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terça-feira, 26 de maio de 2026

Omulu e Obaluaê, duas, faces, um mesmo misterio

 












Omulu e Obaluaê 


Duas faces de um mesmo mistério


A primeira verdade talvez seja esta: no Candomblé e nas religiões afro-diaspóricas, “verdade” raramente significa uma única versão fixa. A tradição africana não nasceu como catecismo escrito; nasceu da palavra, do rito, da iniciação e da experiência viva. Por isso, diferentes casas preservaram diferentes memórias de um mesmo mistério.

Mas, pesquisando tradições iorubás, jejes e bantu, bem como estudos de diversos pesquisadores da cultura afro-brasileira, a conclusão mais sólida parece ser a seguinte:

Omolu e Obaluaê não são exatamente “dois Orixás separados”, mas também não são apenas “dois nomes idênticos”. São manifestações, qualidades ou aspectos diferentes de uma mesma potência divina ligada à terra, à doença, à cura, à passagem entre vida e morte e à regeneração.

Na tradição nagô-iorubá, o nome original mais antigo parece aproximar-se de “Obaluaiyé” ou “Obaluaê”, expressão traduzida como “Rei” ou “Senhor da Terra”. Já “Omolu” teria surgido como uma forma reverencial relacionada ao “filho do senhor” ou “filho do dono da terra”.

Em muitos terreiros, especialmente no Brasil, os dois nomes acabaram fundindo-se no culto cotidiano.

Entretanto, diversas casas tradicionais passaram a diferenciar os dois aspectos.

De maneira geral — embora isso nunca seja absoluto — costuma-se compreender:

• Obaluaê como o aspecto mais jovem, dinâmico e caminhante entre os homens;

• Omolu como o aspecto mais velho, ancestral, silencioso e profundamente ligado ao mistério da morte e da cura.

Por isso, em muitos barracões

• Obaluaê dança vigorosamente;

• Omolu move-se curvado, coberto e carregando o peso do mundo.

Ambos, porém, possuem o mesmo axé essencial: o domínio sobre as epidemias, as chagas, os males do corpo e do espírito — e também o poder da cura.

A escravidão teve enorme papel nessa fusão de nomes. Povos africanos distintos foram violentamente misturados no Brasil. Divindades semelhantes aproximaram-se; nomes foram adaptados; línguas cruzaram-se; fundamentos esconderam-se para sobreviver.

Assim, um mesmo Orixá podia receber diferentes nomes: Xapanã, Sakpatá, Omolu, Obaluaê ou Sapata, dependendo da nação e da tradição preservada.

Talvez a formulação mais honesta seja:

Omolu e Obaluaê são o mesmo grande princípio divino visto sob faces diferentes — como se a humanidade tivesse olhado o mesmo sol através de tempos, línguas e sofrimentos distintos.

Esse Orixá conhece a doença e, justamente por conhecer a dor, possui também o poder da cura. Ele transita entre a decomposição e a renovação, entre o sofrimento e a esperança.

Talvez por isso seja um dos Orixás mais humanos, mais próximos das dores reais das pessoas pobres, marginalizadas, enfermas e abandonadas.

E há uma ironia profundamente sagrada na História: os escravizados, cobertos de feridas físicas e espirituais, trouxeram consigo exatamente o culto daquele que transforma ferida em cura.

Talvez nenhum outro Orixá simbolize tão profundamente a sobrevivência.


Texto: Paulo da Vida Athos

Imagens Gepetto*

Imagens IA GPT


sábado, 4 de abril de 2026

TERRAS RARAS. O PREÇO INVISÍVEL DA TECNOLOGIA

 🌍 TERRAS RARAS.  

O PREÇO INVISÍVEL DA TECNOLOGIA.  


Você segura um celular.

Pensa em energia limpa.

Fala de carros elétricos.


Mas… você sabe quanto de terra precisa ser arrancada do planeta para isso existir?


👇


Os chamados terras raras são 17 elementos essenciais para o mundo moderno.


