pelas mãos do então governador Chagas Freitas, exemplo concreto de fisiologismo e linha auxiliar da ditadura, fez o jogo favorável a um poderoso grupo midiático. Tem espaço garantido nos telejornais da TV Globo, o que é de grande serventia para os políticos em ano eleitoral.

Teixeira alguns meses atrás ganhou tremendo espaço na mídia conservadora ao defender com unhas e dentes a revogação da Lei da Imprensa, utilizando nesse sentido o argumento do gênero meia verdade, ou seja, que era necessário remover um entulho da ditadura. Certamente que foi importante a remoção, mas só que nada foi colocado no lugar e o direito de resposta ficou prejudicado.

Ou seja, se alguém agora se sentir prejudicado em algum comentário ou matéria e quiser responder vai penar. É o caso então de se perguntar: não seria justo remover de vez o entulho autoritário e deixar uma mínima regulamentação para evitar o hiato atual na questão do direito de resposta? Por que então não se removeu apenas o entulho autoritário e se aprimorou uma lei de imprensa como existe em vários países democráticos?

Na questão do monopólio, na prática, Teixeira simplesmente limpou a barra das Organizações Globo, a mesma empresa que tem propriedade de rádio, televisão e jornal numa mesma área, o que caracteriza o monopólio. O parlamentar desconhece que o poder da Globo é tamanho que consegue marcar hora para o início de partida de futebol, usa o espaço eletrônico, seja no jornalismo ou na teledramaturgia, para defender poderosos interesses econômicos.

E tudo isso acontece na prática em detrimento de uma verdadeira democracia, não aquela defendida pelo patronato midiático conservador, que em tempos passados apoiou o golpe de Estado que derrubou o presidente constitucional João Goulart e lançou o país numa noite escura de desrespeito aos direitos humanos.

É sempre importante lembrar esse fato, porque para se conhecer melhor o presente é preciso também não esquecer fatos relevantes da história nacional. Até porque, nos momentos em que o país se esforça para consolidar a democracia e avançar nas transformações sociais necessárias neste século 21, a mídia conservadora volta ao esquema golpista muito parecido ao de 46 anos passados.

Fonte Vermelho

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Escolas de samba poderão usar imagens sacras nos desfiles



"Mesmo proibido, olhai por nós."

Foto do carnaval da Beija Flor de Joãozinho Trinta, em 2005, quando a imagem do Cristo Redentor foi proibida de participar das alegorias do desfile.

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio declarou inconstitucional uma lei de 2007 que proibiu as escolas de samba de usarem imagens sacras durante os desfiles. Em sessão realizada na segunda-feira, dia 1º, os desembargadores julgaram procedente um pedido da Prefeitura do Rio e concluíram que a norma aprovada pela Câmara de Vereadores viola a liberdade de consciência e se caracteriza como censura prévia.

Com apenas quatro artigos, a lei 4.483/2007 identifica como imagens sacras o crucifixo, o ostensório, os santos e outros mártires. A agremiação carnavalesca que descumprisse a medida, além das sanções judiciais cabíveis, não teria direito à subvenção de Carnaval paga pela Prefeitura, a quem caberia a fiscalização do cumprimento da norma.

O Ministério Público e a Procuradoria Geral do Estado opinaram pela procedência da representação de inconstitucionalidade. Segundo o parecer do MP, a vedação genérica de utilização de imagens e de símbolos de certa denominação religiosa, ao contrário de proteger a fé e as convicções de parcela da população, viola a liberdade de consciência, da qual resulta a liberdade de expressão cultural, bem jurídico essencial a ser preservado nos desfiles de escolas de samba.

Ainda segundo o parecer, qualquer excesso poderá ser reprimido através de ação penal, se caracterizada na manifestação cultural uma ofensa grave, pois a Constituição protege a liberdade de culto e o respeito aos valores de cada religião.

