quarta-feira, 11 de junho de 2008

MILÍCIA DECLARA GUERRA E ATACA DELEGACIA POLICIAL


Milicianos são principais suspeitos de ataque à delegacia de Campo Grande

Bomba artesanal com alto poder de destruição foi lançada na porta da unidade


Criminosos atiraram uma bomba contra a delegacia de polícia de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, na madrugada desta quarta-feira (11/6).

O artefato explodiu na entrada da delegacia, estilhaçando a porta de vidro por onde o público acessa o local. Nenhuma pessoa ficou ferida, segundo o delegado Robson Gomes responsável pelo atendimento. Os estilhaços da bomba também quebraram faróis de carros da polícia estacionados.

Os policiais disseram não ter visto quem atirou o explosivo. O delegado evitou apontar suspeitos de serem responsáveis pelo ataque.

A delegacia fica na Avenida Maria Teresa, próximo à Avenida Cesário de Melo, uma das mais movimentadas do bairro.

Campo Grande é uma das áreas do Rio de Janeiro com maior concentração de comunidades tomadas de traficantes por milícias, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública.

A polícia acredita que a bomba que explodiu na frente da 35ª DP (Campo Grande) na madrugada desta quarta-feira (11) tenha sido jogada por um homem ligado a grupos de milicianos. Ninguém ficou ferido. A informação é do delegado Marcus Neves, titular da delegacia.

Rio - Um mês após a tortura sofrida por equipe do jornal O Dia e um morador na Favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste, milicianos que atuam na região foram apontados pela polícia como responsáveis por ataque, na madrugada de quarta-feira, contra a 35ª DP (Campo Grande).

Uma bomba artesanal com alto poder de destruição foi lançada do Viaduto de Campo Grande e explodiu na porta da delegacia. Ninguém se feriu, mas o artefato quebrou todos os vidros da entrada da unidade, parte do telhado, perfurou paredes e danificou uma viatura.

"Temos fortes indícios para acreditar que grupos de milícia dessa área praticaram esse atentado que, na verdade, não foi contra a delegacia, mas contra a instituição Polícia Civil e, em última instância, contra o próprio Estado. O motivo é que temos intensificado a repressão contra eles", afirmou o delegado titular Marcus Neves, que esteve de madrugada na delegacia e telefonou para o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, para avisá-lo.


Bomba em sacola plástica

A explosão aconteceu às 2h20, quando estavam de plantão seis policiais, incluindo o delegado adjunto Robson Gomes, e duas atendentes. A moradora de rua Sheila Ribeiro de Melo, 43 anos, preparava-se para dormir na entrada da 35ª DP quando viu um carro cinza não identificado parando no viaduto, distante cerca de 30 metros da unidade. Segundo ela, um dos ocupantes, escondendo-se atrás da copa de uma árvore, atirou uma sacola plástica preta, onde estava a bomba. Feita com cilindro de extintor de incêndio e pavio longo, ela explodiu no chão, entre uma viatura e a porta.

"Ouvi o barulho dela caindo e fiquei com medo, por isso corri pra me esconder. Depois aconteceu uma grande explosão", lembrou Sheila, creditando o fato de não ter se ferido à sua devoção à Nossa Senhora da Conceição. Ela carregava uma imagem de aproximadamente 30 centímetros da santa, que havia pego na Igreja de Santo Antônio, no Centro do Rio, para levá-la a um sítio em Campo Grande onde um dos filhos mora e trabalha. A estátua partiu-se ao meio com a detonação do explosivo, que também matou um passarinho que estava numa das árvores em frente à delegacia.

"A santa me salvou, mas acho que isso aconteceu porque eu não deveria ter tirado ela da igreja. Não roubei, estava na porta e eu apanhei", ressaltou.

Escaparam pelo corredor

O susto foi grande entre os funcionários de plantão. No momento ninguém registrava queixa na delegacia, que funcionava como central de flagrantes. O escrivão Marco Antônio Afonso da Silva estava no balcão de atendimento, conversando com as duas atendentes, quando a sacola plástica caiu na entrada. Ao ver a chama no pavio, ele alertou as jovens e os três correram para um corredor. A explosão ocorreu poucos segundos após a queda.

Além de destruir toda a vidraça da fachada e parte do telhado, estilhaços deixaram buracos nas paredes, numa pilastra a cerca de um metro do balcão de atendimento e quebraram o farol da viatura 67-8689, uma Blazer de quatro portas, que ficava estrategicamente estacionada na calçada em frente à porta.

“Já temos alguns suspeitos que são pessoas ligadas à milícia. Realizamos diversas ações que coibiram a ação de milicianos na região. É uma forma de represália contra as nossas operações, mas vamos continuar atuando”, contou o delegado.

O Esquadrão Anti-Bomba da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) foi ao local e realizou uma perícia. O laudo deverá ficar pronto nos próximos dias.


Fuzis às pressas

"A delegacia ficou tomada por uma fumaça espessa durante uns cinco minutos, ninguém enxergava nada. Tivemos que abrir correndo a sala de armamentos e apanhar fuzis porque pensamos que poderia acontecer uma invasão", contou o delegado Robson Gomes, acrescentando que o plantão tinha sido tranqüilo até então, com o registro apenas de casos sem gravidade. "O mais sério foi um tiroteio na Favela do Aço, em Santa Cruz, com um bandido ferido, mas isso foi na manhã de terça-feira", disse o policial.

O escrivão Marco Antônio contou que um policial civil passava com sua blazer na hora em que o artefato estourou e acabou tendo prejuízo: a lataria e um pneu dianteiro foram perfurados por estilhaços.

Oito policiais da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) foram para a porta da delegacia, onde ficaram de prontidão. Uma equipe do Esquadrão Anti-bombas chegou às 4h20. Os agentes recolheram restos do artefato, como um pedaço de chapa vermelha do extintor, e vistoriaram toda a área destruída, fazendo medições e registrando os estragos com uma máquina fotográfica digital.

Resposta será imediata

O delegado titular assegurou que o ataque não irá impedi-lo de prosseguir com as investigações sobre os grupos paramilitares. "Isso terá uma resposta imediata. Se o objetivo deles era inibir o trabalho policial, deram um tiro no pé, pois vamos ficar ainda mais estimulados para investigar. Essa região está perigosa não só para os nossos policiais, que têm recebido ameaças, mas também para os jornalistas que circulam por aqui", observou Marcus Neves.

Mulher viu o crime

Segundo a polícia, o crime ocorreu por volta das 2h. Com a explosão, a porta de vidro da delegacia quebrou e um carro da polícia foi atingido por estilhaços.

Ainda de acordo com a polícia, uma mulher, que estava do lado de fora da delegacia, viu a ação do criminoso. Ela contou que a bomba foi jogada por um homem que estava em um carro parado em um viaduto da região.

Segundo a testemunha, o suspeito jogou o explosivo, que parecia com um extintor de incêndio com um grande pavio, e fugiu em seguida. No momento da explosão, havia cinco agentes e duas atendentes na 35ª DP.


Fonte O Dia e G1

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