E para obter apenas 1 tonelada deles, pode ser necessário processar:


⚠️ de 10 até 2.000 toneladas de minério


Agora veja o que está por trás de cada um:


🔬 LANTÂNIO — baterias, lentes

➡️ ~10–50 toneladas de minério


🔬 CÉRIO — polimento, combustíveis limpos

➡️ ~10–40 toneladas


🔬 PRASEODÍMIO — motores elétricos

➡️ ~50–200 toneladas


🔬 NEODÍMIO — ímãs (celular, carro elétrico, eólica)

➡️ ~50–150 toneladas


🔬 PROMÉCIO — tecnologia nuclear

➡️ produzido artificialmente


🔬 SAMÁRIO — reatores e ímãs especiais

➡️ ~100–300 toneladas


🔬 EURÓPIO — cor vermelha das telas

➡️ ~500–2.000 toneladas


🔬 GADOLÍNIO — ressonância magnética

➡️ ~100–300 toneladas


🔬 TÉRBIO — cor verde e eletrônicos

➡️ ~500–2.000 toneladas


🔬 DISPRÓSIO — ímãs resistentes ao calor

➡️ ~500–1.500 toneladas


🔬 HÓLMIO — lasers

➡️ ~300–1.000 toneladas


🔬 ÉRBIO — fibra óptica (internet)

➡️ ~200–800 toneladas


🔬 TÚLIO — raio-X portátil

➡️ ~1.000–2.000 toneladas


🔬 ITÉRBIO — ligas e lasers

➡️ ~200–800 toneladas


🔬 LUTÉCIO — tratamento de câncer

➡️ ~1.000–2.000 toneladas


🔬 ESCÂNDIO — ligas aeronáuticas

➡️ ~500–2.000 toneladas


🔬 ÍTRIO — LEDs e telas

➡️ ~50–200 toneladas


💡 AGORA PENSE:


Cada smartphone.

Cada carro elétrico.

Cada turbina “limpa”.


👉 Existe um custo ambiental gigantesco…

👉 Só que ele acontece longe dos nossos olhos.


⚖️ Não é sobre ser contra a tecnologia.  

É sobre entender que “energia limpa” não significa impacto zero.


Consciência muda escolhas.

E escolhas mudam o mundo.


Se isso te fez pensar, compartilhe.

Pouca gente sabe disso.


Paulo da Vida Athos

Rio de Janeiro, 4 de abril de 2026.


#Tecnologia #Sustentabilidade #TerrasRaras #EnergiaLimpa #Consciência

A tecnologia que usamos todos os dias tem um custo que quase ninguém vê...

Energia limpa não é impacto zero.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Oração para Oxóssi




Oração para Oxóssi 


Oxossi, meu Pai,

que é todo proteção e bondade,

que como todo pai zeloso e atento ilumina com seu olhar

o chão e os caminhos por onde andam seus filhos,

como sempre, e mais uma vez, me coloco em seus braços,

em seu colo protetor,

sob a influência e a paz de seu amor infinito,

nessa longa caminhada que se chama vida.


Desde o primeiro raio do sol

que deu boas vindas ao meu rosto nessa vida, até o dia de hoje,

não houve um só sem que eu sentisse a presença sua.


Atravessei selvas e mares,

caminhei desertos e bailei trovoadas,

e quando o fogo das profundezas parecia que secaria minha garganta,

bebi cachoeiras que você me ofereceu.


Nunca estive sozinho.


Em todas as barreiras que venci,

estava em se colo.

Em todas as provas que vivi,

tive você ao meu lado,

à minha frente,

às minhas costas,

sobre minha cabeça,

me guiando em cada passo,

em cada gesto,

ditando cada palavra que proferi.


Agradeço tudo que vivi,

agradeço por toda proteção,

por todo esse amor infinito que me tem.


Pai,

com a certeza de que só estou vivo em razão do amor que sente por mim,

agradeço com meu amor,

com meu reconhecimento,

com minha fé.


Odé koke maió, Oxossi Oke Arô!


