VILA CRUZEIRO, COMO SEMPRE, TERRA DE NINGUÉM.


Insensatez mais uma vez na Vila Cruzeiro.


Ou, como criminalizar a pobreza...


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Rio, 23 DE OUTUBRO DE 2009 - Quatro pessoas inocentes foram baleadas, na manhã desta sexta-feira, em novo confronto entre policiais militares do 16º BPM (Olaria) e traficantes das favelas da Merendiba, Vila Cruzeiro e Quatro Bicas, na Penha, Zona Norte do Rio.

A PM ocupa a favela com 60 homens e, de acordo com testemunhas, o clima no local é similar ao de uma guerra - repóteres de várias partes do mundo também acompanham a atividade policial e utilizam capacetes azuis similares aos usados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em conflitos internacionais.

Três homens e uma mulher foram atingidos por balas perdidas no confronto. Expedito José Rodrigues, de 57 anos, marceneiro aposentado, recebeu estilhaços de bala de fuzil na perna direita. Brulhio de Barros, que não teve a idade revelada, é ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e foi socorrido no Hospital Getúlio Vargas. Uma mulher ainda não identificada também foi baleada. Um senhor, Severino Marcelino dos Santos, levou um tombo e foi atingido por um tiro.

Fotos do intenso confronto pelas favelas do Rio

PMs saíram do 16º BPM marchando pela rua Paranapanema e, ao chegarem na subida da favela da Merendiba, os bandidos atiraram. Um destas balas atingiu uma parede, estilhaçou e atingiu Expedito José na perna direita. O senhor estava com a mulher, Marli da Costa Santos, 60 anos, e se dirigia para o supermecado. Sua esposa seguia para o trabalho. Mesmo sendo atingido por um projetil de fuzil, ele não foi ferido com gravidade e deve ser liberado ainda nesta sexta-feira. O estado de saúde de Brulhio ainda é desconhecido, assim como o de Severino e o da mulher.

Um simples apelo pela paz


Na entrada da Igreja Universal, localizada na Avenida Nossa Senhora da Penha, a 200 metros de um dos acessos à Vila Cruzeiro, um jovem pedia a paz de uma forma muito simples: com um saco plástico branco e um cabo de vassoura, o rapaz pedia aos policiais para que os tiros parassem na comunidade.

As seis escolas da região abriram normalmente durante a manhã, mas a frequência foi muito baixa. O trânsito na Avenida Nossa Senhora da Penha já foi liberadas ao trânsito, mas poucos motoristas se arriscam a passar pelo local. A empresa Nossa Senhora de Lourdes chegou a recolher todos os seus coletivos das ruas, mas o serviço já foi normalizado.

Momentos da guerra sangrenta no sábado

A Polícia Militar ainda realiza operações em outras comunidades da cidade. No total, 60 homens de diversos batalhões participam das ações, que têm por objetivo prender bandidos que seriam integrantes da mesma facção responsável pelo dia de terror na Zona Norte do Rio, quando um helicóptero foi derrubado e oito ônibus foram incendiados.

A PM também ocupa a Favela do Jacaré com homens do 3º BPM (Méier) e outra guarnição do 22º (Maré) está em Manguinhos.

A guerra no Rio


No último sábado, bandidos do Morro de São João tentaram invadir o Morro dos Macacos para tentar tomar os pontos de venda de drogas da comunidade. Houve intenso tiroteio durante toda a madrugada. Moradores ficaram apavorados com a guerra. A Polícia Militar estava no entorno da favela, em Vila Isabel, Zona Norte da cidade.

Pela manhã, a PM interveio e foi para cima do confronto. Os criminosos atiraram contra um helicóptero da Polícia Militar e conseguiram derrubá-lo. Três militares morreram na queda da aeronave. O piloto, considerado um herói, conseguiu escapar. No Jacarezinho e na Mangueira, traficantes atearam fogo em oito ônibus. De acordo com o último balanço da Polícia Militar, 33 pessoas já morreram em eventos relacionados à guerra do tráfico desde o último fim de semana.


Por Bartolomeu Mitre.


Fonte O Dia.

Foto O Globo.

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