POLÍTICA DE EXTERMÍNIO NO RIO


Política de segurança no Rio é 'extermínio', reforça relatório da ONU



Relator que visitou a cidade diz que ação policial é 'contra producente' e 'excessivamente violenta'


Rio - O Relator das Nações Unidas para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Phillip Alston, chamou de "extermínio" e criticou o "modelo" das ações de segurança pública no Rio de Janeiro. Na próxima segunda-feira, 2 de junho, durante a abertura do 8º Período de Sessões do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Suíça, Alston divulgará relatório preliminar sobre a visita que realizou ao Brasil em novembro de 2007. O relatório definitivo deve ser apresentado até o início de julho.

Phillip Alston destaca em seu relatório os assassinatos cometidos pela polícia nas favelas do Rio de Janeiro e diz que, apesar da megaoperação policial realizada no Complexo do Alemão em junho de 2007 ter resultado na execução de 19 pessoas, “autoridades do governo do estado declaram ser esta operação um modelo para as ações futuras da polícia” e “De fato, parece ter se tornado um modelo de ação: em 30 de janeiro de 2008, 06 pessoas foram assassinadas pela polícia em uma grande operação; em 03 de abril, 11 foram mortas; e em 15 de abril, mais 14 assassinatos. Após a última operação, um alto oficial da polícia comparou as pessoas mortas a insetos, referindo-se à polícia como “o melhor inseticida social”.”

Sem justificativa

Criticando o modelo adotado pelas autoridades fluminenses, o relator da ONU diz que apesar dos responsáveis pela operação no complexo do Alemão terem comemorado, os resultados não foram significativos, assinalando que os chefes do tráfico não foram presos, a apreensão de armas e drogas foi ínfima. Por outro lado diz o Relator, nenhum policial foi assassinado e poucos foram feridos, o que não sustenta a justificativa de autoridades de que encontram “resistência” e por isso 19 pessoas foram assassinadas.

Para Alston o modelo de Segurança Pública adotada no Rio de Janeiro é politicamente motivado e baseado em policiamento pelas pesquisas de opinião. “Mas é popular entre aqueles que querem resultados rápidos de demonstrações de força. A ironia é que é contra producente.”

O Relator também faz uma crítica aos autos de resistência, afirmando que recebeu informações contundentes de que homicídios por “resistência” são de fato execuções extrajudiciais e que relatórios de autópsias a que teve acesso comprovam isso. Assinala ainda que o número surpreendentemente elevado de autos de resistência em 2007, 1330, representou 18% do número total de homicídios no Rio de Janeiro.

Para Alston a “razão chave para a ineficiência da polícia em proteger cidadãos é que muito freqüentemente ela envolve uma violência contra-produtiva e excessiva enquanto desempenha o seu trabalho e participa em parte do crime organizado quando não está trabalhando.”

Durante a visita ao Rio de Janeiro, Phillip Alston se encontrou com diversos familiares de vítimas da violência policial, testemunhas, vítimas, ONGs de direitos humanos e movimentos sociais. O Relator também teve uma agenda governamental com integrantes do executivo, legislativo e judiciário.

Ao final o relatório preliminar traz uma série de recomendações sobre vários temas, entre eles, investigação dos homicídios cometidos pelas polícias, remuneração dos policiais, perícia técnica, proteção a vítimas e testemunhas, ouvidorias e sistema prisional.



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