David de Oxossi

Paulo da Vida Athos

PRAD




sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Gosto de ser feliz

Gosto de ser feliz.  Apenas isso. Viver me faz feliz.  Existem dores em mim e no mundo, sim.  Mas as dores não devem nos entristecer.  Devem servir como combustível para que façamos tudo  isso que está escrito no bilhetinho desse caderno. Viver é mudar quando se pode mudar algo para que outra pessoa ou outras pessoas sejam mais felizes, incluindo nós  mesmos, mas também é não ficar frustrado quando não for possível.  Viver já é, por si só, uma dádiva e o mais fundamental estado para  ser feliz ou encontrar a felicidade, que não é eterna mas produzem momentos inesquecíveis.  Desde a infância temos incontáveis momentos assim!  Bom dia, boa tarde, boa noite!  Viva!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Viver é se aventurar

Juliana​, minha querida.  Espero te encontrar feliz hoje; espero te encontrar feliz sempre, todas as vezes, em todos os dias de tua vida.   Dizem por aí que isso não é possível, com certa razão.  A felicidade permanente seria um tédio e faria da vida um saco, uma coisa sem sentido, né? Tipo desmotivante.  Imagina só milhões de copas d'água, uma cachoeira de águas geladas na nossa frente, e a gente sem a menor sede, sem qualquer vontade de beber coisa alguma.  Aff!  Não dá.  Por outro lado, imagine uma vida em que todos os nossos desejos, inclusive aqueles mais íntimos, se realizassem imediatamente...  Assim, de repente, parece uma coisa maravilhosa.  Mas com o tempo, um vazio imenso, um tédio massacrante  viriam nos abalar.  A certeza da realização imediata de todos os nossos anseios mataria a expectativa e ela é fundamental para a felicidade.  Sabe aquela espera de que algo aconteça, aquela pessoa apareça, ou a chuva caia?  Pois é, não existiria.  As manhãs perderiam o encanto, as tardes de domingo deixariam de ser bucólicas, as noites de plenilúnio não mais teriam graça, e até o amor, e mesmo as dores do amor, perderiam o feitiço.  Seria uma vida despossuída da palavra conquista e, quando isso acontece, os despossuídos somos nós.  Nada teria aventura pois a aventura é a materialização do resultado de nossa luta e, como a luta se tornaria desnecessária, com o tempo encararíamos todas as coisas como se fossem esmolas e nós, bem, nós, querida Ju, não passaríamos de pedintes  aos olhos da Vida e, a Vida, miserável aos nossos olhos.  E sabes disto. Não à toa braços dados com a Aventura foi perseguir teus sonhos, forjar tuas expectativas, garimpar tuas manhãs e teus amanhãs, nessa campanha ultramar planejada por teus anseios, por tuas expectativas,  e o pouco,  ou o muito, conquistado com nossa luta é sempre compensador.  Tudo passa a ter um pouquinho do nós, a marca de nossa alma, e fica impregnado com nossas alegrias e tristezas, passando a ser parte integrante daquilo que nos tornamos em nossa caminhada, e ninguém fica menor por dentro do que estava quando deu o primeiro passo, lá atrás no tempo, no tempo em que tudo começou.  Se é assim então porque iniciei dizendo que esperava te encontrar feliz hoje?  Exatamente por isso!  Por ser a vida como uma montanha-russa para os que de fato se lançam nessa fantástica aventura que é viver, viver mesmo, como fazes, não esperar a banda passar,  cavalgar o cavalo em pelo, domar as tempestades, beber as lágrimas, mergulhar fundo, apneia pura, e aflorar de novo à superfície com o sorriso largo de quem jamais será vencida, por ter a seu lado, em toda luta, justamente a felicidade que se chama viver.  Bom dia. Te amo.  Um beijo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Penúria

Penúria

Não precisou  muito
pra vida se vestir em festa,
bastou meus olhos encontrar os teus
e a luz da tarde se misturar
com a luz de teu olhar
enquanto o meu olhar
se perdia no desenho de tua boca.

Tua presença
é como sol que rasga sombras 
e tintura cores, 
revelando que tua ausência
deveria ser banida
por decreto,
do céu de minha vida.

Dá pena ver,
que não te ver,
transforma minha vida
em pena.

