quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inclusão social: resistência surda





País mostra avanços em inclusão social, mas algumas áreas resistem







Nos últimos 20 anos, o Brasil teve avanços na questão da inclusão, afirmou à Agência Brasil a superintendente-geral da organização não governamental Escola de Gente, Claudia Werneck. A atuação da ONG é baseada no conceito de desenvolvimento inclusivo, que associa a questão da pobreza ao problema da deficiência, sob todas as formas.

Pioneira na pesquisa sobre inclusão no Brasil e na América Latina, Claudia Werneck tem 12 livros sobre o tema. Eu acho que em termos de políticas públicas, a gente avançou muito e tem hoje respaldo para falar - afirmou. Ela destacou os avanços observados sobretudo nas políticas educacionais. Em relação à cultura, disse que as políticas demoraram um pouco mais para avançar, mas estão começando esse processo.

- Eu acho que avançamos muito lentamente na mentalidade das pessoas. Existe, no modo como as pessoas pensam deficiência, questões muito antigas, muito pobres. E, geralmente, elas estão relacionadas à crença de que dar visibilidade ao tema deficiência significa resolver o problema do preconceito e da discriminação - salientou.

Claudia Werneck afirmou que essa questão pode ser resolvida associando a essa visibilidade reflexões profundas e oferecendo soluções práticas de como transformar inclusão, que é um conceito abstrato e subjetivo, em práticas do cotidiano.

Nesse sentido, lembrou que o livro acessível, ou seja, editado em várias mídias com o objetivo de atender a diversos tipos de deficiência temporária ou permanente, é uma solução para garantir o direito à participação de pessoas com deficiência. Acrescentou que na área governamental, muitos setores estão bastante interessados no tema da inclusão. Entre eles, citou o grupo responsável pelas políticas de juventude, o Ministério da Educação, no que se refere à educação especial, além da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

A superintendente da ONG assegurou que na área cultural há um longo caminho a ser percorrido. - Tem setores muito resistentes à questão da inclusão - lamentou. As grandes editoras, por exemplo, resistem ao livro acessível, que consideram algo supérfluo, disse. No segmento da educação, o problema persiste nas escolas particulares, onde muitas crianças com deficiência não têm acesso à escola comum, embora isso seja lei no país.

Na área teatral, muitos produtores e, inclusive, artistas não conseguem pensar em dividir o espaço com uma tela com legendas e tradução em libras (linguagem de surdos), criticou a superintendente. Segundo ela, isso também é previsto em lei. - Há diálogos que não foram feitos. E eles incluem pensar o que já temos, mas imaginando que pessoas com deficiência existem - ressaltou.

Claudia Werneck disse ainda que o desafio é saber quanto custa não discriminar. Fazer acessibilidade não é caro, disse. Para ela, os orçamentos que não prevêem acessibilidade é que são caros. A superintendente explicou que quando se faz um projeto no Brasil que não leva em conta a diversidade, o aspecto da deficiência e da inclusão, "na verdade, você está construindo um projeto de discriminação. E, consequentemente, um orçamento de discriminação".



Fonte: JB Online

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