segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

UPP, paz na favela: o sonho vai se tornando realidade


Mário Sérgio: 'Ocupar o Alemão com UPP é complexo, mas não impossível'

Rio, 25 de janeiro de 2010 - A ocupação do conjunto de favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, com uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) não é impossível, mas exigirá um trabalho longo e complexo da Polícia Militar (PM). A afirmação foi feita pelo comandante-geral da PM fluminense, coronel Mário Sérgio Duarte. Segundo Duarte, a UPP chegará ao Alemão, assim como ao Complexo da Maré e a outras grandes favelas do Rio até 2016.

Desde a implantação do projeto de policiamento comunitário conhecido como UPP, que prevê a aproximação da polícia com a comunidade e o fim do controle de quadrilhas armadas sobre favelas, existem dúvidas sobre quando ou mesmo se haverá a ocupação do Alemão com a unidade.

O Complexo do Alemão é uma das favelas mais problemáticas para a polícia fluminense, por ter um grande território, milhares de habitantes e servir como quartel-general para uma das maiores facções criminosas do Rio. Desde 2007, operações policiais no conjunto de favelas resultaram em dezenas de mortes, tanto de suspeitos quanto de policiais e inocentes vítimas de balas perdidas.

Além disso, o complexo é cercado por favelas que são controladas por quadrilhas de venda de drogas, como o Morro do Adeus, o Juramento e o Engenho da Rainha, o que poderia causar problemas para a polícia pacificadora.

“É possível pacificar qualquer lugar, mas sabemos que a complexidade no Alemão é muito maior. Vai requerer recursos humanos maiores, um grande número de policiais. A extensão de tempo da primeira fase [entrada da polícia na favela], muito provavelmente vai ser maior. A segunda fase, que é a ocupação temporária, também vai ser muito maior, até que nós possamos consolidar no modelo final com a Unidade de Polícia Pacificadora”, disse o comandante da PM.

Até agora, o governo do estado já implantou seis unidades de polícia pacificadora, que atendem a nove favelas da capital. Mas a maioria dessas favelas escolhidas para a implantação da UPP é de pequenas ou médias comunidades, na Zona Sul da cidade.

A única comunidade de grande porte já ocupada pela UPP foi a Cidade de Deus, no início de 2009, onde até hoje a polícia não conseguiu acabar com a venda organizada de drogas. Apreensões de armas e drogas e prisões são rotineiras na comunidade. No fim do ano passado, uma grande operação tentou cumprir mandado de prisão para cerca de 20 pessoas que atuavam na Cidade de Deus, mesmo com a UPP.

Por enquanto, a Secretaria de Segurança mantém segredo sobre a ocupação, neste ano, de grandes favelas como o Alemão e o Complexo da Maré, também na Zona Norte. Recentemente, o secretário José Mariano Beltrame afirmou que, em 2010, a Polícia Militar formaria mais de 3 mil novos soldados. Todos eles serão empregados na UPP.

Segundo Beltrame, com esse efetivo, seria possível ocupar até 40 comunidades pequenas, ou então um ou dois complexos de favelas grandes como o Alemão e a Maré. Sobre o efetivo necessário para ocupar o Complexo do Alemão, o coronel Mário Sérgio Duarte disse que não sabe precisar. “Se forem mil, colocaremos mil. Se forem 2 mil ou 3 mil, colocaremos esses homens no Complexo do Alemão”, afirmou.

Mesmo mantendo segredo sobre as próximas comunidades a serem ocupadas pela UPP, a Secretaria de Segurança já deixou claro que o projeto não prevê a ocupação de todas as favelas do estado com a nova modalidade policial. O planejamento estratégico prevê um máximo de 100 comunidades, ou seja, apenas uma parte das mais de 900 favelas da capital e de outras centenas na região metropolitana e interior do estado que são controladas por grupos armados.

O comandante da PM do Rio não deixou claro para a Agência Brasil qual será a estratégia da polícia para evitar que as quadrilhas armadas expulsas das favelas com UPP passem a controlar novos territórios ou pratiquem crimes em outras regiões da cidade.

Duarte disse apenas que a polícia também deve buscar fomentar redes sociais de prevenção da violência em outros pontos da capital. “O trabalho é muito amplo. Ele não é apenas executado com as ferramentas do mundo jurídico. Essa grande estratégia de pacificação importa trabalharmos com a ocupação, mas também com a criação de redes de prevenção em outros lugares”, acrescentou.

As informações são da Agência Brasil

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