(Paulo da Vida Athos)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Jazigo


 
 
 
 
 

Jazigo
 

 
 
 
 
 
 
Sou pedaços de mim
nessas lembranças de nós,
sou cacos do que fomos ontem
que vou tentando juntar
como quebra-cabeças em que tento montar
a imagem do que fomos,
e o perfume que exalamos
do o cheiro de nossa pele,
depois do amor.
 
Sou essa perdição no tempo,
esse desperdício de viver a loucura
da busca insana de um tempo
que já se foi e retorna
apenas em minhas lembranças,
como um delírio,
no qual acaricio e busco
no espelho da memória
os momentos em que fomos um.
 
Rasguei todos os versos
com que te vesti,
até aqueles que não escrevi
e, junto, os teus retratos,
as roupas que espalhastes em minha vida,
em minha sala,
e um a um catei todos os fios
de teus cabelos espalhados e meu caminho,

lançando-os ao vento.
 
Queimei os lençóis que usamos,
e tudo que guardava teu cheiro.
 
Apaguei teus rastros
dos caminhos que caminhamos juntos
como quem atira fora flores mortas,
troquei até as chaves das portas
que que te levavam a mim
na crença de que apagaria da pele
a memória da tua pele.
 
Inútil.
 
Basta chegar a noite e abrir a janela.
 
Teu cheiro entra por ela
junto à brisa e o perfume do jasmim,
trazendo tudo de volta.
 
Seria fácil
se apenas morresse o amor,
desde que ele não ficasse enterrado...
em mim.
 
 
(Paulo da Vida Athos)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A inteligência da Direita



A inteligência da Direita


Volta e meia recebo de algum amigo meu, de direita, um texto que rescende ressentimento e inconformismo contra a reeleição de Dilma ou contra o PT.  São palavras geralmente agressivas em textos de péssima qualidade, alardeando a corrupção petista, acusando a militância de petralha, quase sempre com pelo menos uma palavra obscena, fazendo analogia a golpe de estado ou aos golpistas de 64, ou pedindo de volta “o regime militar.”

Essas coisas me fazem lembrar alguns textos que leio que, com relação às conclusões, tenho minhas reservas, de que pessoas de esquerda são mais inteligentes do que pessoas de direita.

Sinceramente não vejo base científica nisso, ademais há que se descontar, por óbvio, o agregamento do autor aos ideais progressistas da esquerda.

No entanto, quando paro para dissecar a verborreia não tenho como impedir um certo acomodamento intelectual para a assentir com as conclusões apaixonadas, mas para mim sem validação científica,  mas até certo ponto aceitáveis, de que pelo menos não são dotados de lógica ou usam de má-fé.

Como alguém pode afirmar é contra o PT porque pensam no povo trabalhador, que são contra a corrupção, que o PT é corrupto e Dilma e Lula comandam uma quadrilha, e pérolas tão próprias desse naipe de gente, quando, por exemplo, são traídos por quem votaram e que votaram favoravelmente à terceirização do mercado de trabalho?  E que, mesmo sabendo disso, vão para as ruas aplaudir seus representantes que, em seu ponto de vista cego, deveriam estar governando a República.  Inteligência?

Pensam no povo? O PT é corrupto?  Dilma e Lula comandam uma quadrilha? Pó pará!

Deitar a verborreia numa folha de papel, ou na internet, deixando prova e rastro da verborragia, é coisa de gente burra mesmo, burra e que não tem vergonha de demonstrar isso.

Escrevem sem pensar.  Isso me lembra o maravilhoso texto “A arte de escrever para idiotas”, produzido pela filósofa Marcia Tiburi e por Rubens Casara, intelectual e magistrado no Rio de Janeiro, que define bem as relações entre os criadores desse tipo de texto e seus leitores. Não leu ainda?  Está na rede.  Recomendo, disseca bem o tema.

A burrice é tanta que não perceberam que estão fazendo o jogo da elite, são marionetes da elite.

A elite está vendendo seus postos de trabalho, e eles vão lá, para as ruas, em cada vez menor número (por sorte alguns tiram os antolhos), vociferar contra um governo eleito legitimamente para pedir seu impedimento. 

