CANTO DE GUERRA

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006


CANTO DE GUERRA





por Paulo R. de A. David




Tenho ganas de arrancar desesperanças.

De erguer as cabeças baixas que por mim vejo passar.

De erguer os punhos dos braços inertes pelos quais cruzo,

nas ruas e nas calçadas da cidade em seu leito de medo.


Medo é morte prematura!


Morrem os sonhos e as esperanças,

morre o brilho no olhar e o ideal.


Morre a vontade! A vontade não pode morrer!

A vontade é vento sudoeste,

que se não afunda a nau, faz chegar depressa!


Que afunde a nau, pois que afunde! Pouco importa!

O poeta disse apenas que navegar é preciso:

não disse o quanto nem para onde!


Esse povo é minha nau e a vida o mar.

É preciso que navegue, que não caia na calmaria

do se deixar ficar, indolente e quedo, imerso em medo,

pois a história passa

e o mar de hoje é oceano do eterno.


Singremo-lo, portanto!


Despojados, despertos, diversos do que fomos,

se mudar também for preciso...


Mas que não se arrastem os mastros mestres

de nossos braços!

Eles sustentam o velame da embarcação que somos:

nossa alma!


E nossa alma precisa de vento,

como nós precisamos da Vida,

o prisioneiro, da Liberdade...

e a Democracia, de nós!


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