"Smartphones são o sonho de Stálin", diz Richard Stallman. Pense bem antes de comprar um celular...



"Smartphones são o sonho de Stálin", diz Richard Stallman


Por NetworkWorld/EUA


Recuso-me a carregar nos bolsos um dispositivo espião que pode ser usado contra mim, afirma o pai do movimento de software livre.

Há quase três décadas na luta contra as plataformas proprietárias, Richard Stallman vê uma nova ameaça à privacidade dos usuários: smartphones.

“Não tenho e não levarei celulares comigo” afirma o fundador do movimento software livre e criador da plataforma GNU. “O celulares são o sonho de Stalin, são miniaturas a serviço do Big Brother (do romance “1984” de George Orwell). –“Recuso-me a carregar nos bolsos um dispositivo espião que pode ser usado contra mim”, diz.

Stallman acredita piamente que o software livre é única maneira de salvar a humanidade das presas tecnológicas, esteja nos celulares, nos PCs, tablets ou qualquer outro dispositivo digital. É preciso explicar que, na concepção de Stallman, o termo “livre” não se refere ao custo do software (free, em inglês, também pode significar grátis) e, sim, à liberdade de aplicar, modificar e de distribuir o programa da maneira que o usuário julgar melhor.

História

Iniciado na década de 80, o movimento software livre ganhou, na metade da mesma década, dois importantes componentes: o projeto GNU e a Fundação Software Livre, a qual ele ainda preside Stallman.

Indagado sobre exemplos de sucesso em sua empreitada pela liberdade do software, a resposta de Stallman foi categórica: Android. Não o sistema da Google que conhecemos, e, sim, uma distribuição do sistema operacional para dispositivos móveis, livre de todos os elementos proprietários.

“A possibilidade de munir aparelhos com tais distribuições é algo extremamente novo”, diz. “Entre essas versões modificadas do Android existe uma de nome Replicant, capaz de ser executada em aparelhos HTC Dream, sem softwares proprietários... menos nos EUA. Lá houve alguns problemas com a biblioteca responsável por dar conta da discagem. Na Europa o sistema funciona perfeitamente e, possivelmente, também já esteja funcional nos EUA. Não sei”, diz Stallman.

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Apesar de ser distribuído com licenças de software livre, os executáveis (os programas) que nele rodam, são protegidos e normalmente acompanham alguns modelos fornecidos por fabricantes diversos. Tais programas não podem ser removidos e, se forem modificados, podem impedir o correto funcionamento do aparelho ou do aplicativo. Stallman resume “Se o fabricante pode inserir um programa no seu aparelho, mas o usuário não, o dispositivo não passa de um cárcere”.

“Em tese”, diz Stallman, “aparelhos munidos de software livre têm mais chances de se defender contra grampos. Se tudo for livre, você pode se proteger, porque a espionagem é causada por um programa proprietário”.

Conspiração ou concidência?

Pode parecer brincadeira, mas, ironicamente, Stallman me concede essa entrevista via celular. Não era um aparelho próprio, claro, e sim o de um amigo. Ao longo dos 38 minutos de conversa, a conexão caiu cinco vezes. Uma dessas interrupções ocorreu justamente quando falávamos sobre os grampos e sobre software livre para celulares. Apesar de várias tentativas de reestabelecer a conexão, tivemos de dar a entrevista telefônica por encerrada e continuamos por email.

Mas, se há algo a que Stallman está acostumado, é abrir mão de determinadas conveniências. Obviamente ele não roda Windows ou Mac OS em seu computador. E, mesmo que acha que vai encontrar o Ubuntu na máquina do anarquista, está redondamente enganado. Stallman, apesar de ter possibilitado o surgimento do software livre mais adotado nda atualidade, não se dá por contente com o sistema.

O preço da liberdade

Ele reconhece que abdicar de certas facilidades não é para qualquer um e que, junto da suposta liberdade, vêm sacrifícios razoáveis.

“A decisão de adotar tal postura é uma escolha íntima, ligada aos valores que regem a vida das pessoas”, afirma. Na perspectiva de Stallman, a vasta maioria das pessoas liga apenas para o preço e o desempenho dos softwares, sem se importarem com a questão da privacidade. "Quem pensa assim não irá sacrificar sua conveniência, enquanto eu desejo trabalhar por anos e anos para não ter qualquer software proprietário em meu micro", diz.

A título de curiosidade: no laptop da marca Lemote Yeeloong, de Stallman, roda uma distribuição Linux batizada de gNewSense e composta, obviamente, por programas 100% livres.


(Jon Brodkin)

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