sábado, 7 de fevereiro de 2009

PRESOS DE ALAGOAS: SUICIDAS OU "SUICIDADOS"?




Governo investiga suicídios suspeitos em presídios de Alagoas



Foram cinco mortes só este ano em dois presídios de Alagoas. Em todos os casos, os presos foram encontrados enforcados nas celas. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos vai investigar.


Integrantes da Secretaria Nacional de Direitos Humanos chegaram a Alagoas para investigar cinco casos de suicídios de presos ocorridos no mês de janeiro nos presídios do estado. Os mortos sempre aparecem enrolados pelo pescoço por lençóis das camas de suas celas. A suspeita é de que eles tenham sido mortos e depois pendurados.


Segundo o ouvidor nacional dos Direitos Humanos, Pedro Montenegro, as mortes chamaram a atenção porque não existe antecedente num espaço de tempo tão curto.



" Ouvimos horrores do que acontece nesses presídios "


"O laudo sempre atesta o enforcamento, morte por enforcamento, devido às características que são apresentadas quando ela faz o levantamento. Foi suicídio", disse o coronel Moacir Valdevino, intendente adjunto penitenciário


Os supostos suicídios foram denunciados esta semana pela OAB de Alagoas. Parentes de presos dizem que eles não tinham motivos para se matar. A mãe de um detento afirmou ter sabido da morte do filho pela televisão e denunciou que todos os objetos dele sumiram.


Há a denúncia da existência de "matadores de cadeia", esquadrões da morte para eliminação de detentos. Um dos presos reclamava da falta de trabalho e, como resposta, recebeu a proposta de participar do espancamento de outros presos. Ele se negou e acabou no isolamento, onde se sentiu mal e apareceu enforcado.


- Ouvimos horrores do que acontece nesses presídios - diz o promotor da Vara de Execuções Penais, Cyro Blater.


Os agentes penitenciários André Noblat e Delves Ferreira foram presos no começo da noite desta sexta-feira por determinação dos juizes da 17ª Vara. O pedido de prisão foi feito pelos promotores do Gecoc - que apura o suposto "suicídio" de presos.


Os dois agentes são os principais suspeitos - e não há mais dúvida de que foram eles mesmos - que matarem o preso Deivid Cerqueira, um dos cinco presos que apareceram misteriosamente mortos e que foram dados inicialmente como suicídio.


As investigações se estenderam a Casa de Detenção de Maceió, o Cadeião, onde um detento teria entrado em contato através do orelhão, localizado na entrada do presídio, com o preso que ‘vende' os resgates no Cyridião Durval. O diálogo, que aconteceu com a conivência de agentes penitenciários, serviu para negociar o plano de fuga, que não aconteceu devido ao valor cobrado.


O plano teria chegado ao conhecimento do agente penitenciário José Vieira da Rocha Filho, 26 anos - o Índio, morto em Maceió no último dia 14. A suspeita é que a vítima teria alertado a direção do presídio sobre o possível resgate.


O esquema envolvia os ex-reeducando identificados como "China" e Márcio da Silva - "Márcio Ladeira", morto numa suposta troca de tiros com agentes penitenciários, que teriam vingado a morte do colega um dia após ele ser executado. "China" e "Márcio Ladeira" foram contratados pelo articulador dos resgates para eliminar o agente penitenciário que havia informado o plano.


Segundo o blog que é mantido pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários de Alagoas, "Marcos Ladeira" havia sido liberado - por alvará, no mês passado - do presídio Cyridião Durval, onde cumpria pena por roubo e homicídio.


Já a morte do detento Isnaldo dos Santos, de 37 anos, também estaria ligada aos planos de resgate. O detento foi, segundo versão da Intendência Judiciária, encontrado morto por enforcamento, dentro de uma cela no Cyridião Durval. Ele era um dos presos que sabia que o mentor dos resgates havia determinado a morte do agente José Vieira, por ter delatado o plano de fuga. Isnaldo teria sido assassinado dentro do presídio por tentar extorquir dinheiro do responsável pelos planos.


Os promotores que investigam as cinco mortes não têm mais dúvida de que não houve suicídio, como atestou a direção do presídio, mas execução sumária. Os relatos de testemunhas são estarrecedores.


Suas excelências tem razão: são casa de horrores as nossa prisões.


Podemos aguardar anjos egressos do inferno?


É, pode ser...



Fonte: OAB, G1, O Globo,

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