Flertando com um criminoso de guerra: Tony Blair será consultor nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio



No Twiter, Paulo Coelho faz campanha contra a contratação de Blair como consultor da Rio 2016


RIO, 01 de fevereiro de 2010 - Um dia depois de o governador Sérgio Cabral anunciar que o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair será consultor nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio , o escritor Paulo Coelho começou um protesto em seu página no twitter ( http://twitter.com/paulocoelho ) contra a decisão. Em sua primeira mensagem sobre o assunto, pergunta: "Estamos pagando Tony Blair para assessor de Rio 2016? Um irresponsável que declarou uma guerra ilegal? O que é isso, governador?". Em outra, afirma: "Estive em Copenhague pelos atletas, não por assassinos", se referindo ao político britânico.

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Paulo Coelho disse ter sentido vergonha e decepção ao ver a camisa 10 sendo entregue a " um criminoso de guerra".

- Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra - contou por telefone neste domingo.

De acordo com o escritor, o Rio tem todas as condições de organizar com primor as Olímpiadas de 2016 e que a presença de Blair vai desmoralizar o Brasil diante do mundo:

- A começar pelo COB e pela prefeitura do Rio, temos todas as condições para organizar as Olimpíadas. A atuação desse homem que não tem prestígio em seu próprio país, que fracassou como negociador no Oriente Médio, que perdeu o posto de primeiro ministro por causa da guerra do Iraque, e que tem o sangue de soldados ingleses nas mãos, pelo contrário, vai desmoralizar o Brasil diante do mundo - explicou.

" Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra"

Paulo Coelho torce para que consultores nacionais sejam escolhidos para cuidar do evento:

- Pessoalmente torço para que o setor privado dê preferencia a consultores nacionais, muito mais capazes do que um sujeito que não conseguiu sequer administrar seu próprio país, e cujas mãos sujas de sangue inclui o sangue de um brasileiro, Jean Charles, covardemente assassinado durante a paranoia instalada por Blair no seu governo.

A decisão de convidar Blair foi tomada no sábado, na casa do ex-premier, em Londres, após uma visita de Sérgio Cabral. Segundo o governador, o estado não vai entrar com recursos para a consultoria britânica. A ideia é pedir que empresas paguem ao ex-primeiro-ministro. De acordo com Cabral, a participação do empresariado é ampla em Londres.

O escritor afirma que, assim como fez campanha para a Rio 2016 - em setembro de 2009, ele esteve em Copenhague para a candidatura do Rio como sede das Olimpíadas -, "vai fazer o possível para derrubar essa decisão absurda". Na ocasião, o escritor chegou a dizer que iria plantar uma bananeira na Praia de Copacabana no ano da realização das disputas, se a capital fluminense fosse a vencedora.

- Não vou parar por aí. Não acho que esta seja uma decisão unânime. Acredito que as pessoas vão cair na razão. Não poderia haver pior embaixador - diz.

Sobre a declaração de Cabral que atribuiu a Blair a responsabilidade pela vitória e preparação de Londres para sediar as Olimpíadas de 2012, Paulo Coelho responde:

- Todos os políticos se envolveram nas campanhas de seus países, isso é normal. Mas a organização do evento deve ser atribuída ao prefeito de Londres, não a ele.

Em resposta a uma seguidora, ele diz que está twittando também em inglês para que "a comunidade internacional saiba o que está acontecendo".


Fadua Matuck - O Globo

Fonte O Globo Online

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