quinta-feira, 19 de junho de 2008

CIDINHA CAMPOS E O DISCURSO CONTRA ALVARO LINS NA ALERJ


Discurso da deputada Cidinha Campos (PDT):


"Sr. Presidente, Sra. e Srs. Deputados, o que eu tenho a dizer não é tão grande que eu não pudesse usar um aparte para fazê-lo, mas eu achei que seria tirar o tempo do debate que está se ouvindo aqui, porque tem sido muito bonito, E eu quero cumprimentar o Deputado Paulo Ramos - não é sempre que eu faço isso, não é, deputado? - pelo seu discurso desta tribuna.

Falou-se muito aqui, Sr. Presidente, sobre estado de direito. Acho que do estado de direito já se falou demais. Nós temos que falar do Estado direito. O Estado direito é aquele em que o deputado trabalha, vive com o seu salário, não rouba de ninguém, não tira dinheiro da escola de criança. Esse é o Estado direito!

Não vou fazer nenhuma análise jurídica. Eu vejo com espanto que na hora de defender um deputado, vão procurar na Constituição o amparo para livrá-lo de uma punição. Mas esse deputado, que foi Chefe da Polícia deste Estado do Rio, não respeitou nem o Código Penal, nem o Código Civil. Nada! Na hora de se defender, todos buscam a legalidade ideal: a Constituição Federal, que ninguém respeita.

Esta Casa, é claro, tem competência para tirá-lo do xadrez, mas não tem legitimidade. Sabe por que, Sr. Presidente? Porque 40% desta Casa estão envolvidos com a marginalidade: 40% de uma casa política envolvidos com bolsa-escola, máfia dos combustíveis, assassinato, grupo de extermínio, extorsão, milícia e tráfico. Que legitimidade tem esta Casa para dizer que ele tem que sair da prisão? Estão votando em causa própria! “É ele hoje, sou eu amanhã” – como já disseram aqui uma vez.

Então, qualquer que seja esse resultado, e eu já sei qual será, como sabia que ele ia ser preso – e V. Exa. é testemunha que eu sabia que ele ia ser preso - como sei que outros serão. Serão presos e nós nos vamos enfraquecendo a cada passo. As argolas que querem tirar do pé do Álvaro Lins já estão chegando aos nossos pés, porque nós estamos implantando no Poder Legislativo do Estado do Rio de Janeiro o poder da bandidagem, da falcatrua, da falta de respeito à população e ao direito do Estado, ao Estado direito.

Sr. Presidente, eu trouxe documentos aqui. Tem gravação. Eu tenho a degravação completa da investigação da Poeira no Asfalto. O chefe do gabinete do Dr. Álvaro Lins tratando da falcatrua que ia fazer naquele direito especial do imposto do ICMS que o Garotinho ia botar. Ele não está sendo julgado por isso, mas também será e nós vamos perder o bonde da história, porque ele é o principal envolvido na máfia dos combustíveis. Mas como é que vai votar esta Casa? Dos oito presos, um é funcionário daqui. A mulher do Sr. Álvaro Lins, a ex, é funcionária da Casa, e os outros, os demais, todos foram homenageados pela Casa, todos os bandidos receberam moção desta Casa, alguns receberam três ou quatro. Mas que moral tem um Deputado que dá moção para esses bandidos? E eu não estou nem falando do Álvaro Lins, que recebeu a Medalha Tiradentes e outras coisas, estou falando dos “inhos” todos. Bandidos pés-de-chinelo que receberam moção, medalha de diversos Deputados, a maioria de Deputados também envolvidos em outras denúncias de corrupção.

Eu acho, Sr. Presidente, que é um discurso perdido. Quando a gente se opõe ao sistema, porque isso virou um sistema, chega a ser perda de tempo. Mas o que estou fazendo aqui se eu não fico pelo menos indignada com o que está acontecendo? Então, eu sei que ele vai sair por aquela porta, vai usar os instrumentos que tem, como disse bem o Sr. Deputado Paulo Ramos, como ex-Secretário de Segurança Pública, para desvirtuar a investigação. E não é só ele, são dois ex-Secretários, ele e o Ricardo Hallack, que é outro bandido de primeira classe muito homenageado nesta Casa.

É um discurso vazio. É um discurso que não vai dar em nada.

Pode sair, Sr. Deputado Álvaro Lins! A Casa é sua"


......... *** ........


Disseram NÃO à liberação do deputado Álvaro Lins e honraram cada voto recebido de seus eleitores os deputados:

1 - Alcides Rolim (PT)

2 - Alessandro Molon (PT)

3 - Cidinha Campos (PDT)

4 - Comte Bittencourt (PPS)

5 - Fernando Gusmão (PCdoB)

6 - Flavio Bolsonaro (PP)

7 - Gilberto Palmares (PT)

8 - Inês Pandeló (PT)

9 - Marcelo Freixo (PSOL)

10 - Nilton Salomão (PMDB)

11 - Olney Botelho (PDT)

12 - Paulo Ramos (PDT)

13 - Rodrigo Neves (PT)

14 - Sabino (PSC)

15 - Wagner Montes (PDT)


Votaram a favor da libertação de Lins

1 - Alessandro Calazans PMN

2 - Anabal PHS

3 - Aparecida Gama PMDB

4 - Atila Nunes DEM

5- Audir Santana PSC

6 - Beatriz Santos PRB

7 - Chiquinho da Mangueira PMDB

8 - Coronel Jairo PSC

9 - Délio Cesar Leal PMDB

10 - Dica PMDB

11 - Dionisio Lins PP

12 - Domingos Brazão PMDB

13 - Dr. Wilson Cabral PSB

14 - Edino Fonseca PR

15 - Edson Albertassi PMDB

16 - Fábio Silva PMDB

17 - Geraldo Moreira da Silva PMN

18 - Gerson Bergher PSDB

19 - Glauco Lopes PSDB

20 - Graça Matos PMDB

21- Iranildo Campos PTB

22 - João Pedro Figueira DEM

23 - João Peixoto PSDC

24 - Jorge Babu PT

25 - Jorge Picciani PMDB

26 - Luiz Paulo PSDB

27 - Marcelo Simão PHS

28 - Marco Figueiredo PSC

29 - Marcus Vinicius PTB

30 - Mario Marques PSDB

31 - Natalino DEM

32 - Paulo Melo PMDB

33 - Pedro Paulo PSDB

34 - Rafael Aloisio Freitas DEM

35 - Rogerio Cabral PSB

36 - Ronaldo Carlos de Medeiros PSB

37 - Sheila Gama PDT

38 - Sula Do Carmo PMDB

39 - Tucalo PSC

40 - Waldeth Brasiel PR



Faltaram à sessão:

1 - Alair Correa (PMDB)

2 - Altineu Cortes (PT)

3 - Alvaro Lins (PMDB)

4 - André Corrêa (PPS)

5 - André do PV

6 - Armando José (PSB)

7 - Graça Pereira (DEM)

8 - Jodenir Soares (PTdoB)

9 - José Távora (DEM)

10 - José Nader (PTB)

11 - Marcos Abrahão (PSL)

12 - Nelson Gonlçalves (PMDB)

13 - Pedro Augusto (PMDB)

14 - Roberto Dinamite (PMDB)

15 - Zito (PSDB)

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