Isso não vai acontecer.  Mais fácil é algum deles ganhar o Nobel da paz.

A gente olha para a massa de manobra da elite e ouve seu discurso, e percebe que eles se sentem elite, se acham mesmo elite, se acham milionários como os Marinho, empresários como Abílio Dinis ou os Setúbal (esses são realmente inteligentes), se consideram deles igualha, e não atinam de que são apenas classe média, no máximo classe média alta, e que estão ali a serviço do capital mais selvagem, tangidos pelos lacaios daqueles, tipo Jabor, Diogo Mainard, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade , William Bonner, Miriam Leitão, todos pagos regiamente, para fazer a cabeça de idiotas e, cá para nós, quem tem como mentor gente assim não pode ser classificado de inteligente, é pessoa de poucas luzes no mínimo, hão de concordar.

Essa gente que está nas ruas não pensa por conta própria.  Embora de classe média e média alta a maioria, estudou – alguns até sem muita dedicação, creio - tem razoável cultura, mas não tem lógica, não liga uma coisa na outra.

Estão legitimando uma maioria no congresso que está lá votando contra seus próprios interesses, bastaria isso para demover alguém com mediana capacidade de raciocínio.

Então a gente junta isso ao que de fato tem incomodado essa turma nos últimos 12 anos.  É insuportável para eles a realidade de que seus espaços privativos, onde faziam biquinhos na hora de ser fotografado, foi invadida por trabalhadores de verdade.

Logo, passaram a dizer que seus aeroportos foram tomados por “pobres”.  Pobre para eles é o assalariado e, via de consequência, como todo trabalhador é assalariado todo trabalhador é pobre e os incomoda. 

O que eles não conseguem ver: é que também são assalariados, e que, através das medidas que estão sendo aprovadas contra os trabalhadores, mais dia menos dia serão atingidos.  Pouca gente sabe, por exemplo, que grande número de bancários, e isso enquanto a terceirização nem foi aprovada ainda, já é terceirizado.

E o terceirizado, além de trabalhar mais ganha menos e tem menor número de direitos e garantias trabalhistas, vez que a terceirização, como essência primária, tem por objetivo minimizar o alcance das normas garantidoras da relação de trabalho contidas na CLT e dos direitos do trabalhador.

Quando aprovada a terceirização: hospitais, bancos, grandes empresas, escolas, universidades, redes de lojas e de supermercados, empresas de transportes, pequenos e grandes comércios, poderão ter relações com as terceirizadoras que venderão um produto antigo e lucrativo: o homem e sua mão de obra, para não terem grandes riscos na hora da demissão.

Ou seja: essa é a forma atual de exploração da mão de obra; e nela se inclui do auxiliar de limpeza ao médico.

Como considerar essa turma que foi para as ruas, inteligente?

Odeiam pobres, odeiam trabalhadores, mas esquecem de que são trabalhadores e que a tunda vai comer no couro deles também.

Odeiam saber que as empregadas domésticas agora tem direitos trabalhistas e que podem comprar o mesmo perfume que a patroa usa.

Já nem falo naqueles que pedem “o regime militar de volta”, porque isso é tão imbecilizado que atribuo aos doentes ou aos de má-fé.  Impossível que nos dias de hoje exista alguém que não saiba do que aconteceu naqueles dias.

É gente que não pensa; nem sei se é gente burra.  Mas cretina é, cretina e idiotizada. 

É gente preguiçosa que prefere que outros pensem por elas e vão repetindo que bolsa-família é “dar pão podre e estragado”, é iludir os realmente pobres, e coisas estapafúrdias como essas.  Não sabem que, como dizia Betinho, quem tem fome tem pressa.

Esse tipo de gente não tem esse problema de fome. Na pior das hipóteses, é só abaixar porque eles que tem o pescoço curto como sua inteligência, capim tem de sobra.

Mas não são burros!


Paulo da Vida Athos.


Rio de Janeiro, 13 de abril de 2015. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Seres da noite


Seres da noite,

Tenho um milhão de anos.
Na verdade, um pouco mais.
O breu das tavernas e dos covis não me abalam,
assim como não me seduz o sorriso fácil
nem e a gentileza dos boçais.

