sexta-feira, 30 de abril de 2010

Anúncios de Paz: UPP também no Complexo do Alemão


Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia


Além dos 500 PMs que vão atuar no Borel e em favelas vizinhas, Beltrame anuncia mais 1.200 homens nos morros da região ainda este anoRio - Até o fim do ano, a Tijuca e os bairros vizinhos contarão com 1.700 policiais militares em comunidades pacificadas. Somados aos 725 homens do 6º BPM (Tijuca), serão mais de 2.400 PMs na área. O anúncio foi feito ontem pelo secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, em entrevista a O DIA, durante a qual destacou que a região será beneficiada com a maior parte das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) previstas para 2010. Das oito planejadas para começar a funcionar até dezembro — sem contar a do Borel, cuja ocupação começou quarta-feira — pelo menos seis deverão ficar no trecho que vai do Catumbi ao Engenho Novo, passando por Estácio, Rio Comprido, Andaraí, Grajaú, Vila Isabel e Mangueira.


“Estou praticamente dobrando o efetivo da Tijuca, quando coloco um número de homens no morro e libero o efetivo do batalhão para patrulhar as ruas. Só para ter uma ideia, nesse grande complexo da Tijuca, vão ser mais ou menos uns 1.700 policiais só nas UPPs. Se somar esses policiais ao efetivo do 6º BPM, vai triplicar até”, afirma Beltrame.



Embora sem citar quais serão as próximas comunidades ocupadas, o secretário afirmou que elas já estão definidas e agora passam por mapeamento, fundamental para preparar as operações policiais. “Vamos formar um cinturão na Grande Tijuca”, garante. Na região, a lista de comunidades que deverão ganhar UPPs, de acordo com o planejamento da Secretaria de Segurança, inclui os morros do Salgueiro (Tijuca), do Turano (Rio Comprido), do Andaraí, dos Macacos (Vila Isabel), da Mangueira e o Complexo de São Carlos (Estácio).

Esse cronograma, frisou o secretário, não impede que favelas de outras áreas sejam ocupadas antes. “Foi o que o ocorreu com o Morro da Providência”, destaca, contando que a prioridade seria para outros pontos da Zona Norte. Para poder implantar as oito novas UPPs, a secretaria aguarda a formatura de cerca de 3 mil policiais.


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Situação tranquila no Borel no segundo dia de ocupação

De manhã, em visita à Cidade de Deus, Beltrame voltou a afirmar que, para ocupar favelas como o Complexo do Alemão, é necessário planejamento e efetivo maiores. O secretário comentou ainda a ação iniciada quarta-feira nos morros da Tijuca: “Já esperava que não houvesse troca de tiros e reação de bandidos, devido às operações da PM e da Polícia Civil”.

Tranquilidade no dia seguinte

O segundo dia de ocupação na Tijuca foi de tranquilidade. Com ajuda de cinco cães farejadores, policiais vasculharam as favelas em busca de armas, drogas e corpos de vítimas do tráfico. À tarde, a única ocorrência registrada foi a prisão de um jovem com cerca de um quilo de maconha e material para embalar a droga. O que mais chamou a atenção dos moradores foi que, nos locais onde os bandidos costumavam ficar, havia policiais. Muitos foram cumprimentar os PMs pela ação.

Foto: Carlos Moraes / Agência O  Dia
Homem é flagrado com drogas por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Morro do Borel | Foto: Carlos Moraes / Agência O Dia
A presidente da Associação de Moradores do Borel, Roberta Ferreira, aproveitou para cobrar a presença da Defesa Civil na comunidade, afetada pelo temporal do início do mês. Segundo ela, 280 famílias relataram riscos de desabamentos perto de suas residências. Desse total, apenas 59 foram cadastradas para receber aluguel social. “Agora que a UPP vai chegar ao morro, queremos saber se a comunidade vai ter maior atenção do estado”, cobra.

À tarde, um bandido apontado como gerente do tráfico do Borel foi preso na Vila Kennedy, Zona Oeste. Assis Albano Ferreira da Silva, 38 anos, o Ratinho, foi flagrado circulando pela favela com um revólver. Procurado pela Justiça, ele estava refugiado na casa da sogra.


Controle até sobre a música de vendedores

Até mesmo a melodia tocada para anunciar a chegada do caminhão de gás estava diferente. No lugar de músicas de funk, como ordenavam antes os criminosos, a população ouvia ‘Cidade Maravilhosa’. E foi como maravilhosa que a desempregada Maria Emília de Resende, 61 anos, classificou a chegada da polícia à favela. “Dou nota dez para a ocupação”, comemorou.

O porteiro Homero Alves, 35 anos, que mora há oito anos no Borel com dois filhos e a mulher, também estava feliz. “Ninguém quer criar os filhos perto de bandidos. Acho que a nossa vida vai mudar a partir de agora”, disse. Já o comerciante Zacarias Freire, 55, ainda estava desconfiado. “É melhor esperar alguns dias antes de avaliar a ocupação”.


Reportagem de Fábio Varsano e Vania Cunha


Fonte O Dia Online

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