Por fim, o artigo 3º da lei municipal 4.483/2007 também foi considerado inconstitucional por vício formal, já que atribui ao Poder Executivo ônus inadmissível em projeto de iniciativa do Poder Legislativo, violando o princípio da separação dos poderes.


Processo 200900700006

Notícia publicada em 02/02/2010 14:37

Fonte TJRJ

A economia política das drogas


A economia política das drogas


Desde que o Richard Nixon declarou a “guerras às drogas”, nada de fundamental mudou, a não ser as somas milionárias gastas nas campanhas: um trilhão de dólares, deste então. A afirmação é de artigo do The Wall Street Journal, assinado por Davis Luhnow, republicado pelo Valor.

Um mexicano que esteve dedicado a essa luta por mais de duas décadas, resumiu o que cada vez mais especialistas declaram: “Essa é uma guerra que não é possível vencer.” Se dá voltas e voltas e se volta sempre para o mesmo lugar.

Quando um traficante importante é morto ou preso, passa-se a avaliar quem o substituirá, porque os mecanismos do tráfico não são afetados. Um numero crescente de autoridades norteamericanas e mexicanas - segundo o jornalista -, em privado, consideram que o passo mais importante para enfraquecer as operações comerciais dos cartéis mexicanos seria simplesmente legalizar seu principal produto: a maconha, que representa mais de metade da receita dos cartéis.

Não se costumava combater o lado comercial dos cartéis, por exemplo, pelo sistema financeiro. (Recordar que foi por aí que se pegou Al Capone, não por suas outras atividades delitivas.)

Diz-se no artigo que, sem querer, os EUA ajudaram os cartéis mexicanos, porque no fim dos anos 80 e inicio dos 90, reprimiram vigorosamente o transporte de cocaína da Colômbia para os EUA através do Caribe, que era a rota de fornecimento mais barata. Isso simplesmente desviou o fluxo para a segunda rota mais barata: o México. O dado é impressionante: em 1991, da cocaína destinada aos EUA, 50% já entravam pelo México, mas em 2004, já tinha chegado a 90%. Isto é, instalou-se no México um corredor de chegada das drogas àquele que é, de longe, o maior mercado consumidor do mundo, unido à corrupção e à violência já existentes.

Com a mudança dos grandes cartéis – de Medellin e de Cali – para uma profusão de minicartéis, os mexicanos ganharam força, impondo os preços aos colombianos. Cínicos especialistas norteamericanos chegam a cogitar um retorno à rota do Caribe, com o argumento de que é menos grave para os EUA desestabilizar pequenos países do Caribe do que um país com fronteira de mais de 3 mil quilômetros e 100 milhões de habitantes.

Os cartéis mexicanos, considerados hoje os mais fortes do mundo, traficam quatro grandes drogas ilícitas: maconha, cocaína, heroína e metanfetamina. O México tornou-se o segundo maior produtor de maconha do mundo (o primeiro são os EUA), o principal fornecedor de metanfetamina para os EUA, a principal escala para a cocaína da América do Sul e o maior produtor de heroína das Américas. Quando uma mercadoria declina, é compensada pela comercialização da outra.

Os cartéis são – segundo o jornal – a multinacional mexicana de maior sucesso, empregando cerca de 450 mil mexicanos e gerando 20 bilhões de dólares em venda, apenas atrás da indústria petrolífera e da exportação de carros. Um dos seus chefões, Joaquin Guzman, entrou para a lista mundial dos bilionários da Forbes.

Os jovens traficantes de hoje usam ternos Armani, BlackBerrys e malham em academias. O contador de um traficante preso tinha trabalhado 15 anos no Banco Central do México.

A ilegalidade das drogas multiplica brutalmente o seu preço, gerando altos lucros para os que se aventuram ao seu transporte. Um quilo de cocaína no atacado, na Colômbia, custa 1,2 mil dólares, no Panamá 2,3 mil, no México 8,3 mil e entre 15 e 25 mil nos EUA, isto é, uma multiplicação por 20 ao longo do circuito. No varejo das ruas de Nova York, chega perto de 80 mil, elevando o cociente por quase 70 vezes. Com lucros dessa dimensão, o negócio da droga tem todas as possibilidades de se perpetuar, caso seja atacado como foi até hoje.

