LULA REJEITA AMEAÇAS DOS GOLPISTAS DE HONDURAS


Lula rejeita ameaças de “usurpadores do poder” em Honduras. Golpistas suspendem liberdades.

27/09/2009

“O governo brasileiro não acata ultimato de um golpista e nem reconhece o governo de (Roberto) Micheletti como um governo interino. (…) A palavra correta é golpista, usurpadores de poder; e o governo brasileiro não negocia com eles”. Foi assim que o presidente Lula reagiu ontem ao ultimato emitido no sábado pelo governo de Honduras, para que o Brasil esclareça em até dez dias a situação do presidente deposto naquele país, Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira desde o dia 21. Segundo Lula, qualquer negociação com Micheletti, representante dos golpistas no comando do governo, compete agora ao Conselho de Segurança da ONU ou à Organização dos Estados Americanos (OEA), que repudiaram o golpe praticado em Honduras no fim de junho.

“O Brasil não tem que conversar com estes senhores que usurparam o poder. Se a ONU ou a OEA fizer um pedido ao Brasil, poderemos simplesmente acatar esse pedido, mas não desses senhores”, afirmou Lula, em entrevista durante visita à Venezuela.

O presidente observou que poucas vezes houve tanto consenso de repúdio a um governo quanto na condenação aos golpistas de Honduras.

“É toda a América do Sul, toda a América Latina, toda a Europa e os Estados Unidos. É toda a África e a Ásia. Não tem um único governo no mundo defendendo este golpista”.

Lula disse ainda que o líder hondurenho deposto é “o presidente legítimo de Honduras” e que seu status é “hóspede da Embaixada do Brasil” em Tegucigalpa.

“Zelaya foi expulso do poder da maneira mais vergonhosa possível”, afirmou Lula.

“Para mim, a solução é simples: os golpistas devem sair do palácio presidencial. Zelaya deve retornar ao poder e se deve convocar eleições”.

O presidente brasileiro também observou que os golpistas violariam todas as normas internacionais se entrassem à força na embaixada do Brasil, cercada há uma semana por forças militares.

Liberdades suspensas

O comunicado que provocou a reação de Lula foi emitido pelo ministério hondurenho de Assuntos Exteriores e ameaçava a adoção de “medidas adicionais”, não citadas, caso o Brasil não esclareça em até dez dias se Zelaya é asilado, hóspede ou um amigo. Numa espécie de desdobramento do ultimato, na noite passada o governo hondurenho ameaçou retirar o status diplomática da embaixada brasileira, embora reafirmasse a disposição de não invadi-la.

Também neste domingo o governo hondurenho editou decreto que suspende por 45 dias a liberdade de expressão, de associação e de trânsito, além de vedar reuniões públicas não autorizadas pelo polícia ou o exército. O decreto autoriza ainda prisões sem mandados. Horas antes, o governo impediu a entrada de cinco diplomatas e funcionários da Organização dos Estados Americanos enviados ao país para preparar uma missão mediadora da crise política. Eles foram detidos no aeroporto da capital e deportados. Três espanhóis localizados no país foram expulsos.

Espanha, México, Argentina e Venezuela já suspenderam relações com Honduras e receberam pedidos dos golpistas para remover as bandeiras e distintivos oficiais.


Fonte: Brasília Confidencial

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