POLÍCIA MATOU 1260 PESSOAS EM 2007 NO RIO DE JANEIRO


Anistia Internacional: 'Polícia matou cerca de 1.260 pessoas no Rio'



A Anistia Internacional divulgou em Londres que as ações dos governos federal e estaduais em resposta à atuação do crime organizado em áreas de comunidades carentes foram classificadas de "confusas" no relatório anual da Anistia Internacional, divulgado nesta quarta-feira, em Londres.

Segundo o documento, embora o governo federal tenha lançado iniciativas voltadas à prevenção do crime, como o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), que destina recursos à área da segurança pública, ainda se verificam "métodos violentos, discriminatórios e corruptos no combate ao crime", principalmente no Rio de Janeiro.

O relatório aponta, com base em dados oficiais, que a polícia matou pelo menos 1.260 pessoas no Rio em 2007 - o maior número já verificado no estado. Para o pesquisador da Anistia Internacional sobre temas relacionados ao Brasil, Tim Cahill, é preciso que as promessas que envolvem os programas lançados pelos governos sejam concretizadas.

- Temos notado que o governo federal tem aumentado a visibilidade de suas preocupações, mas as promessas em relação às reformas, também anunciadas pelo governo do estado do Rio durante as eleições, não se concretizam para as pessoas que estão vivendo nessas comunidades [carentes]. Há esse grande espaço entre as promessas e a realidade e isso é um grande problema - afirmou ele, de Londres, em entrevista por telefone à Agência Brasil.

Para reverter o quadro marcado pelo elevado número de mortes durante operações policiais, Cahill defende uma política de segurança de longo prazo, baseada em uma atuação direcionada às necessidades de cada comunidade, aliada a investimentos sociais.

- Se os governos estadual [do Rio] e federal não fizerem um plano de longo prazo baseado num policiamento que trabalha as necessidades dessas comunidades, direcionado aos locais onde os focos de crimes existem, vamos continuar tendo crimes violentos. Precisamos ter uma política que traga segurança verdadeira para essas populações, combinando investimento social e reforma concreta da estrutura do policiamento - disse ele.

- Reconhecemos que a polícia tem um trabalho muito difícil e que muitos perdem suas vidas na defesa dos direitos humanos, mas há uma falta de pensamento estratégico no nível superior e a presença de alguns maus policiais que reduzem a eficácia e a credibilidade da atividade da polícia - concluiu.

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