terça-feira, 15 de abril de 2008

CARTA AOS MEUS AMIGOS DE TRINCHEIRA II


Aos meus amigos de trincheira.



Tenho me ausentado bastante. Não gosto. Ninguém gosta de sair de sua trincheira durante um combate, e o nosso está longe de terminar.

Falo desse bom combate, pela Vida e ao lado da Vida. É uma grande guerra com muitas frentes de batalha. Não falo daquelas batalhas políticas, eleitorais, onde muitas vezes estamos ou estaremos em lados opostos. Aliás, dessa pouco participo. Nessas, lanço-me apenas nos tempos mais decisivos, depois de analisar cada candidato e ver o que cada um já fez para o povo e pelo povo. Então, somente aí, decido-me por quem lutar. Meu partido é o Povo. Apenas!

Fica muito evidente que minhas trincheiras não são muito comuns e, pelo que percebi ao longo do tempo, principalmente na grande rede, é que não são muito simpáticas também. Falo assim com a tranqüilidade de quem modera comunidades contra a violência, com quase oito mil membros, ou contra a tortura e contra a pena de morte, ambas na casa dos quase três mil membros, e não somo nem cem membros em comunidades que militam em favor dos direitos e da vida dos mais excluídos, como a que é Contra política de extermínio, em

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=47649513

ou contra grupos para militares no Rio de Janeiro ou em outros estados, como a comunidade Milícias as FARC do amanhã, em

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=45028353

que não tem nem quarenta participantes. Nesse último caso reputo ao medo, que é natural à condição humana, e somente é vencido quando somos o alvo, ou alguém a quem amamos é o alvo, como aconteceu a partir do momento em que a tortura e os assassinatos, durante o período do golpe de 64, começaram a atingir os filhos da classe média, à qual pertencemos aqui a maioria. Outro sinal da antipatia quanto às bandeiras que desfraldo é que poucos repassam minhas mensagens, embora digam respeito a mortes e torturas, e a supressão de direitos dos excluídos em nossos guetos e favelas. Fico como que em espanto, vez que para mim ser humano independe de classe social e luto por todos, incondicionalmente.

Mas, não foi sobre isso que vim falar. Vim para me desculpar dessas ausências. Todas se dão por razões inadiáveis, religiosas ou não, sendo que as primeiras muitas vezes me deixam dias, em algumas vezes semanas, imerso em outro mundo. Mas certamente, todas as minhas ausências são prementes e necessárias.

Assim, na certeza de que minhas desculpas serão compreendidas (não apenas aceitas, aceitação é diferente de compreensão), despeço-me rogando a Olorum que cubra em paz e proteção a vida de cada um de vocês e daqueles que têm seu amor.

Com meu carinho maior e minha saudade,

Paulo da Vida Athos.

Rio de Janeiro, aos quinze dias do mês de abril de 2008.

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