A legalização da maconha representaria a perda de metade dos lucros dos cartéis. Além de que, menos presos, menos superlotação e contaminação nas prisões.

Fonte Valor

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Flertando com um criminoso de guerra: Tony Blair será consultor nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio



No Twiter, Paulo Coelho faz campanha contra a contratação de Blair como consultor da Rio 2016


RIO, 01 de fevereiro de 2010 - Um dia depois de o governador Sérgio Cabral anunciar que o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair será consultor nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio , o escritor Paulo Coelho começou um protesto em seu página no twitter ( http://twitter.com/paulocoelho ) contra a decisão. Em sua primeira mensagem sobre o assunto, pergunta: "Estamos pagando Tony Blair para assessor de Rio 2016? Um irresponsável que declarou uma guerra ilegal? O que é isso, governador?". Em outra, afirma: "Estive em Copenhague pelos atletas, não por assassinos", se referindo ao político britânico.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Paulo Coelho disse ter sentido vergonha e decepção ao ver a camisa 10 sendo entregue a " um criminoso de guerra".

- Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra - contou por telefone neste domingo.

De acordo com o escritor, o Rio tem todas as condições de organizar com primor as Olímpiadas de 2016 e que a presença de Blair vai desmoralizar o Brasil diante do mundo:

- A começar pelo COB e pela prefeitura do Rio, temos todas as condições para organizar as Olimpíadas. A atuação desse homem que não tem prestígio em seu próprio país, que fracassou como negociador no Oriente Médio, que perdeu o posto de primeiro ministro por causa da guerra do Iraque, e que tem o sangue de soldados ingleses nas mãos, pelo contrário, vai desmoralizar o Brasil diante do mundo - explicou.

" Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra"

Paulo Coelho torce para que consultores nacionais sejam escolhidos para cuidar do evento:

- Pessoalmente torço para que o setor privado dê preferencia a consultores nacionais, muito mais capazes do que um sujeito que não conseguiu sequer administrar seu próprio país, e cujas mãos sujas de sangue inclui o sangue de um brasileiro, Jean Charles, covardemente assassinado durante a paranoia instalada por Blair no seu governo.

A decisão de convidar Blair foi tomada no sábado, na casa do ex-premier, em Londres, após uma visita de Sérgio Cabral. Segundo o governador, o estado não vai entrar com recursos para a consultoria britânica. A ideia é pedir que empresas paguem ao ex-primeiro-ministro. De acordo com Cabral, a participação do empresariado é ampla em Londres.

O escritor afirma que, assim como fez campanha para a Rio 2016 - em setembro de 2009, ele esteve em Copenhague para a candidatura do Rio como sede das Olimpíadas -, "vai fazer o possível para derrubar essa decisão absurda". Na ocasião, o escritor chegou a dizer que iria plantar uma bananeira na Praia de Copacabana no ano da realização das disputas, se a capital fluminense fosse a vencedora.

- Não vou parar por aí. Não acho que esta seja uma decisão unânime. Acredito que as pessoas vão cair na razão. Não poderia haver pior embaixador - diz.

Sobre a declaração de Cabral que atribuiu a Blair a responsabilidade pela vitória e preparação de Londres para sediar as Olimpíadas de 2012, Paulo Coelho responde:

- Todos os políticos se envolveram nas campanhas de seus países, isso é normal. Mas a organização do evento deve ser atribuída ao prefeito de Londres, não a ele.

Em resposta a uma seguidora, ele diz que está twittando também em inglês para que "a comunidade internacional saiba o que está acontecendo".


Fadua Matuck - O Globo

Fonte O Globo Online

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