quinta-feira, 30 de julho de 2009

SENHOR GOVERNADOR SERGIO CABRAL, NÓS, OS ADVOGADOS, SOMOS CRIMINALISTAS. NÃO SOMOS CRIMINOSOS.

Somos criminalistas, não criminosos.


Por Paulo da Vida Athos.

Sua excelência, o governador Sergio Cabral assacou ontem, sobre a classe dos advogados, a seguinte pérola:


“Para eles, interessa vir pra cá, ficar mais próximo da ligação com seus comparsas, com seus advogados, transmitir mensagens de comando. Nós não aceitamos isso”.


Com essas infelizes palavras o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, demonstrou sua indignação contra a decisão do Juízo da vara das Execuções Penais do Estado do Paraná, que determinou o retorno dos condenados Isaías da Costa, Ricardo Chaves e Marco Antônio Firmino para o sistema penitenciário do Estado do Rio de Janeiro.


Ao colocar o advogado como elo de ligação entre aqueles criminosos e seus comparsas, sua excelência foi, minimamente, leviano.


Em 2008, somente no Rio de Janeiro existiam mais de 100.000 profissionais. E, de acordo com o cadastro das seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), existiam então mais de 571.360 advogados ativos no país.


Talvez sua excelência goste de criar manchetes, hábito de muitos jornalistas frustrados, ou seja apenas um trabalho de marketing muito próprio de políticos sem muita classe, que vai difamando sem medir as conseqüências de suas frases na vida das pessoas.


Mas sou advogado e, com toda minha indignação, rejeito a peja de recadeiro de criminoso, não somente quanto a mim mas também quanto a todos os meus colegas de profissão, e relembro à sua excelência de que o Brasil e a Democracia em que hoje vivemos devem, e muito, aos seus advogados que sempre estiveram, juntamente com a Ordem dos Advogados do Brasil, lutando por nossas liberdades.


Muito já se falou de sua excelência, em sua vida pública. Pesquisando na internete, relembro de alguns fatos.


Durante seu mandato como presidente da ALERJ, nomeou para seu gabinete, a esposa do fiscal do governo do estado Rodrigo Silveirinha, Silvana Dionízio, que ficou conhecido por ser suspeito de comandar um esquema de corrupção na Secretaria de Estado da Fazenda no governo Garotinho, conhecido como Propinoduto. Porém, a contratação de Silvana durou apenas um dia, e o próprio voltou atrás, afirmando ter sido um erro de seus funcionários.


Em 1998, o então deputado Sérgio Cabral foi denunciado pelo então governador Marcelo Alencar, junto ao Ministério Público Estadual, por improbidade administrativa (adquirir bens, no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda do agente público) cometida na compra de uma mansão no condomínio Portobello em Angra dos Reis . Posteriormente, essa investigação foi arquivada pelo subprocurador-geral de Justiça Elio Fischberg, em 1999.


Sua excelência Cabral foi citado pelo então deputado federal André Luiz (PMDB –RJ), cassado por tentar extorquir R$ 4 milhões do empresário de jogos Carlinhos Cachoeira para tirar seu nome da CPI da LOTERJ André disse a seguinte frase: Nós formamos um grupo só, Sérgio Cabral, Picciani, eu, Calazans e Paulo Melo. As gravações publicadas pela revista Veja, foram confirmadas pelo perito Ricardo Molina. Depois, sua excelência repudiou a menção de seu nome por André Luiz.


Dizem que em um levantamento da mesa diretora do Senado, feito em 2006, mostrou que Cabral havia faltado a um terço das votações desde 2003, num total de 178 faltas.


Nenhuma dessas notícias deve ter agradado sua excelência, principalmente se não foram pautadas na verdade. Ninguém gosta de ser taxado como pessoa torpe, principalmente as pessoas de bem, como é a maioria absoluta dos advogados brasileiros, e, quero crer, também o seja sua excelência.


Como Governador de meu Estado, ele não pode cometer o pecado de ser leviano.


É indesculpável!


Somos pessoas de bem e sua excelência, quando não tiver ou não souber o que falar, tenha bom senso, pense antes.


Ou mantenha a boca fechada.



Fonte: O Globo

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