terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A face burra da política de segurança pública no Rio: o enfrentamento apenas produz mais cadáveres.


RIO, 12 de janeiro de 2010 - Quatro policiais foram baleados e dois supostos bandidos foram mortos durante uma operação na Favela Buraco do Boi, no Barreto, em Niterói. Três PMs do 12º BPM (Niterói) foram atingidos no fim da noite desta segunda-feira, quando começou a ação. Na manhã desta terça, um outro PM foi baleado e dois supostos traficantes morreram. Três bandidos foram presos e outro traficante baleado foi levado para o Hospital Azevedo Lima. Com este último, foi apreendida uma pistola 9 milímetros, segundo a polícia.Neste momento, policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) estão na comunidade. Trechos da Avenida do Contorno, principal ligação entre Niterói e São Gonçalo, precisaram ser interditados, o que prejudicou o trânsito nos acessos à Ponte Rio-Niterói. Agora, o tráfego flui normalmente na via.

A pista sentido Manilha foi fechada às 7h05m, e a sentido Niterói às 7h30m. O trânsito foi desviado pela Avenida Benjamim Constant. As duas pistas foram liberadas às 8h10m depois que o Bope ocupou a favela. O fechamento da Avenida do Contorno provocou um caos no trânsito de Niterói e de São Gonçalo na hora de maior movimento de veículos em direção ao Rio. A rodovia foi interditada pela segunda vez ao tráfego, no sentido Manilha, das 9h20m às 9h28m, por causa de novo tiroteio. Motoristas, como a empresária Olga Valles, ficaram parados há uma hora devido ao nó no trânsito.

Motoristas chegaram a enfrentar cinco quilômetros de engarrafamento no sentido Niterói. No sentido oposto, o congestionamento chegou às pistas da Ponte Rio-Niterói. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) autorizou a concessionária Autopista Fluminense a fechar a Avenida do Contorno para evitar que os usuários fossem vítimas de balas perdidas. Além disso, a via é usada como rota de fuga dos traficantes, que também usam um rio para fugir pela Baía de Guanabara. As pistas estão liberadas, mas um esquema de sinalização de emergência está pronto para que a rodovia seja fechada a qualquer instante.

Segundo as primeiras informações, os PMs foram ao local checar denúncia de uma suposta tentativa de invasão de traficantes rivais, oriundos da Favela de Acari e da Favela da Coreia, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio. Quando os policiais chegaram na comunidade, por volta das 22h, foram recebidos a tiros. Segundo o comandante do 12º BPM, tenente-coronel Ruy França, a operação apreendeu armas, carregadores, radiotransmissores e um carro.

Dois policiais baleados estão no Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca: Fábio Cunha Azevedo, baleado no rosto, que se recupera de uma cirurgia no momento; e o cabo identificado apenas como Maxwell, baleado no punho direito e operado de uma fratura exposta. Ambos apresentam quadro estável. Já os policiais Alexandre Pinto Araújo e Marcos Luiz Vidal também foram levados inicialmente para a unidade, mas seguiram rapidamente para o Hospital da Polícia Militar. Ainda não há informação sobre o estado de saúde deles.

Na manhã desta terça-feira, por volta das 9h, dois homens já mortos chegaram ao Azevedo Lima. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria estadual de Saúde, os corpos apresentavam vários tiros e vieram da mesma localidade.

No início da madrugada, policiais militares e agentes da PRF realizaram uma operação nos acessos à Ponte Rio-Niterói para evitar a fuga dos bandidos. O chefe da delegacia da PRF, inspetor Sérgio de Castro Júnior, disse que há mais de seis meses a PRF vem fazendo operações sistemáticas na Ponte Rio-Niterói para prender bandidos em fuga do Rio. Segundo informações que estão chegando ao Disque-Denúncia, Niterói e São Gonçalo, além de Caxias, são os locais mais procurados pelos bandidos em fuga dos morros do Rio.

O caso foi registrado na 78ª DP (Fonseca).


Fonte: O Globo online.


Nota do Blog: A política de Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, representada pela UPP - Unidade de Policia Pacificadora - é o caminho viável e intelligente de se combater o crime sem colocar em risco inocentes. O fato de termos quatro policiais feridos é o suficiente para a condenação da ultrapassada, letal e burra política do enfrentamento. Oxalá não tenhamos mais inocentes feridos, ou mortos.

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