sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

VILA CRUZEIRO: MAIS CRIANÇAS ENQUADRADAS PARA MORRER.


Vila Cruzeiro: Morte da menina de 11 anos tem inquérito aberto


Rio - A delegada Valéria Castro, substituta da 22ª DP (Penha), determinou a abertura de um inquérito policial para apurar a morte da menina Yorranne Abas Tavares Ferreira, de 11 anos, ocorrida na noite desta quinta-feira, na Vila Cruzeiro, na Penha. Na ocasião, havia uma troca de tiros entre traficantes e soldados do 16º BPM (Olaria) que haviam ido ao local para surpreender bandidos do Comando Vermelho que estavam reunidos em uma casa de dois andares, próximo à Estrada José Roucas, perto de um supermercado.

O carro-blindado do batalhão foi atacado a tiros por um grupo de homens armados e houve intensa troca de tiros. Durante o tiroteio, a menina foi baleada e morreu no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Outras cinco pessoas sairam feridas.

Em Nota Oficial, a OAB/RJ condenou a operação da Polícia Militar. “Não é possível que continuem essas operações sem inteligência e não prendam os criminosos”, afirmou, na Nota, Margarida Pressburger, da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

A menina morta é filha do traficante Jorge Ferreira, o Gim, um dos chefes do tráfico da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, e que estava participando da reunião. Outros chefões do Comando Vermelho estavam na casa de dois andares, dentre eles Antonio Ferreira de Souza, o Tota, e Alexsander de Jesus Carlos, o Choque.

“Recebemos a informação do Disque-Denúncia às 18h44m, dizendo que traficantes, bem armados, estavam reunidos naquele local e partimos para lá pouco depois das 19h. Mal entramos na Estrada José Roucas e fomos recebidos a tiros. Chovia na ocasião e havia pouca gente na rua. O nosso blindado foi perfurado a tiros. Eles deram muitos tiros”, relatou o tenente-coronel José Vieira de Carvalho Júnior, indicado para assumir o comando do 16º BPM em lugar do coronel Marcus Jardim Gonçalves.

Segundo o oficial, logo depois de iniciado o tiroteio, a tropa da PM que estava na Vila Cruzeiro deixou a comunidade para não haver mais tiros e ferir ou matar inocentes. “Infelizmente, mais tarde soubemos da morte da menina e das outras cinco pessoas feridas”, contou o futuro comandante do 16º BPM.

A delegada Valéria Castro vai ouvir, na próxima segunda-feira, um relato do comandante do 16º BPM para saber a posição exata em que os soldados e o carro-blindado se encontravam e onde estavam os bandidos. “Vai ser muito importante esta informação pois, de acordo com os laudos do IML e da Perícia Criminal, a polícia poderá determinar, com certeza, de onde partiu o disparo”, afirmou a delegada.

A policial disse ainda que irá ouvir a mãe da criança - mulher do traficante Gim - identificar todo o pessoal da PM que participou da operação, para que as armas que eles usavam sejam apreendidas e enviadas para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli a fim de que sejam submetidas à exames periciais.

Sobre acusações de que a Polícia Militar teria chegado na Vila Cruzeiro atirando, o tenente-coronel José Vieira de Carvalho Júnior disse que isso não era verdade. “Quando chegamos lá, fomos refcebidos a tiros. Eles atiraram primeiro e nós revidamos”, contou.

O militar mostrou um documento do Disque-Denúncia, recebido pouco depois de 1h da madrugada, onde constava informações de um morador da Vila Cruzeiro que disse estarem os moradores sendo pressionados pelos traficantes para realizarem manifestação acusando a PM de matar a menina.

Ontem de manhã, o clima era de calma na Vila Cruzeiro. Instigados pelos bandidos, moradores queriam ir para a Avenida Nossa Senhora da Penha fazer um ato de protesto, mas foram alertados de que a menina morta era filha de um traficante e que a manifestação poderia ser vista como “coisa de bandidos”. a manifestação acabou não sendo mais realizada. Mas ainda assim, os bandidos colocaram obstáculos naquela rua, que liga a Penha à Vila Cruzeiro, obrigando ônibus e carros a se desviar deles. Horas depois, os obstáculos foram retirados.

O novo comandante do 16º BPM (Olaria), tenente-coronel José Vieira de Carvalho Júnior, vai assumir oficialmente o comando do batalhão na próxima quarta-feira. Na segunda-feira, ele assume interinamente em virtude do coronel Marcus Jardim assumir o comando do 1º Comando de Policiamento de Área. Na quarta, Jardim passa o comando para o tenente-coronel Carvalho, que já vinha exercendo o sub-comando do batalhão.

O coronel Carvalho é um Boina Azul da ONU, tendo integrado uma Força de Paz que atuou no Timor Leste entre 1993 e 1994, juntamente com outros integrantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

“Quase morri durante um combate entre forças do governo local e os rebeldes. A tropa onde eu estava foi atacada a tiros. Ganhei até uma medalha da ONU”, disse o oficial.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio condenou hoje (8) a ação policial que resultou na morte da menina Lorraine Tavares Ferreira, de 10 anos, feriu Karina Medeiros Silva, de 8, e Paula Araújo, de 14, enquanto brincavam na Vila Cruzeiro.

A presidente da comissão, Margarida Pressburger, disse que a OAB “exige a apuração rigorosa” da conduta dos policiais do 16º Batalhão que, segundo moradores, entraram na favela atirando pouco depois das 21h de quinta-feira, quando pessoas ainda retornavam do trabalho e havia crianças nas ruas. “Não é possível que continuem essas operações sem inteligência, que matam inocentes e não prendem criminosos”, afirmou, indignada, Margarida Pressburger.

A Comissão oficiará ao comando do batalhão pedindo explicações sobre a operação e oferecerá orientação jurídica às famílias das vítimas. A técnica de enfermagem Teresa Cristina de Amorim Santiago, do Hospital Getúlio Vargas, também foi atingida nos braços e no peito por disparos, e um rapaz, Wallace Oliveira, por um tiro na perna – segundo informações divulgadas hoje. A política de confronto adotada pela polícia já deixou mais 60 mortos na área do Complexo do Alemão, muitos sem qualquer ligação com criminosos.



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