Não me iludem.
Não me enganam.

Caminho e as ruas e calçadas
me são familiares.
Suas sombras são extensões de minhas sombras
que vão mergulhando nas sombras dos becos,
nas fumaças dos botecos,
nas canções feitas de versos
que vão cirandando no cais.

A noite é território sagrado.

Os seres da noite são sensíveis, são educados.
Conhecem regras e rítimos
que tangenciam seus perfumes
e mistérios.
Não conhecem o arrependimento,
porque não existem pecados,
pois na noite não existem anjos,
nem diabos.

Existe o inexprimível e o inesperado,
nesse território de putas, malandros,
otários e viados,
que ganha vida entre o último
e o primeiro raio do sol
que beija o paredão do cais.

Geralmente é à noite
que a Morte vem convidar
para a última valsa:
homem ou mulher,
criança ou velho,
meretriz ou cafetão,
porque ela é tão puta quanto a Vida
e se esfrega com qualquer um,
mas consciente, que de todos,
é o derradeiro par.

Os sons da noite são diferentes.
Não é um som filarmônico:
a noite odeia amadores tanto quanto ama pecadores.

Sirenes e gritos,
risadas, freadas,
uma gata no cio,
batida de carro,
o eco do tiro,
o soar do escarro,
o som do silêncio,
do corpo que cai,
da Vida que sai
do corpo do otário,
que teve punido,
seu ingênuo pecado,
de ser estranho na noite,
que é território sagrado.

Um baseado é aceso,
uma carreira esticada.

Uma canela esticada,
enfeita a pista de asfalto.

É que a dama de negro,
chamou para a última valsa.

E amanhece, logo depois.

(Paulo da Vida Athos)





sábado, 3 de maio de 2014

Melhor que viver é ter vivido

Melhor que viver, é ter vivido...


Melhor que viver é ter vivido muito, é ter vivido tudo, é ter sorvido cada segundo como se fosse o último; é ter bailado com aquele raio de sol que driblou a copa das árvores para beijar o seu rosto, em comunhão de luz; é ter corrido entre os pingos que molhou a tarde iluminada por seu primeiro beijo de amor, enquanto suas lágrimas se misturavam com as que caiam do céu, acariciando seu rosto, seu corpo, seu ser.

Melhor que ter vivido é não ter razões para se arrepender do que foi vivido, é não guardar o vazio de não ter tentado, é não se culpar por ter amado ainda que o amor tenha dilacerado sua vida e violentado seus sonhos, ainda que sua alma mendiga tenha se arrastado nas calçada do tempo e se perdido nas ruas de suas desesperanças, lançando você ladeira abaixo, nessas ladeiras que deram no mar onde você lavou suas feridas, sorriu para o sol que despertava o dia e acalentava seu sono doído, e, já com a alma seca e aquecida, perceber que pode começar tudo de novo.

Melhor que ter vivido é ter reconhecido as manhãs de seus afetos cirandado com as tardes de suas ilusões, brincado com a noite de suas desilusões, e aprendido que tudo é uma e a mesma coisa.

Melhor que ter vivido é ter vivido lindas, longas, curtas, tristes, sufocantes, loucas, desmedidas, despudoradas, sofridas, encantadoras, incríveis, desarrazoadas, gostosas, cretinas, inesperadas, ingênuas, loucas, indecentes, únicas, incríveis, mas suas histórias de amor, e, em meio a tudo isso, encontrar seu grande amor.

Melhor que ter vivido é ter mergulhado inteira sua vida no oceano da Vida, com medo e com coragem para superar o medo, sem acreditar mas levando fé de que vai ser bom, atravessando tudo levando um sorriso ou um tapa na cara, mas orgulhosa de ser uma pessoa que não ficou olhando a banda passar, que foi e cantou e dançou e se machucou com ela, e no final, tinha muitas histórias para contar de uma vida que não foi um rio que passou em sua vida.

É perceber que ao fim você foi rio, não margem...


Rio de Janeiro, 3 de maio de 2013.


Paulo R. de A. David

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