NA GUERRA DO RIO DE JANEIRO, CENSURA AOS DIREITOS HUMANOS?





Justiça Global reage a críticas do chefe da Polícia Civil









RIO - A diretora executiva da ONG Justiça Global, que trabalha com proteção e promoção dos direitos humanos, Sandra Carvalho, reagiu às críticas feitas pelo chefe da Polícia Civil do Rio, Gilberto Ribeiro, em entrevista ao GLOBO ONLINE. Sandra afirmou que sua entidade nunca foi chamada pelo governo do estado para discutir o assunto, embora sempre tenha procurado o diálogo:

- Estamos cansados de ouvir esse discurso por parte da polícia. O governador (Sérgio Cabral), enquanto candidato, disse que respeitaria os direitos humanos, que era contra os caveirões e que segurança não se fazia com matança. A Justiça Global nunca foi recebida por ele ou por representantes da segurança.

Para a diretora, o fato de a ONG denunciar as violações dos direitos humanos, principalmente nas comunidades pobres, tem incomodado as autoridades da área de segurança.

" Estamos preocupados com o planejamento inteligente das operações, sem matança indiscriminada"

- Estão tentando tirar a nossa legitimidade. É fato: houve aumento no número de autos de resistência e diminuição das prisões e da apreensão de armas. É uma segurança pública baseada numa política de extermínio. A gente se preocupa com os policiais, sim. Por isso, estamos preocupados com o planejamento inteligente das operações, sem matança indiscriminada - afirmou.

O chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, fez duras críticas às entidades de defesa dos direitos humanos, acusando-as de serem parciais. Segundo ele, essas organizações não verificam se houve realmente violação dos direitos. Gilberto disse que nunca foi procurado por elas para discutir o assunto fora dos momentos de crise, quando há mortos em confrontos nas operações policiais. A ONG Justiça Global contradisse o delegado, alegando nunca ter sido recebida por ele.

- Elas não se colocam de forma isenta. Há apenas a necessidade de fazer um discurso dizendo que a polícia violou os direitos humanos. Não há um cuidado para saber se de fato houve violação. Fala-se muito em direitos humanos dos criminosos e se esquece dos direitos humanos da população e, especialmente, dos policiais, que são caçados e executados com muita freqüência. Não se vê uma única manifestação de apoio às famílias desses policiais que morrem em defesa da sociedade - criticou o delegado.

" Há apenas a necessidade de fazer um discurso dizendo que a polícia violou os direitos humanos "

Ribeiro disse que a polícia está de portas abertas para discutir o tema. Em junho de 2007, quando confrontos no Complexo do Alemão terminaram com a morte de 19 pessoas apontadas por policiais como bandidos, um integrante da ONU procurou a Chefia de Polícia exigindo explicações. Segundo Ribeiro, o representante questionou a conduta da polícia.

Ao ser perguntado sobre o aumento no número de autos de resistência, Ribeiro alegou que, ao longo dos anos, não houve uma política de enfrentamento como a atual:

- Se você realiza mais operações, é evidente que o número de confrontos cresce e aumentam os autos de resistência. Em nenhum lugar do mundo existe esta geografia daqui. O estado tem o dever de entrar em todas as áreas para dar segurança à população. Se os criminosos nos rechaçam, isso nos obriga a agir. Ao longo destes anos, percebemos que, quando não há enfrentamento, não há baixas.



Jorge Antonio Barros e Vera Araújo - O Globo

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